Os trabalhadores da Hyundai cruzaram os braços nesta sexta-feira (21) na primeira greve de um dia inteiro realizada na empresa em dez anos. A paralisação ocorreu depois que fracassaram as negociações entre o sindicato e a maior fabricante de automóveis da Coreia do Sul.
A estimativa sindical é de participação de cerca de 40 mil funcionários, incluindo trabalhadores dos escritórios.
A greve interrompeu a produção em fábricas espalhadas pelo País, entre elas as unidades de Ulsan, Jeonju e Asan.
O conflito vinha se aprofundando havia semanas. No mês passado, os trabalhadores já haviam realizado uma paralisação parcial durante três dias, sem conseguir chegar a um acordo com a direção.
O sindicato reivindica aumento de 50% nos bônus e ampliação em dois anos da idade de aposentadoria.
A Hyundai rejeitou as propostas, alegando que não poderia aceitá-las sem fundamento jurídico ou racional suficiente.
Os trabalhadores responderam com os números da própria montadora.
Segundo o sindicato, a Hyundai encerrou o ano passado com 101 trilhões de wones em lucros retidos, valor correspondente a aproximadamente US$73 bilhões.
Diante desse montante, os representantes dos funcionários rejeitam a alegação de que a elevação dos bônus seria excessiva.
A disputa ocorre num momento em que cresce a preocupação com a estabilidade dos empregos na indústria automobilística sul-coreana.
As montadoras vêm aumentando o uso da inteligência artificial e introduzindo novas tecnologias no processo de produção. Para milhares de funcionários, essas mudanças levantam dúvidas sobre quantos empregos serão preservados e quais serão as condições de trabalho nos próximos anos.
A reivindicação pela ampliação da idade de aposentadoria ganha importância justamente diante dessa insegurança.
A greve reúne empregados diretamente ligados às fábricas e funcionários administrativos, ampliando o impacto da mobilização sobre a empresa.
A Hyundai não enfrentava uma paralisação desse tipo havia uma década.
Esse longo intervalo torna mais significativo o fracasso das negociações atuais. Mesmo depois de uma paralisação parcial no mês anterior, a direção recusou as reivindicações e levou os trabalhadores a interromper a produção em escala nacional.
A enorme quantidade de dinheiro acumulada pela companhia tornou-se um dos principais argumentos do sindicato.
A empresa dispõe de dezenas de bilhões de dólares em lucros retidos, mas procura apresentar uma participação maior dos trabalhadores nesses resultados como uma reivindicação sem justificativa.
A paralisação expõe a contradição.
A Hyundai pode possuir fábricas gigantescas, máquinas modernas e bilhões em reservas. Nenhum automóvel, porém, sai da linha de montagem quando dezenas de milhares de trabalhadores decidem parar.
Depois de dez anos sem uma greve de um dia inteiro, os funcionários voltaram a utilizar justamente o instrumento que atinge diretamente os lucros da montadora: a suspensão da produção.





