Editorial

Uma censura muito pior que a censura tradicional

Transformar uma opinião abstrata em crime abre caminho para a perseguição política generalizada

O caso do influenciador digiral Bruno Monteiro Aiub “Monark” tornou-se um dos exemplos mais claros do avanço da censura no Brasil.  Em 2022, durante entrevista do Flow Podcast, Monark afirmou que pessoas simpáticas ao nazismo deveriam ter o direito de criar um partido legalizado. A declaração provocou uma enorme reação nas redes sociais, levou à perda de patrocinadores, à sua saída do programa e a uma longa campanha de isolamento político e econômico. Mais recentemente, o caso ganhou novo capítulo: o Ministério Público de São Paulo trocou o promotor que havia se manifestado pelo arquivamento da ação e outro integrante do órgão voltou a pedir sua condenação ao pagamento de R$4 milhões por danos morais coletivos.

Em 31 de março, o promotor Marcelo Otavio Camargo Ramos havia afirmado que a fala de Monark era uma defesa “abstrata” da liberdade de expressão, não apologia ao nazismo. Portanto, pediu a improcedência da ação. Pouco depois, sua designação foi suspensa, e o caso passou ao promotor Ricardo Manuel Castro, que pediu que a Justiça desconsiderasse o parecer anterior e retomasse a condenação.

A defesa de Monark afirma que a mudança foi “fora do padrão” e apresentou reclamação disciplinar ao Conselho Superior do Ministério Público. O MP-SP diz que se tratou de medida administrativa. Seja como for, o resultado concreto é que, quando um promotor reconheceu que não havia crime, o processo mudou de direção e a acusação foi retomada.

O caso Monark não é apenas sobre Monark. É sobre o direito de qualquer pessoa discutir uma posição política sem que o Estado transforme essa discussão em crime. Defender que uma corrente possa existir legalmente não significa defender seu programa. Dizer que uma organização deve ter direito à existência não é o mesmo que apoiar suas ideias.

A censura moderna não aparece apenas como uma proibição formal. Atua por meio de processos milionários, campanhas de pressão, perda de anunciantes, bloqueios em plataformas digitais e destruição econômica. Em 1º de maio de 2026, o YouTube removeu o canal Bruno Aiub Show, criado para marcar o retorno de Monark à plataforma depois de quase três anos afastado. Segundo sua defesa, o canal tinha apenas um vídeo apresentando o estúdio para futuras entrevistas.

Ou seja, não é preciso nem mesmo condenar alguém para censurá-lo. Basta impedir que alguém fale, trabalhe, tenha público e se defenda. Essa combinação entre Estado, grandes empresas de tecnologia e grupos de pressão cria um mecanismo de censura muito mais amplo do que a censura tradicional.

Também é evidente o papel de setores ligados ao sionismo nessa campanha. Entidades que se apresentam como representantes da “comunidade judaica” atuam para confundir crítica política com “antissemitismo”. Essa confusão não protege os judeus; protege uma política criminosa ligada ao imperialismo e ao Estado de Israel. O mesmo método usado contra Monark é usado contra quem denuncia o massacre do povo palestino ou critica o sionismo.

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