Na última quinta-feira (4), a Polícia Civil do Rio de Janeiro fez uma megaoperação para cumprir 74 mandados de prisão contra um grupo paramilitar ligado ao ex-PM e miliciano Orlando Oliveira de Araújo, mais conhecido como Orlando Curicica. Segundo a denúncia, a gangue de Curicica vinha aterrorizar moradores e comerciantes em Itaboraí há cerca de um ano e meio, garantindo lucro mensal de R$ 500 mil.
O bando comandado por Orlando Curicica praticava homicídios, torturas, extorsões, desaparecimento de pessoas e tinha cemitérios clandestinos. Curicica oferecia armamento e “soldados” para seus aliados e, em troca, recebia um percentual dos valores arrecadados no município. Para “limpar o terreno” e expandir seu domínio, o bando, há cerca de um ano, começou a matar usuários de drogas, pessoas que praticavam pequenos furtos e até mesmo prender traficantes de outras comunidades. Ao todo, ao menos 100 pessoas foram assassinadas pela milícia.
Uma vez conquistado o terreno, os milicianos procuravam extorquir a população das mais diversas maneiras. Uma mensalidade entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil era cobrada aos comerciantes e taxas eram cobradas por serviços como exploração de gás, TV a cabo e mototáxi e até mesmo à diretora de uma escola.
Apesar de a Polícia Civil ter deflagrado a operação contra o bando, é preciso denunciar que as milícias são organizações fortemente vinculadas às polícias e às demais instituições do Estado. A formação de um grupo para aterrorizar a população pobre e ainda lhe extorquir, após todo tipo de saque praticado pelos patrões, é fundamental para manter o controle da burguesia sobre as periferias.
Não é à toa, também, que o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro é ligado às milícias. Esse esquema criminoso, organizado fundamentalmente por ex-membros da Polícia Militar para controlar a população, é o que garante que setores mais desorganizados da burguesia consigam participar de maneira mais ativa do regime político. Sem o apoio dos milicianos e toda a máfia envolta, o bolsonarismo mal se sustenta: esses bandos são uma peça-chave para a constituição da horda de mecenários da extrema-direita que são utilizados para atacar e intimidar a população.




