O secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, afirmou nesta segunda-feira (27) que o fim da guerra no Líbano depende de cinco exigências centrais: o fim da agressão israelense por terra, mar e ar; a retirada de “Israel” de todo o território libanês ocupado; a libertação de todos os detidos; o retorno dos deslocados a suas cidades e vilarejos; e a reconstrução do país.
Em pronunciamento dirigido à população ligada à resistência, Qassem afirmou que a ocupação israelense “não permanecerá em uma polegada de nossa terra ocupada” e que o povo libanês retornará a seu território. “Ó nosso povo, assim como resistimos juntos, reconstruiremos juntos”, declarou.
Segundo o dirigente do Hesbolá, qualquer solução para a situação atual no Líbano deve começar pelas cinco exigências apresentadas. Ele afirmou que o inimigo israelense, “apoiado pelo tirano norte-americano”, apostou na eliminação da Resistência Islâmica e de sua base popular, mas fracassou apesar de ter utilizado todos os meios à sua disposição.
Qassem lembrou que a ofensiva iniciada em 23 de setembro de 2024, denominada Batalha do Povo de Poder, foi seguida por uma nova aposta decisiva da entidade sionista em 2 de março de 2026. Segundo ele, os combatentes da resistência enfrentaram essa ofensiva na Batalha da Palha Devorada, surpreendendo “Israel”, seus aliados e outros países pela firmeza, coragem, disciplina de comando, táticas variadas e unidade popular, mesmo diante do deslocamento forçado e das perdas sofridas.
“Esta resistência é duradoura, poderosa e não pode ser derrotada”, afirmou.
O secretário-geral do Hesbolá criticou as autoridades libanesas por terem feito o que chamou de “concessão gratuita e humilhante”. Segundo ele, a iniciativa não era necessária e significou “submissão sem nenhum retorno”.
Qassem rejeitou categoricamente negociações diretas com “Israel”. Ele afirmou que essa conduta não serve ao Líbano nem às próprias autoridades libanesas. Segundo o dirigente, aquilo que o inimigo israelo-norte-americano exige não pertence às autoridades para ser entregue, e aquilo que elas procuram obter do inimigo não será concedido.
O dirigente afirmou que a atual direção do Estado libanês não pode seguir abrindo mão dos direitos do país, cedendo território e enfrentando seu próprio povo. Para Qassem, as autoridades devem voltar a governar como autoridade de toda a nação, e não de uma fração, respeitando o acordo de Taif e a Constituição libanesa.
Ele defendeu que o governo reverta seus “graves erros”, interrompa as conversas diretas com “Israel” e retome apenas negociações indiretas. Qassem também exigiu a anulação da decisão de 2 de março, que tratou como crime a resistência e seus apoiadores, que representam mais da metade da população libanesa.
O dirigente do Hesbolá afirmou que as armas da resistência têm caráter defensivo. Segundo ele, elas existem para repelir a agressão e não são a causa da agressão. Qassem afirmou que o objetivo real do ataque ficou claro: a ocupação do Líbano como parte do projeto da chamada “Grande Israel”.
Por esse motivo, afirmou, as armas da resistência continuam essenciais para a sobrevivência do país nesta etapa. Qassem resumiu a escolha colocada diante do Líbano como “libertação e dignidade, ou ocupação e humilhação”, acrescentando que a humilhação não é opção.
“Não entregaremos nossas armas”, declarou o secretário-geral do Hesbolá. Segundo ele, os acontecimentos no campo de batalha demonstraram a disposição da resistência para o sacrifício, que qualificou como “o preço da libertação e da vida digna”.
Qassem também criticou os defensores da rendição, afirmando que muitos deles não são atingidos diretamente pela agressão, mas buscam vantagens políticas sobre o sofrimento dos demais. Para o dirigente, essas forças aceitam “migalhas de poder e pequenos ganhos” enquanto parte do país permanece ocupada.
Ao tratar do cessar-fogo, Qassem atribuiu a interrupção temporária dos combates ao papel do Irã nas negociações realizadas em Islamabade, após o que chamou de “firmeza lendária” da resistência e do povo libanês. Ele afirmou que qualquer proposta de cessar-fogo deve ser examinada, mas que somente o Líbano pode negociar seus próprios termos.
O dirigente recordou ainda a “Quarta-feira Negra”, quando a ocupação israelense realizou 200 bombardeios contra Beirute e outras regiões do Líbano em apenas 10 minutos, assassinando mais de 300 civis e ferindo mais de 1.200 pessoas. “Israel” alegou que as autoridades libanesas não estavam cumprindo o cessar-fogo.
O episódio foi seguido por uma reunião direta entre autoridades libanesas e o inimigo em Washington, o que o secretário-geral do Hesbolá classificou como “um dia de desgraça”. Depois disso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que as autoridades libanesas haviam assinado um acordo, sem sequer convocar uma reunião interna.
Segundo Qassem, os termos do acordo impuseram um cessar-fogo unilateral ao Líbano, ao mesmo tempo em que deram liberdade para “Israel” continuar sua agressão. O documento também incluiu o reconhecimento, por ambos os governos, da necessidade de restringir as atividades da resistência e de outros grupos chamados de “rebeldes” pelos Estados Unidos e por “Israel”.
O secretário-geral do Hesbolá afirmou que as negociações diretas e seus resultados são “nulos e sem efeito” para a resistência e “não dizem respeito” ao partido. Ainda assim, disse esperar que as autoridades libanesas recuem dessa posição.
Qassem afirmou que a resistência continuará defendendo o Líbano e seu povo. Segundo ele, não haverá retorno à situação anterior a 2 de março. O dirigente declarou que o Hesbolá continuará respondendo à agressão israelense e enfrentando-a.
“Quaisquer que sejam as ameaças, não recuaremos, não nos curvaremos e não seremos derrotados”, afirmou.
Dirigindo-se a “Israel”, o secretário-geral declarou:
“Ameace como quiser. Os homens de Deus no campo não se curvarão.”
Qassem afirmou ainda a unidade com o Movimento Amal, com forças políticas nacionais e com personalidades de diferentes regiões e comunidades religiosas do Líbano. Ele declarou que a resistência não trairá o sangue de seus mártires, citando em primeiro lugar Hassan Nasseralá, além de Hachem Safieddine e de todos os combatentes assassinados, bem como os feridos, detidos e deslocados.
Ao tratar da capacidade da resistência, Qassem afirmou que ela não pode ser medida em meses ou anos. Segundo ele, essa capacidade se apoia em três elementos: fé, vontade e meios materiais. “Essa tríade não se esgota”, disse.
No mesmo dia do pronunciamento, a Resistência Islâmica no Líbano anunciou novas operações defensivas contra alvos israelenses, em resposta à continuidade da agressão e às violações do cessar-fogo.
Às 13h30, combatentes do Hesbolá atingiram uma escavadeira militar D9 israelense na cidade libanesa de Bint Jbeil com um VANT FPV, confirmando impacto direto. Às 14 horas, a resistência atingiu um tanque Merkava na localidade de Al-Qantara, também com um VANT FPV. Às 17h30, os combatentes atacaram dois agrupamentos de soldados israelenses em Al-Naqoura com dois VANTs de ataque, novamente com impactos confirmados.
A Resistência Islâmica também divulgou imagens de uma operação com VANT FPV contra um agrupamento de tropas israelenses. Após o primeiro ataque, o Hesbolá atingiu uma equipe de resgate que trabalhava na retirada dos soldados feridos.
O Canal 13, da entidade sionista, informou que a operação matou um soldado israelense e feriu outros seis. Segundo a imprensa israelense, o ataque ocorreu depois que um tanque da Brigada Golani quebrou no interior da cidade, levando tropas blindadas a se aproximarem para realizar reparos e retirar o veículo.
Quando os soldados chegaram ao local, um VANT explosivo atingiu a posição, matando um sargento e ferindo seis militares, quatro deles em estado grave. Os feridos foram levados de helicóptero ao hospital Rambam, em Haifa. Segundo números oficiais israelenses, o total de militares mortos desde 7 de outubro de 2023 chegou a 941.
A Resistência Islâmica no Líbano também publicou imagens de uma operação contra dois tanques Merkava na cidade de Mays al-Jabal, no sul do Líbano, utilizando VANTs FPV.


