O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (23) que um acordo com a República Islâmica do Irã estava “em grande parte negociado” e que os detalhes devem ser anunciados em breve. Segundo o mandatário norte-americano, o entendimento inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.
A declaração foi feita em publicação nas redes sociais, após uma ligação com lideranças da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e outros países da região. Trump disse ter tratado de um “Memorando de Entendimento relativo à paz”.
“Um acordo foi em grande parte negociado, sujeito à finalização entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irã e os vários outros países listados”, afirmou o presidente norte-americano. “Os aspectos finais e os detalhes do acordo estão sendo discutidos neste momento e serão anunciados em breve.”
Segundo a emissora britânica BBC, o acordo também foi discutido por Trump em uma ligação com o primeiro-ministro do Estado de “Israel”, Benjamin Netaniahu. O presidente dos Estados Unidos não apresentou detalhes sobre os termos, mas afirmou que qualquer acerto impediria “absolutamente” o Irã de obter uma arma nuclear, acusação usada há décadas pelo imperialismo para justificar sanções, ameaças e agressões contra a República Islâmica.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã tratava o possível acordo com cautela. O porta-voz Esmail Baghaei dizia à televisão estatal iraniana que as posições de Estados Unidos e Irã haviam se aproximado na última semana, mas advertia que isso não significava acordo automático sobre os pontos centrais. Baghaei também acusava os norte-americanos de apresentarem “declarações contraditórias”.
O porta-voz iraniano afirmava que o Irã trabalhava em um memorando de entendimento “na forma de um marco, composto por 14 pontos”. Segundo ele, o documento estava em fase de finalização para permitir novas conversas em um prazo de 30 a 60 dias, até a assinatura de um acordo final.
As negociações ocorrem após a guerra de agressão iniciada em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e o regime de “Israel” lançaram ataques contra o Irã. As Forças Armadas iranianas responderam com cerca de 100 ondas de ataques contra alvos norte-americanos e sionistas na região.
A pressão militar iraniana também atingiu um ponto decisivo no Estreito de Ormuz. A passagem concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural. O cessar-fogo de abril ocorreu depois que o Irã utilizou seu controle sobre Ormuz para fechar de fato a hidrovia estratégica.
O Irã também passou a afirmar controle militar sobre a área do estreito, declarando que todo trânsito pela região exige coordenação e autorização da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico. Os Estados Unidos e seus aliados do Golfo rejeitam essa autoridade e orientam navios a não cumprir as regras iranianas.
Desde 13 de abril, os Estados Unidos mantêm um fracassado bloqueio contra portos iranianos, apresentado como resposta à fiscalização iraniana sobre o tráfego em Ormuz. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou no sábado que havia redirecionado 100 embarcações, desativado quatro e permitido a passagem de 26 navios de ajuda humanitária desde o início do bloqueio.
Na sexta-feira (22), órgãos de imprensa dos Estados Unidos citavam autoridades anônimas afirmando que o governo Trump preparava uma nova rodada de ataques militares, embora sem decisão final. No mesmo dia, Trump escreveu que não compareceria ao casamento de seu filho Donald Trump Jr. para permanecer em Washington “durante este importante período de tempo”.



