Enquanto fábricas fecham, Santander comemora aumento de 21% dos lucros

Desde a ofensiva golpista promovida pelo imperialismo (sobretudo, o norte-americano) no Brasil, ofensiva cujos principais resultados políticos foram, até agora, a derrubada fraudulenta do governo Dilma Rousseff e a prisão ilegal do ex-presidente Lula, a economia brasileira entrou num processo de declínio e devastação selvagens, principalmente do ponto de vista do setor industrial.

Entre 2014 e 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulou queda de 4,2%, enquanto o da indústria de transformação caiu 14,4%. O peso da indústria no PIB atingiu o seu pior patamar histórico desde o início de 1996, passando de 11,3% no fim de 2018 para 10,4% no começo deste ano. Para exemplificar, basta mencionar que no maior polo industrial do país, o estado de São Paulo, houve o fechamento de 2.325 indústrias de transformação e extrativas nos primeiros cinco meses do ano, número que é o mais alto em uma década.

A desindustrialização e o desmantelamento da economia nacional, que vêm de décadas, só se agravaram com o golpe de Estado mais recente.

Enquanto a economia nacional é destruída, enquanto milhares de fábricas são fechadas, enquanto a classe trabalhadora perde seus direitos duramente conquistados ou é jogada pura e simplesmente no desemprego e na miséria, os bancos comemoram o crescimento de seus lucros cada vez mais exorbitantes.

Em sua última demonstração de resultados, o Banco Santander, um dos principais monopólios do imperialismo espanhol, registrou que seu lucro cresceu 21% no segundo trimestre deste ano, alcançando a marca de R$ 3,6 bilhões, resultado muito parecido com o trimestre anterior.

Não é uma mera coincidência que, enquanto os banqueiros imperialistas auferem lucros cada vez maiores, os operários e trabalhadores em geral afundam na exploração mais desenfreada, na miséria e no desemprego. Trata-se, antes, de duas faces da mesma moeda, de dois processos que se alimentam mutuamente.

Na fase imperialista do capitalismo, os grandes monopólios imperialistas, constituindo uma pequena oligarquia financeira concentrada em poucos países, dominam a economia mundial e, em especial, a economia dos países atrasados economicamente, entre os quais figura o Brasil. A base de sua lucratividade é a especulação financeira, o rentismo, a exploração das fontes de matéria-prima e da mão de obra dos países atrasados, a conquista de mercados e áreas de influência. Em outras palavras, a atividade dos grandes monopólios imperialistas baseia-se no parasitismo, isto é, no saqueio e pilhagem de riquezas e na exploração de grandes massas do povo dos países oprimidos.

Na condição de lacaio do imperialismo mundial e, especialmente, do norte-americano, o governo de Jair Bolsonaro representa a continuidade e acentuação desse mecanismo perverso de exploração dos povos dos países oprimidos. Mais do que nunca, é necessário denunciar o seu caráter pró-imperialista e lutar pela sua derrubada, expressa na palavra de ordem “Fora Bolsonaro!”, que só poderá ser bem-sucedida se as massas populares, com a classe operária à frente, saírem às ruas e colocar em marcha uma grande mobilização com características revolucionárias.

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