No dia 24 de junho de 2019, o portal Esquerda Online publicou um artigo intitulado Investigar conluio da Lava Jato: fora Moro do Ministério da Justiça e CPI já. O artigo, que é iniciado narrando o vazamento de mensagens entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, tem como principal tese a defesa da instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e do afastamento de Sergio Moro como pauta fundamental dos movimentos, da juventude e da classe trabalhadora.
Exigir o afastamento de Moro já é, de início, uma capitulação perante o clamor do movimento operário e da juventude. Em todos os atos que vêm ocorrendo desde o dia 15 de maio, ficou claro que a esmagadora maioria da população quer ver o governo Bolsonaro transformado em pó: a palavra de ordem do momento não pode ser outra a não ser “fora Bolsonaro”.
Na medida em que o Esquerda Online está exigindo o afastamento de Moro e a manutenção de Bolsonaro no poder, a única coisa que será conquistada é o fortalecimento de Bolsonaro. A crise que foi aberta com o escândalo do portal The Intercept Brasil é uma crise de todo o regime político: comprova que as eleições foram uma fraude, que Lula é um preso político e que os principais pilares do governo são elementos que conspiram contra a própria população. Direcionar a crise somente para Sergio Moro é não só um desperdício, como ajudará o governo a se livrar de ser contestado pelas ruas.
O artigo também traz uma série de confusões que contribuem para desorientar ainda mais o movimento de luta contra o golpe. O portal qualifica a Folha de S. Paulo como “um dos principais jornais brasileiros” e alega ser este “um jornal insuspeito para investigar e criticar os procedimentos e métodos aplicados por Moro e seus aliados”, uma vez que “sempre apoiou de forma esfuziante a operação Lava-Jato, especialmente nas suas denúncias contra o ex-presidente Lula”.
Dizer, em qualquer situação que seja, que a Folha de S. Paulo é um jornal insuspeito é um verdadeiro crime. Seus chefes são tão conspiradores quanto Sergio Moro: a divulgação dos vazamentos pela Folha de S. Paulo não é um atestado da verdade, apenas mostra que a burguesia está tentando assumir o controle do escândalo. E assumir o controle pode significar, inclusive, tentar impulsionar um movimento “fora Moro” para salvar o governo de um movimento “fora Bolsonaro”.
Em outro trecho significativo, o artigo reflete claramente a indisposição de se chocar com a direita golpista: “caso estas mensagens sejam verdadeiras, elas se convertem em uma revelação gravíssima”. Não há nada o que esperar para que as mensagens sejam comprovadas. Nem mesmo a direita acredita que os vazamentos não são autênticos. O próprio Sergio Moro, que disse não reconhecer as mensagens, pediu desculpas ao MBL por chamar seus membros de tontos – se as mensagens fossem mentirosas, não haveria motivo para se desculpar.
A conspiração de Moro, Dallagnol e o STF para perseguir Lula e os demais inimigos do regime político já era evidente há anos. O julgamento do mensalão, já em 2012, foi uma farsa, bem como a condenação de Lula e a cassação de seus direitos políticos. O único caminho que a esquerda pode trilhar nesse momento é ir para as ruas imediatamente para derrubar o governo Bolsonaro. Nada de elogios à imprensa burguesa, nada de acordo com os partidos do regime, nada de esperar que as mensagens sejam comprovadas: fora Bolsonaro e todos os golpistas!




