Sonny Rollins morreu em sua residência em Woodstock, no estado de Nova York, na segunda-feira (25), aos 95 anos. O saxofonista, conhecido no mundo do Jazz, encerrou uma trajetória de mais de seis décadas, marcada por improvisação, discos clássicos e influência sobre as gerações seguintes do estilo musical.
Walter Theodore “Sonny” Rollins, chamado de “colosso do saxofone”, foi um dos últimos representantes vivos da geração que deu forma ao jazz moderno. A morte foi anunciada por seus canais oficiais e confirmada por sua assessoria. O artista ficou conhecido tanto pela força de seus solos quanto por seus períodos de recolhimento, usados para estudar, mudar de direção e recusar a acomodação artística.
Nascido no Harlem, em Nova York, em 1930, Rollins cresceu cercado por música. Ainda jovem, teve contato com nomes centrais da cena local e foi influenciado por Coleman Hawkins, Charlie Parker e Thelonious Monk. Aos 20 anos, já havia tocado com figuras de primeira grandeza. Sua carreira como líder ganhou força nos anos 1950, quando se consolidou como um improvisador de enorme potência sonora e imaginação melódica.
O álbum “Saxophone Colossus”, de 1956, ajudou a fixar sua imagem pública. Nele, Rollins deu novo peso ao saxofone tenor e apresentou composições que se tornaram referência, como “St. Thomas”, inspirada em sonoridades caribenhas ligadas à origem de sua família. Também compôs temas gravados por Miles Davis, como “Oleo” e “Airegin”, reforçando sua presença na base do repertório do jazz moderno.
Apesar do reconhecimento, Rollins foi um artista permanentemente insatisfeito consigo mesmo. No fim dos anos 1950, afastou-se dos palcos e passou a praticar no Williamsburg Bridge, em Nova York, onde tocava por longas horas para aperfeiçoar o som sem incomodar vizinhos. O período, que durou mais de dois anos, resultou no disco “The Bridge”, de 1962, marco de uma nova fase criativa.
Sua vida também foi atravessada por dificuldades. Rollins enfrentou dependência de heroína, foi preso em 1950 por roubo armado e depois voltou à prisão por violar condições de liberdade condicional. Mais tarde, afastou-se das drogas, adotou práticas como ioga e fez retiros na Índia e no Japão. Essa busca espiritual passou a influenciar sua visão sobre a música, tratada por ele como meio de expressão social, interior e coletiva.
Rollins gravou mais de 60 álbuns como líder, colaborou com nomes importantes do jazz e até participou de faixas do disco “Tattoo You”, dos Rolling Stones. Recebeu prêmios Grammy, incluindo reconhecimento pelo conjunto da obra, e a Medalha Nacional das Artes nos Estados Unidos. Problemas respiratórios limitaram suas apresentações nos últimos anos, e ele deixou os palcos na década de 2010.


