Imprensa burguesa

Quem torce pela Argentina, torce contra o Brasil

Jornalista do UOL faz uma volta enorme, ataca Neymar, escreve contra Trump, mas, no final torce pela Argentina a ecolhida do imperialismo

Seleção argentina, apesar do esquema da FIFA, saiu derrotada

Um desavisado que leia o artigo Uma defesa ética da minha torcida pela Argentina, de Milly Lacombe, pode ficar com a impressão de que se trata de alguém de esquerda. No entanto, a articulista não passa de uma identitária, e o identitarismo, como se sabe, é uma política direitista parida nas universidades norte-americanas.

A jornalista inicia dizendo que “é certo que dentro da seleção argentina temos jogadores que apoiam o fascismo de Trump e Milei, assim como dentro da seleção brasileira existem muitos bolsonaristas, mas temos outros que estão ao lado dos interesses da população e ousam abrir faixas em campo apontando para o colonialismo europeu, que segue sendo praticado”. Isso tudo, na verdade, são coisas externas ao futebol. Na Copa de 1970, por exemplo, os jogadores brasileiros eram criticados por supostamente defenderem a ditadura militar. No entanto, foram lá e trouxeram o caneco, que era o que realmente importava.

Muitas pessoas que criticam o apoio a Trump estavam ontem defendendo Joe ‘Genocida’ Biden, de modo que a posição é também reacionária. Um jogador vale pelo que ele joga, não se gosta de flores, ou doa mantimentos para esta ou aquela instituição.

Segundo Lacombe, “podemos e devemos criticar o acovardamento de Messi diante dos casos de racismo mostrados nas imagens de TV e promovidos por parte da torcida argentina que lá está – uma gente bastante rica e oligárquica. Tenho feito isso enquanto torço para que Messi se agigante e comece a usar a sua voz de forma mais forte contra Trump e Milei.”

Digamos que Messi tivesse feito tudo isso que a jornalista cobra dele, não teria resolvido coisa nenhuma, pois na final não jogou absolutamente nada.

A culpa é do Neymar…

Uma das atribuições de Lacombe é colocar para baixo a Seleção Brasileira, especialmente um: Neymar Jr.

Mesmo quando fala da Argentina, a jornalista arranja uma forma de criticar o brasileiro. Disse que “depois da vitória contra a Inglaterra, Messi falou a respeito da crise econômica que assola a Argentina e se colocou ao lado dos endividados. É um passo. Pode ser um passo. Gostaria que fosse um passo. É mais do que Neymar jamais foi capaz de fazer.”

Messi e Neymar são jogadores, não políticos, são parte de uma espécie de negócio e recebem daí o dinheiro que ganham. A própria Lacombe trabalha em uma empresa que participou da repressão militar, apoia o Estado genocida de “Israel”, apoiou a guerra de agressão de Trump contra o Irã, bem como o golpe de Estado contra Dilma Rousseff.

“Há, por outro lado, motivos bastante justos para torcermos para a Espanha”, escreve Lacombe. E afirma também que “o governo espanhol é, hoje, um dos mais corajosos do mundo na luta contra o imperialismo da dupla Trump-Netanyahu.” Talvez ela tenha se esquecido de que o país é membro da OTAN, que está neste momento utilizando a Ucrânia como bucha de canhão em uma guerra de procuração contra a Rússia.

Segundo escreve, “Lamine Yamal, apesar da pouca idade, é um jovem com consciência social que empunhou a bandeira da Palestina durante a celebração do último título de seu time”. Parabéns para Yamal por sua consciência e coragem, pena que isso não fez com que jogasse bem durante a Copa, pois ficou aquém daquilo que se esperava, principalmente na final. Mas, sem dúvida, é um talento que promete muito para o futebol.

Para demonstrar como esse tipo de discussão, além de inútil, não leva a lugar nenhum. A jornalista escreve no parágrafo seguinte que “há, também, motivos para rejeitarmos a Espanha: um país europeu que saqueou nosso continente por séculos e que só é o que é por causa dessa espoliação. Sem falar no racismo praticado contra Vini Jr. e jamais devidamente punido. O racismo espanhol é bastante ativo, e seria preciso deixar isso registrado.”

E o que os jogadores da Espanha têm a ver com coisas que aconteceram há mais de 500 anos? Além disso, os identitários adoram uma punição, o que mostra como essa ideologia é direitista e reacionária.

No último parágrafo, Lacombe disse que na final torceria “pela Argentina contra a Espanha. Torcerei pela Argentina do campesinato, das Avós da Praça de Maio, do feminismo exuberante de Veronica Gago, Rita Segato e Luci Cavallero. Pela Argentina de Maradona, de Lisandro Martinez, de María Remedios del Valle, de Eva Peron, de Mercedes Sosa e de Mafalda. Pela Argentina saqueada por europeus. Pela Argentina invadida, ocupada e dizimada por espanhóis. Pela Argentina latino-americana. Pela Argentina das populações originárias e pela Argentina negra, que ainda vive e se recusa a sofrer novos apagamentos”. Faltou dizer que é também a Argentina de Milei, ou é preciso passar por cima desse “detalhe”?

Fica claro que tudo isso não passa de uma grande demagogia. Cada um torce pelo time que quiser, e pelos motivos que achar justo, só não se pode querer misturar essas coisas com o futebol.

Ainda existe uma questão: torcer pela Argentina seria o mesmo que torcer para a FIFA e para o imperialismo, que montaram um esquema de manipulação para favorecer a Argentina, o que foi amplamente denunciado nas redes sociais, que aliás, provam o porquê de serem a pedra no sapato do grande capital, que já não consegue fazer suas falcatruas como antigamente fazia com o acobertamento e conivência da grande imprensa.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.