Memória e justiça: 5 anos sem lua Barbosa

O Coletivo artístico de Presidente Prudente (SP) “Galpão da Lua” estará realizando neste sábado (29) as 10 horas, na Praça Nove de Julho, um ato artístico e político pelos 5 anos do assassinato da atriz e produtora cultural Luana Barbosa. A atriz foi assassinada em 27 de junho de 2014, um dia após completar 25 anos, vítima do disparo de arma de fogo de um policial militar em uma blitz de trânsito em Prudente.

Até hoje o crime não teve uma resposta adequada do Estado. A justiça ainda nem julgou o PM e nem investigou outros militares que supostamente sequestraram as imagens da câmera de segurança do local do crime. Amigos e familiares ainda aguardam julgamento no Tribunal do Júri de Presidente Prudente.

O ato pretende fazer uma denúncia, chamando a atenção de autoridades e da sociedade para o caso. O ponto de cultura “Galpão da Lua” conta hoje com 12 grupos artísticos da cidade que tem como prioridade a democratização da cultura e da arte.

Em depoimento ao Diário da Causa Operária, o palhaço e produtor cultural Tiago Munhoz do Grupo Rosa dos Ventos nos diz da importância desse ato:

“O Ato é fundamental para chamar a atenção da população e das autoridades responsáveis sobre as barbaridades que cercam o caso da Lua. Ela foi vítima de um crime cometido pelas mãos do Estado e isso não pode cair no esquecimento, não pode sair impune. Crimes como esse estão sendo cometidos diariamente no Estado de São Paulo e pelo Brasil a fora.”

Tiago também chamou a atenção dizendo que o cabo que atirou em Luana ainda trabalha na corporação. “Ninguém nem sequer investigou as fraudes nas provas do crime, como é o caso da coronhada forjada no capacete e as imagens e câmeras da empresa de transporte Andorinha que foram sequestradas.” denuncia Tiago.

O caso já se arrasta por 5 anos e pelo visto a justiça não está trabalhando de forma imparcial. “Não entendo como essas duas instituições podem trabalhar de forma parcial assim? Como nós como cidadãos podemos confiar em uma instituição que deveria trabalhar dentro da lei, deveria nos proteger contra crimes e que acoberta ilegalidades dos seus pares?” Desabafa o amigo e produtor cultural.

Polícia Militar brasileira

Relatório da  Anistia Internacional publicado em 7 de fevereiro deste ano, apontou a Polícia Militar brasileira como sendo a que mais mata no mundo. No último ano, em 2018, 15,6% dos assassinatos no país foram provocados pelos policiais militares.

É preciso fazer um debate real, pois a solução para a segurança pública não surgirá de uma reforma parcial na estrutura do aparato repressor do estado. É necessário a extinção imediata dessa corporação assassina e fascista.

A polícia deve passar para o lado do povo na luta de classes, pois, enquanto fizerem parte dessa máquina de matar, a população pobre continuará entendendo que essa organização serve à burguesia golpista e não ao povo.

Com a dissolução da PM, é necessária a criação de comitês populares de segurança e autodefesa controlados e eleitos pelo próprio povo sem a intervenção do estado burguês.

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