Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Um 1º de Maio internacionalista da classe trabalhadora

Os trabalhadores sabem muito bem que a única forma de barrar a ofensiva reacionária da direita é a mobilização

O 1º de Maio é o Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora. É o dia em que a classe trabalhadora, mundialmente, celebra essa data inspirada nos acontecimentos em memória dos mártires de Chicago. É dia de sair às ruas para lutar por melhores condições de trabalho e, hoje, embalada pelos acontecimentos de cunho revolucionário dos povos oprimidos, como, por exemplo, no caso do Irã, que abre caminho para a derrota do imperialismo, da defesa de Cuba, da Venezuela, da revolução palestina etc., torna esse dia ainda mais importante.

No Brasil, de um modo geral, os trabalhadores vêm sistematicamente amargando ataques aos seus direitos e conquistas nos últimos anos: reforma previdenciária e fiscal, arrocho nos salários, demissões em massa, terceirização, jornada de trabalho de dez horas e de até doze horas, trabalho análogo à escravidão etc.

Os trabalhadores sabem muito bem que a única forma de barrar essa ofensiva reacionária da direita é a mobilização, as greves, paralisações, ocupações etc. Mas, ao contrário disso, o que se constata é que as iniciativas dos trabalhadores esbarram na paralisia das suas direções. O que vemos na preparação do 1º de Maio deste ano demonstra ipsis litteris qual é o papel cumprido por essas direções no sentido de não armar os trabalhadores para o enfrentamento com os patrões e seus governos.

Possivelmente, logo depois do 1º de Maio no Brasil, a frase mais falada pelos trabalhadores será que os sindicatos, a CUT, não organizaram o ato. De fato, as direções não organizaram ato. O ato do 1º de Maio, tradicionalmente concentrado na capital paulista, organizado pela CUT e seus mais de 4.500 sindicatos filiados, foi completamente abandonado. À primeira vista, poderia parecer uma debilidade das direções, mas se transformou numa política consciente de recuo diante da extrema direita, que irá realizar o 1º de Maio na Avenida Paulista, com a presença de figuras que têm o maior desprezo pela classe trabalhadora, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro.

Diante dessa constatação, a única saída possível para os trabalhadores é a sua organização independente dessa burocracia, que tem como programa a total paralisia diante da gigantesca crise do capitalismo e do imperialismo.

O Partido da Causa Operária, os Comitês de Luta, os Coletivos de Mulheres, de Negros, da Juventude e a Corrente Nacional Sindical Causa Operária buscam, neste 1º de Maio, resgatar o caráter histórico dessa data como dia de luta da classe operária. Para isso, irão realizar o ato a partir das 11h, em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, com caminhada até a Praça da Sé. A mobilização terá caráter nacional, com caravanas de diversos estados para participar dessa data importantíssima da classe trabalhadora mundial.

A estruturação independente e pela base dos trabalhadores deve passar necessariamente pelo resgate de um programa que tenha como única orientação a defesa intransigente dos interesses da classe trabalhadora, tais como: reposição das perdas salariais; salário mínimo vital para atender às necessidades básicas de uma família de trabalhadores; estabilidade no emprego; jornada de trabalho de 35 horas semanais; não ao fim das aposentadorias; aposentadoria aos 30 anos de trabalho para os homens e 25 para as mulheres; estatização do sistema financeiro, dentre outras medidas. Além disso, deve ter caráter internacionalista, com a defesa da Palestina, Cuba, Venezuela, Rússia e da República Islâmica do Irã, povos que enfrentam a pressão dos Estados Unidos e de seus aliados.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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