Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (17) uma redução da participação dos Estados Unidos nas grandes manobras militares realizadas em conjunto com a Coreia do Sul.
O presidente norte-americano afirmou que os exercícios são caros e enviam um sinal hostil à Coreia do Norte.
Embora limitado, o gesto representa um recuo diante da política de pressão militar mantida pelos Estados Unidos na península coreana.
As manobras conjuntas mobilizam milhares de militares, aviões e equipamentos de guerra nas proximidades do território norte-coreano. Pyongyang denuncia há décadas esses exercícios como preparação para uma possível agressão.
A acusação não pode ser tratada como simples propaganda.
Os Estados Unidos mantêm dezenas de milhares de soldados estacionados permanentemente na Coreia do Sul e uma vasta estrutura militar no Pacífico. Foram também os responsáveis por uma guerra que destruiu grande parte da Coreia e matou milhões de pessoas.
A presença militar norte-americana continua, assim como os exercícios conjuntos. Trump não está desmontando o aparato imperialista na região.
A redução das manobras, contudo, demonstra que Washington precisa medir seus passos diante da Coreia do Norte.
Ao contrário de países indefesos que foram destruídos pelo imperialismo, Pyongyang construiu meios militares capazes de impor um custo enorme a qualquer agressão.
Essa capacidade altera completamente a relação de forças.
Os Estados Unidos podem ameaçar, sancionar e realizar exercícios militares, mas sabem que atacar a Coreia do Norte significaria enfrentar uma resposta que não poderiam controlar com facilidade.
O recuo de Trump não decorre de pacifismo. É consequência dessa relação de forças.


