O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, que foi pego de surpresa pela nova ameaça de tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Segundo Lula, o governo brasileiro não foi comunicado oficialmente antes da divulgação das novas medidas.
A ofensiva do governo Donald Trump pode elevar a sobretaxa sobre mercadorias brasileiras para 37,5%. Primeiro, os Estados Unidos divulgaram um relatório propondo tarifa de 25% contra produtos do Brasil. Depois, outro documento norte-americano propôs uma tarifa adicional de 12,5% contra 60 países, entre eles o Brasil, sob a acusação de falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado.
Lula afirmou que o Brasil “não pode aceitar” o tratamento dado pelos Estados Unidos. Segundo o presidente, a última conversa com Trump durou três horas. Na reunião, o governo brasileiro entregou aos norte-americanos os temas que queria discutir na relação bilateral.
O presidente relatou que houve divergência entre o ministro brasileiro e o ministro do Comércio dos Estados Unidos. Diante do impasse, Lula afirmou ter proposto a Trump um prazo de 30 dias para que os dois ministros chegassem a um entendimento.
Segundo Lula, esse prazo ainda não acabou. Por isso, o novo anúncio de tarifas foi recebido como uma surpresa pelo governo brasileiro.
“Não se concluiu nada. Por isso, a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil”, afirmou o presidente.
A ameaça norte-americana tem dois movimentos. O primeiro relatório, divulgado na segunda-feira (1º), acusou o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos. A resposta proposta foi uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras.
No dia seguinte, terça-feira (2), uma investigação norte-americana afirmou que 60 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Com isso, o governo norte-americano propôs uma tarifa adicional de 12,5%.
Somadas, as duas medidas levariam a sobretaxa para 37,5%, praticamente o mesmo patamar das tarifas próximas de 40% impostas no ano passado.
Lula também afirmou que entregou a Trump quatro documentos importantes sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos. Os textos tratavam de temas como combate a facções criminosas, exploração de terras raras e a guerra no Irã. As terras raras são fundamentais para a indústria de alta tecnologia, equipamentos militares, energia, telecomunicações e carros elétricos.
Durante a reunião ministerial, Lula também retomou as críticas ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem chamou de “latino-americano frustrado”.
Lula também criticou brasileiros que, segundo ele, estariam incentivando a ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil para atingir sua candidatura presidencial. Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, o presidente afirmou que pedir punição contra o próprio país para tentar derrotar um adversário eleitoral seria, em outro momento histórico, chamado de “traição da pátria”.
O presidente afirmou que pretende enviar uma nova carta a Donald Trump. Segundo ele, o Brasil quer paz e quer o fim dos conflitos armados.



