O ano de 2020 se aproxima e um dos pontos essenciais do balanço que se deve fazer sobre um ano de governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro é a política da esquerda sobre a chamada “frente ampla”, que alguns mais recentemente têm chamado também de frente “democrática”.
Em matéria de 22 de dezembro, o sítio The Intercept defende uma “união das forças democráticas” afirmando que “só uma frente ampla com todos os setores antibolsonaristas reunidos em torno de um novo pacto democrático seria capaz disso. É isso ou assistiremos o colapso completo das instituições.”
É preciso deixar claro o que significa essa frente ou união “democrática”. O governador do Maranhão, Flávio Dinno (PCdoB), em entrevista à Carta Capital, ao ser perguntado sobre alianças com “centro e centr-direita” afirmou que sim e que “No caso do Maranhão, eu venci as duas vezes em primeiro turno com uma aliança que, em 2016, foi do PT ao DEM.” O governador do PCdoB afirma claramente que o DEM pode ser parte de uma frente “democrática”. Em outras oportunidades, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, já havia sido apontado como um nome possível para uma frente ampla.
Os “democratas” na realidade são os bolsonaristas menos o próprio Bolsonaro e sua família. É a versão 2019/2020 do “virar a página do golpe”. Não é exagero. O DEM é o partido de Ronaldo Caiado, atual governador de Goiás, líder da União Democrática Ruralista, organização de extrema-direita responsável pelo assasssinato de sem-terra. Caiado é apenas um nome, não é a excessão do DEM, partido herdeiro da ditadura militar e que, portanto, não é nada mais do que uma ala do bolsonarismo. A diferença aí, e mesmo assim nem é possível dizer que tal diferença é uma constante no DEM, é que os chamados caciques do partido dissimulam seu apoio à ditadura, ao massacre e ao corte de direitos do povo. Bolsonaro, não.
Entre os “democrratas” também está o PSDB, partido de Fernando Henrique Cardoso, que destruiu o País. PSDB que governa Sâo Paulo há mais de duas décadas cometendo todo tipo de ataques e barbaridades contra o povo paulista. PSDB do João Doria, o “BolsoDoria” que é um representante da política bolsonarista no estado.
Tal política criminosa contra o povo e contra os movimentos de luta só serve para fortalecer a política da direita e ao contrário do que afirma a matéria de The intercept é isso o que vai levar a adaptação completa da esquerda ao regime político e às instituições podres. Afinal, foram os “democratas” os principais articuladores do golpe que colocou Bolsonaro no governo.
Flávio Dino afirma na entrevista que “Bolsonaro é chuva de verão”, ou seja, é passageiro. Tal afirmação é apenas uma justificativa para a desastrosa política de esperar as eleições. Primerio a eleição municipal de 2020, depois a eleição presidencial de 2022. É uma espécie de “confiem nas eleições, esperem”. É a substituição da luta contra o golpe, da luta pela derrubada de Bolsonaro e todos os golpistas pela política eleitoral mais rasteira. Isso porque é preciso dizer claramente que até mesmo do ponto de vista eleitoral a frente ampla e “democrática” é o caminho do desastre eleitoral.





