O Supremo Tribunal Federal passou quase oito horas, nesta terça-feira (15), reunido para decidir se Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Não decidiu nada. A sessão terminou suspensa por um pedido de vista de Flávio Dino, depois de gritos, insultos, acusações e ameaças entre os ministros.
A transmissão serviu para mostrar o que há por trás da pompa com que o STF se apresenta ao País. Cada ministro procurou proteger os próprios interesses, os aliados e os amigos. Quando os interesses se chocaram, até a aparência de civilidade foi abandonada.
Edson Fachin abriu os trabalhos pedindo “equilíbrio, serenidade e responsabilidade institucional”. Horas depois, era interrompido, desafiado e ignorado pelos colegas. Os homens que mandam prender, censurar, bloquear contas e perseguir organizações políticas mostraram-se incapazes de manter a compostura dentro do próprio plenário.
A sessão também destruiu a fraude de que o STF está acima das disputas políticas. O tribunal é formado por 11 indivíduos indicados por presidentes da República, ligados a diferentes grupos da burguesia e dotados de um poder que ninguém lhes conferiu pelo voto. Enquanto os interesses desses grupos coincidem, os ministros mantêm a pose solene. Quando divergem, aparece a quadrilha.
Alexandre de Moraes participou e votou em uma sessão que tratava diretamente de sua conduta. Seu nome apareceu em mensagens de Vorcaro, cujo banco mantinha um contrato de R$130 milhões com o escritório de sua mulher.
O interesse direto no caso não impediu Moraes de intervir repetidas vezes, atacar André Mendonça, questionar Fachin e votar a favor da manobra apresentada por Gilmar Mendes. A proposta era juntar a possível investigação contra Moraes ao pedido do próprio Moraes para investigar Mendonça.
Moraes atuou ao mesmo tempo como interessado, juiz e defensor de si próprio. Teve direito a apartes praticamente ilimitados e chegou a perguntar a Fachin: “Vossa Excelência vai votar o quê?”.
A reunião não esclareceu a relação de Moraes com Vorcaro, não decidiu sobre a validade do relatório da Polícia Federal e não abriu investigação alguma. Serviu apenas para adiar o caso e mostrar o verdadeiro nível do tribunal que se apresenta como “guardião da democracia”: um circo de onze palhaços, no qual cada um cuida dos próprios negócios.





