Argentina

Trabalhadores organizam atos contra ajuste fiscal de Milei

Mobilizações reúnem setores industriais, docentes, trabalhadores da saúde, movimentos sociais, aposentados e correntes de esquerda contra medidas apresentadas pelo governo

Sindicatos e organizações sociais convocam manifestação contra o ajuste de Javier Milei, na Argentina, para esta quinta-feira (30), com o objetivo de barrar a reforma trabalhista, cortes de programas sociais e demissões. As mobilizações reúnem setores industriais, docentes, trabalhadores da saúde, movimentos sociais, aposentados e correntes de esquerda contra medidas apresentadas pelo governo como parte de sua política fiscal.

A TeleSur informou que, em 27 de fevereiro, mais de uma centena de sindicatos confirmou mobilização ao Congresso argentino contra a reforma trabalhista impulsionada pelo governo Milei. A manifestação ocorreu apesar de a Confederação Geral do Trabalho ter descartado uma nova greve geral naquele momento. Setores de base resolveram desconhecer a decisão da direção e convocaram uma jornada de protesto na Praça dos Dois Congressos, com paralisações parciais em ramos industriais, educativos e de transporte.

Entre as organizações citadas pela TeleSur estavam o Frente de Sindicatos Unidos, a União Operária Metalúrgica, a Federação Aceiteira, sindicatos do transporte agrupados na Confederação Argentina de Trabalhadores do Transporte, a Associação de Trabalhadores do Estado, as duas CTAs, trabalhadores do pneu, docentes universitários, organizações sociais e agrupamentos do sindicalismo combativo.

A repressão também foi registrada. Segundo a TeleSur, manifestantes realizaram bloqueios no centro de Buenos Aires e forças de segurança avançaram com gás pimenta e balas de borracha para dispersar pessoas que bloqueavam as avenidas 9 de Julho e Corrientes. Também houve corte na Rodovia Panamericana por trabalhadores da FATE, empresa de pneus cujo fechamento arbitrário provocou a demissão de mais de 900 trabalhadores, conforme a reportagem.

A reforma trabalhista é uma das principais frentes da política de destruição neoliberal de Milei. As medidas incluem ampliação da jornada de trabalho até 12 horas, fragmentação de férias, redução de indenizações e alteração do princípio de continuidade dos acordos coletivos, favorecendo pactos por empresa ou região em lugar de convenções setoriais.

Em março, a CGT anunciou que impugnaria a reforma trabalhista por meio de ações judiciais. De acordo com a TeleSur, a estratégia consistia em sustentar que o novo marco contrariava o princípio constitucional da progressividade e dificultava a organização e a mobilização sindical. A mesma reportagem registrou que a lei reduzia direitos de greve e atividade sindical ao ampliar a lista de setores considerados essenciais e ao classificar tomadas ou bloqueios de estabelecimentos como infrações muito graves.

As mobilizações também atingiram a política social do governo. Em 7 de abril, mais de 70 organizações realizaram protestos contra a eliminação do programa Volver al Trabajo, antigo Potenciar Trabajo. Os atos ocorreram em diversos pontos da Argentina, com concentração na estação Darío Santillán e Maximiliano Kosteki, no trem Roca, e cortes em Hipólito Yrigoyen e Díaz Vélez, impedindo a subida ao Puente Pueyrredón. A TeleSur informou que houve empurrões e gás contra manifestantes.

A União de Trabalhadores da Economia Popular participou dos cortes e denunciou que a eliminação do salário social complementar de 78 mil pesos afetava diretamente 900 mil trabalhadores da economia popular. As marchas se repetiram em pontos da província de Buenos Aires, como Mar del Plata, Bahía Blanca, San Nicolás, Pergamino e Rosário, além de províncias como Santa Cruz, Río Negro, Formosa, San Juan, Misiones, Córdoba, Mendoza, Salta, Santiago del Estero, Chaco, Entre Ríos, Corrientes, Jujuy, Tucumán, Catamarca, Terra do Fogo, Neuquén, Chubut e San Luis.

Outra frente de conflito apareceu na FATE. Em 15 de abril, a TeleSur informou que 920 trabalhadores da fabricante de pneus foram demitidos em meio à política de abertura de importações do governo Milei. Os empregados, organizados no Sindicato Único de Trabalhadores do Pneu Argentino, concentraram-se na Praça de Maio e receberam apoio de docentes, trabalhadores da saúde, organizações sociais, partidos de esquerda e centrais sindicais.

Os trabalhadores da FATE reivindicavam uma decisão judicial favorável que garantisse 3 bilhões de pesos para indenizações e salários atrasados por quatro meses. A TeleSur também registrou que os empregados mantinham a ocupação da planta havia mais de 50 dias e afirmavam que continuariam mobilizados até recuperar seus postos. O caso foi apresentado como parte de um quadro mais amplo de fechamento de fábricas no país.

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