O Senado dos EUA aprovou, nesta terça-feira (23), uma resolução que determina ao presidente Donald Trump a retirada das forças norte-americanas do conflito contra o Irã. A medida foi aprovada por 50 votos a 48, com o apoio de quatro senadores republicanos, que se somaram aos democratas.
A resolução já havia sido aprovada pela Câmara dos Representantes no início do mês, por 215 votos a 208. Segundo a agência AP, a medida tem principalmente valor político, mas registra o aumento da oposição dentro do Congresso à política de Trump para o Irã e o Oriente Médio.
Esta foi a décima tentativa dos democratas de obrigar o governo Trump a encerrar a participação dos EUA nas hostilidades. Outras iniciativas semelhantes, inclusive uma apresentada na semana passada, não obtiveram apoio suficiente.
Após a votação, Gregory Meeks, principal democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, afirmou que o Congresso nunca autorizou a guerra.
“O Congresso nunca autorizou esta guerra fracassada, e o presidente certamente não tem autoridade para continuá-la indefinidamente sem o nosso consentimento, como exige a Constituição”, declarou Meeks.
A Casa Branca rejeitou a importância da votação. Um funcionário do governo disse à CNN que a resolução “não tem significado”, pois “não tem força de lei” e não será submetida à aprovação presidencial.
Trump também criticou a resolução. Em publicação na rede Truth Social, o presidente norte-americano classificou a medida como “mal cronometrada e sem sentido”.
“Esses senadores acabaram de tornar meu trabalho mais difícil, mas eu vou realizá-lo, de uma forma ou de outra, porque eu sempre realizo!”, escreveu Trump.
Negociações com o Irã
A votação ocorreu enquanto representantes dos EUA e do Irã continuam as discussões para implementar o memorando de entendimento assinado pelos dois países em 17 de junho.
A agressão imperialista começou em 28 de fevereiro, quando os EUA e “Israel” iniciaram uma campanha de bombardeios contra o Irã. A República Islâmica respondeu com mísseis e drones contra bases militares norte-americanas abrigadas em países árabes da região. O Irã também fechou o Estreito de Ormuz para a maior parte da navegação, medida que elevou o preço do petróleo.
A votação no Senado também ocorre em meio à rejeição da guerra entre a população norte-americana. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, apenas 24% dos norte-americanos consideram que o conflito valeu o custo. Apenas 23% afirmam que os EUA estão em posição mais forte agora do que antes do início dos combates.




