A campanha eleitoral do PT não tem o mais importante: um programa. Apesar da grande quantidade de dinheiro investida, não há uma discussão séria sobre os rumos do País.
O problema não é novo. Faz tempo que o PT deixou de apresentar um programa para o Brasil. O que chama a atenção, agora, é que a campanha não apresenta sequer uma proposta imediata. Não há perspectiva, não há uma orientação clara, não há nem mesmo a defesa daquilo que o próprio governo realizou.
No período anterior, ao menos se fazia propaganda das obras e dos programas sociais. Era uma propaganda limitada, mas ainda havia algum conteúdo concreto. Agora, nem isso aparece.
No lugar do programa entrou o moralismo. A propaganda do governo passou a se resumir a repetir que Flávio Bolsonaro é ladrão, que Flávio Bolsonaro não presta. E é só.
Esse é o método da direita: reduzir a política à denúncia, ao escândalo, à acusação moral. Como se o problema do País fosse o caráter de uma pessoa. O problema fundamental é o domínio do grande capital sobre toda a vida nacional.
O sinal mais grave aparece em um terreno que muitos tratam como secundário. A esquerda entrou em uma campanha contra a Seleção Brasileira, contra os jogadores e contra o próprio futebol. Uma política suicida.
O sentimento popular vai no sentido oposto. O povo torce pela Seleção, acompanha os jogos, reconhece nela uma das principais expressões nacionais. Quem se volta contra isso, com ar de superioridade, mostra apenas o quanto perdeu contato com as massas. É o revolucionário de gabinete, o revolucionário da Folha de S.Paulo, que despreza aquilo que move de fato o povo brasileiro.
Uma campanha que troca o programa pelo moralismo típico da direita não educa ninguém, não organiza ninguém. Favorecendo os que não querem que os problemas fundamentais do País sejam discutidos.
Uma eleição precisa ser, antes de tudo, uma tribuna para defender um programa. Um programa que parta dos interesses da classe trabalhadora e aponte para uma mudança real nas condições de vida do povo.





