Da redação – O Mercosul e a União Europeia firmaram um acordo de livre comércio. Após 22 anos de negociação, o acordo foi concluido nesta sexta-feira (28), em Bruxelas (Bélgica).
A imprensa está fazendo uma intensa propaganda em defesa do acordo como se fosse algo que beneficiaria o Brasil e os países da América do Sul. O Brasil, por exemplo, poderá exportar produtos agrícolas para a Europa sem nenhum tipo de tarifa.
À primeira vista, pode parecer algo favorável ao Brasil e os sul-americanos. Entretanto, é algo muito mais favorável às economias europeias, que vão poder exportar seus produtos industrializados e tecnologia de ponta sem nenhum tipo de tarifa. Isso, para um país atrasado é extremamente prejudicial.
Enquanto os países da América do Sul irão exportar produtos agrícolas, poucos industrializados ou matérias primas, isto é, mercadorias com baixo valor agregado, irão abrir as portas para que o imperialismo europeu exporte seus produtos (manufaturados com as matérias primas dos países atrasados) com muito mais valor agregado e acabando com arrecadação de impostos dos Estados. Isso significa que os países oprimidos venderão barato para comprar caro de fora, algo que sempre aconteceu, mas que irá se intensificar com este acordo.
Basicamente, as consequências disso são que o Estado nacional brasileiro vai parar de arrecadar com a imensa quantidade de produtos dos países imperialistas que chegam ao país. Produtos estes que são bem mais caros que os exportados pelos países atrasados.
Desta forma, um país como o Brasil (ou qualquer outro da América Latina), que não teve um desenvolvimento capitalista natural, não irá conseguir desenvolver sua economia nem do ponto de vista do capitalismo, uma vez que depende do financiamento estatal pra conseguir este objetivo. Tudo bem, que já não estava se desenvolvendo, por conta do caráter subserviente dos governos nacionais, porém o acordo será mais um obstáculo neste sentido.
Além disso, o mercado ficará bem mais facilmente controlado pelas empresas imperialistas e, assim, as empresas nacionais, pequenas e grandes, vão ser estranguladas, abrindo as portas para a dominação completa das empresas estrangeiras no mercado nacional.
Por isso, o acordo é comemorado pela imprensa, capacho dos capitalistas estrangeiros. Os golpistas queriam justamente isso: a dominação do país pelo imperialismo. Na verdade, a “grande vitória do Mercosul” é uma vitória dos países capitalistas europeus para aumentar a exploração das riquezas sul-americanas e sua dominação do mercado do continente, enquanto que a cooperação econômica entre os países do Mercosul irá diminuir, solidificando estes países como meros vendedores de matérias primas baratas aos europeus.



