Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Trabalhadores da Caixa permanecem em greve e banco cede

O ataque dos banqueiros aos trabalhadores é sistemático: ano após ano a categoria vem sofrendo com a política reacionária

Após os bancários da Caixa Econômica Federal aprovarem a paralisação de suas atividades por tempo indeterminado, a partir de 10 de setembro, em resposta à recusa da direção do banco em atender às suas reivindicações, os banqueiros da Caixa acabaram recuando e cedendo em alguns pontos na mesa de negociação, diante da força do movimento grevista.

Os ataques dos banqueiros aos trabalhadores são sistemáticos. Ano após ano, a categoria vem sofrendo com a política reacionária de corte de direitos, arrocho salarial, demissões, terceirização, fechamento de agências e dependências administrativas, pressão para o cumprimento de metas etc.

Não suportando mais essa situação — que, no caso da Caixa Econômica, foi agravada pelo ataque ao plano de saúde, cujas parcelas já não cabiam no contracheque dos trabalhadores —, os bancários da Caixa partiram para cima dos patrões e decretaram greve por tempo indeterminado.

No início das negociações, a proposta do banco previa a elevação da participação da Caixa de 6,5% para 8% da folha de pagamento; a mudança do modelo de cobrança, com taxas de 2,30% a 4,10% sobre o salário-base do titular, de acordo com a faixa etária; a cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, também conforme a idade; a instituição de uma 13ª mensalidade anual; o reajuste do teto anual por grupo familiar de R$ 3.600 para R$ 4.000; e o aumento de R$ 75 para R$ 150 por consulta em pronto atendimento, cobrado fora do teto de coparticipação.

A proposta inicial do banco quebraria o pacto intergeracional, baseado em um modelo de solidariedade no qual todos pagam taxas iguais, independentemente da idade. Além disso, pesaria, e muito, no bolso dos trabalhadores com dependentes.

Depois de muitos dias de negociação com os patrões, a direção da Caixa bateu o pé e não quis rever nenhum dos itens reivindicados pelos trabalhadores. Também os ameaçou: caso suas propostas não fossem aceitas, ajuizaria o dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Como consequência, ficariam suspensos todos os direitos garantidos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), em razão das mudanças na ultratividade aprovadas durante o governo do golpista Michel Temer.

Diante das ameaças dos banqueiros, a burocracia do Comando Nacional de Negociação, dirigido pela Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), orientou suas bases sindicais a defenderem a proposta. Alegou que os trabalhadores correriam o risco de ficar sem direito algum em razão da ultratividade e que as decisões dos tribunais não costumam ser favoráveis à categoria. Ou seja, uma medida típica de legítimos pelegos.

Diante da radicalização do movimento, no entanto, os trabalhadores passaram por cima de suas direções sindicais, com pouquíssimas exceções — como o Sindicato dos Bancários de Brasília, que se posicionou contra a proposta —, rejeitaram nacionalmente as medidas dos banqueiros e aprovaram a greve por tempo indeterminado.

Sentindo o peso dessa radicalização, a direção da Caixa retomou as negociações e cedeu em vários pontos, o que demonstra o poder da mobilização dos trabalhadores.

A nova proposta aumenta a participação do banco no custeio para 9% da folha de pagamento; mantém a forma solidária de cobrança, eliminando a divisão por faixa etária; fixa em R$ 450 a taxa para todos os dependentes, independentemente da idade; estabelece o teto de coparticipação em R$ 4.000; reduz para R$ 90 o valor cobrado por consulta em pronto-socorro; e garante aos empregados admitidos após o concurso de 2018 a permanência no plano depois da aposentadoria.

A mobilização e a greve dos trabalhadores da Caixa não deixam dúvidas sobre o caminho a ser seguido para derrotar os patrões. As “novas” propostas da direção da Caixa ainda não atendem aos verdadeiros interesses dos bancários, que permanecerão com seus salários arrochados. Além disso, o déficit do plano voltará a ser descarregado sobre as costas dos funcionários da Caixa a partir de 2027.

O que os trabalhadores reivindicam, por meio das grandes mobilizações que ocorrem em todo o País, é o restabelecimento imediato do modelo de custeio 70/30, com 70% dos custos arcados pela Caixa e 30% pelos beneficiários; aumento real de 5%; mais contratações; combate à terceirização; fim das demissões e do fechamento de agências; fim das famigeradas reestruturações; ou seja, o cumprimento da pauta de reivindicações aprovada no congresso da categoria.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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