Nesta semana, o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro anunciou uma nova onda de ataques aos trabalhadores, dos quais merecem destaque a reforma administrativa, que visa preparar o fim da estabilidade dos servidores, a diminuição do valor do auxílio emergencial em 50% e a redução do salário mínimo. Os ataques acontecem em meio a um dos momentos mais dramáticos para a classe operária brasileira, que já viu 125 mil corpos serem enterrados por causa da pandemia de coronavírus.
O auxílio emergencial simboliza bem o total descaso do Estado com o povo durante a pandemia. O valor de R$600 jamais correspondeu às necessidades mais básicas dos trabalhadores. Não bastasse isso, milhões de brasileiros ficaram sem acesso ao auxílio, enquanto militares e setores de classe média conseguiram fraudar o programa e sacar o benefício. Agora, o governo Bolsonaro irá diminuir seu valor para míseros R$300 — isto é, R$10 por dia — e implementar regras ainda mais rígidas para acessar o auxílio. Entre as novas restrições, está o impedimento de qualquer presidiário em regime fechado receber o benefício.
O salário mínimo, por sua vez, que já está muito distante de corresponder às necessidades de um trabalhador — estima-se que esse valor seria acima de R$5 mil — será reajustado abaixo da inflação. O valor de R$1.079, previsto em abril, será substituído pelo mísero valor de R$1.067. Esse será o segundo ano consecutivo em que o salário mínimo não terá aumento real (acima da inflação oficial), o que está se tornando uma política oficial do governo Bolsonaro. O valor proposto pelo equivale a menos de 50% do poder de compra do salário mínimo na época em que foi criado em 1940.
Os ataques do governo Bolsonaro estão diretamente relacionados com o aprofundamento da crise capitalista. Na medida em que a crise aumenta, a burguesia não encontra outro meio de manter seus negócios a não ser pela expropriação ainda mais acentuada de todos os trabalhadores. Por isso, a única maneira de frear esses ataques é por meio de uma mobilização dos trabalhadores contra todo o regime golpista. É preciso rejeitar a política de colaboração com a burguesia — “frente ampla” — e partir para uma ofensiva pelo fora Bolsonaro e todos o golpistas.



