Um tribunal britânico condenou quatro ativistas da Ação Palestina (Palestine Action) como terroristas no Reino Unido, na sexta-feira (12). A decisão foi proferida no Tribunal da Coroa de Woolwich, em Londres, após condenações por dano criminal contra uma fábrica da Elbit Systems, empresa de armas ligada a “Israel”, e abriu um novo precedente no direito britânico, pois nenhum dos quatro havia sido acusado formalmente de crime de terrorismo.
Os condenados participaram de uma ação em 2024 contra uma fábrica da Elbit Systems perto de Bristol. Eles usaram uma van prisional desativada para arrombar o portão do local e destruíram computadores, drones e outros equipamentos, causando cerca de 1,2 milhão de libras em danos. Charlotte Head, Samuel Corner, Leona Kamio e Fatema Zainab Rajwani foram condenados por dano criminal; Corner também foi condenado por lesão corporal grave contra uma policial, atingida por uma marreta.
O juiz Johnson afirmou que havia uma “conexão terrorista” nos crimes porque os ativistas teriam buscado influenciar o governo do Reino Unido e promover uma causa política ou ideológica. Com esse entendimento, aplicou penas mais duras: Head e Kamio receberam seis anos de prisão, Rajwani foi condenada a cinco anos e oito meses, e Corner a oito anos e oito meses. A decisão transforma uma ação direta contra uma fábrica de armas em caso tratado nos marcos da legislação antiterrorista.
A Palestine Action foi colocada pelo governo britânico na lista de organizações proibidas em julho do ano passado. A decisão equiparou o grupo a organizações como Al Qaeda e Exército Republicano Irlandês (IRA), tornando crime demonstrar apoio público à organização. A proibição foi considerada ilegal pela Alta Corte de Londres em fevereiro, mas continua em vigor enquanto se aguarda decisão final.
Do lado de fora do tribunal, centenas de apoiadores da Palestine Action protestaram durante a leitura das sentenças. A polícia prendeu mais de 100 pessoas por portarem cartazes e sinais de apoio ao grupo. As prisões mostram que a repressão não se limitou aos quatro condenados, mas alcançou também manifestantes que se posicionaram contra a decisão e contra a criminalização da solidariedade à Palestina.
A sentença marca uma escalada na repressão britânica a ações pró-palestinas. Ao classificar como terrorista uma ação de dano material contra uma empresa de armas ligada a “Israel”, o Judiciário amplia o alcance da legislação antiterrorista sobre protestos políticos. O caso deve seguir como referência para novas disputas judiciais e políticas no Reino Unido, especialmente enquanto a proibição da Palestine Action ainda aguarda definição final.
Essa decisão mostra que a democracia burguesa não passa de uma farsa e serve de apoio ao regime fascista e genocida de “Israel”.





