São Paulo

Trabalhadores de tecnologia da informação iniciam estado de greve

Os trabalhadores do grupo Qintess decidiram decretar estado de greve durante assembleia promovida pelo sindicato

Os trabalhadores do grupo Qintess do estado de São Paulo decidiram decretar estado de greve durante assembleia promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo na noite de quinta-feira (23), em São Paulo. A decisão foi tomada com quase 80 por cento de votos favoráveis, diante de inúmeras irregularidades que vêm sendo denunciadas ao sindicato, como falta de pagamento de salários, atrasos no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, não pagamento de férias e descumprimento de outras obrigações legais. Há comprovações consistentes de atrasos no depósito do fundo de garantia, não pagamento de férias, atrasos no pagamento do vale-refeição e de verbas rescisórias, afetando diretamente a segurança financeira e a dignidade dos trabalhadores da empresa de tecnologia.

Ainda na manhã de quinta-feira, o sindicato teve uma reunião com representantes da Qintess, que fizeram propostas e responderam a questões levantadas pelos trabalhadores. Tais pontos foram apresentados pela diretora executiva do Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo, Priscila Sena, durante o encontro que reuniu centenas de funcionários do grupo, que optaram por rejeitar as propostas e rebateram os argumentos da empresa. Os trabalhadores consideraram que não foram oferecidas garantias suficientes nem respostas objetivas à gravidade do cenário.

Sobre os atrasos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, a Qintess afirmou que mantém um parcelamento junto à Caixa Econômica Federal até julho de 2025, mas reconheceu a existência de aproximadamente seis meses em aberto no período posterior. Como proposta, a empresa indicou a regularização dos depósitos a partir do próximo mês, com o pagamento adicional de uma parcela em atraso por mês, o que levaria até dez meses para a quitação integral da dívida. Os trabalhadores rejeitaram essa proposta por considerarem o prazo excessivamente longo e sem garantias concretas.

Em relação aos salários, a empresa admitiu atrasos nos últimos dois meses e afirmou que o pagamento referente a abril foi realizado integralmente na quinta-feira, além de se comprometer a normalizar os pagamentos a partir da próxima folha. Sobre o auxílio-refeição e alimentação, a Qintess reconheceu atrasos anteriores, embora alegue que a situação esteja atualmente regularizada, e acrescentou que manteria os pagamentos em dia daqui em diante. No caso das férias, a empresa reconheceu a existência de períodos vencidos sem pagamento e se comprometeu a regularizar a situação até o final de abril.

Quanto às rescisões em atraso, foi proposta a realização de parcelamentos homologados junto ao sindicato para os casos ainda não judicializados. Além disso, a empresa se comprometeu a pagar multas normativas decorrentes dos descumprimentos relacionados a salários, benefícios e férias, com previsão de inclusão desses valores na próxima folha de pagamento. Apesar das promessas, os trabalhadores apontaram inconsistências nos argumentos da empresa e o recorrente descumprimento de compromissos assumidos anteriormente.

Diante da decisão de deflagração de greve, o Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo publicará edital em jornal de grande circulação nos próximos dias, conforme determina a legislação vigente. A partir da publicação do edital, correrá o prazo legal de 72 horas para o início de fato do movimento paredista. O movimento grevista teve início a partir de mobilização dos próprios trabalhadores, e ao tomar conhecimento, o sindicato convocou a assembleia para discutir a possibilidade de paralisação, seguindo os ritos legais para a regularidade da greve.

O Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo reforçou o seu compromisso com os trabalhadores do grupo Qintess e com toda a categoria de tecnologia da informação em São Paulo para garantir o cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho e assegurar melhores condições laborais e de vida dos seus representados. A entidade orienta trabalhadores que tenham conhecimento de outras irregularidades praticadas pelas empresas do grupo a denunciarem por email ou através do canal de atendimento.

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