Futebol brasileiro

Se jogasse hoje, Pelé comemoraria com dancinha no TikTok

A imprensa brasileira se especializou em atacar a Seleção pelas mesmas coisas que admite em outros times e seleções. É pura perseguição

Rei Pelé

A Seleção Brasileira de futebol é a que tem mais títulos e, seguramente, a que mais tem verdadeiras aves de agouro jornalísticas rondando sua cabeça. A bola de vez, existem inúmeras, é o artigo “O fiasco da seleção instagramável”, de Guilherme Fiuza, publicado no sítio Gazeta do Povo, nesta quarta-feira (8).

Fiuza inicia dizendo que “o Brasil foi desclassificado nas oitavas de final da Copa pela Noruega, mas não perdeu o brilho. Logo após o jogo, brilhavam nas entrevistas os brincos reluzentes dos nossos craques. Eles estavam impecáveis em seus penteados vistosos, prontos para voltar para casa — isto é, para a Europa.”

Será que apenas os jogadores brasileiros usam joias e capricham no penteado? É óbvio que não, e isso não passa de perseguição barata. E, se vão voltar para a Europa, é porque aquele mercado se interessou por eles, pois reconhece que jogam bem. Aliás, a seleção de Cabo tem 100% de seus jogadores atuando fora. A Argentina, dos 26 jogadores convocados, 24 atuam fora, o que equivale a 92,3%, mas, o problema é o Brasil…

Tentando parecer engraçado, o jornalista escreve que “como já havia declarado um deles, em desabafo sobre o calendário estafante, são trabalhadores que precisam ter suas férias respeitadas. Nesse sentido, pode-se dizer que a Noruega deu uma bela contribuição trabalhista para a seleção canarinho — ou “canary”, como ensinou uma funcionária do patrocinador, brasileira que também não mora no Brasil.”

Atletas de alto desempenho, por acaso, não têm uma rotina e calendário estafante? O futebol, graças ao estilo europeu, se tornou basicamente atletismo e isso fica visível no cansaço de todas as seleções nas paradas para hidratação ou no final das partidas.

Apesar de fazer o contrário, Fiuza diz “nada de caça às bruxas”. E completa dizendo que “os jogadores da seleção brasileira estão na deles — que não é a seleção brasileira. A deles é a vida abastada dos clubes europeus que os contrataram com salários polpudos. A seleção é uma espécie de passarela, uma aventura instagramável. Até meio exótica, comparada ao dia a dia dos campeonatos europeus — ali, sim, o lugar da labuta brava, onde os resultados condicionam diretamente o ganha-pão (e bota pão nisso).”

Com base em quê pode escrever que os jogadores não estão nem aí com a Seleção? Isso é completamente falso. A vida de todos os jogadores que atuam nas ligas principais da Europa, na Arábia Saudita, é abastada, e quem dita isso é o mercado. Simples.

Fiuza escreve que “ninguém pode ser considerado um analfabeto em futebol se tiver ouvido falar pela primeira vez de alguns jogadores da seleção só na Copa. São carreiras que não chegaram a ter destaque no futebol brasileiro, com a captura precoce pelos olheiros europeus.” No entanto, Lionel Messi, o queridinho da imprensa “brasileira”, nunca atuou na Argentina. Quanto a isso, nenhuma palavra.

Todo jogador de futebol sonha em jogar na Seleção, ainda assim, há quem diga que “a liga entre povo, seleção e jogadores tem hoje alguns intermediários decisivos — que estão mais na esfera de objetivos pessoais movidos a notoriedade digital e inserção estrangeira.” E, de novo, é preciso pontuar: qual jogador não tem redes sociais e não deseja ter milhões de seguidores? O próprio Fiuza não tem conta no Instagram? Claro que tem e deseja aumentar o quanto der o número de seguidores. Para os jogadores da Seleção, no entanto, é crime.

A má vontade com a Seleção é tão grande, que o articulista escreve o absurdo de que “Montar um time com jogadores que voltem a sentir como realização máxima a conquista de uma Copa do Mundo para o seu país talvez não seja mais viável hoje no Brasil.” Chega a ser inacreditável.

Fiuza alega que “o último a conseguir reconstituir esse espírito já em tempos de ‘europeização’ foi Luís Felipe Scolari em 2002. A chamada ‘Família Scolari’ era um colosso de vibração e entrega. Depois, o próprio Felipão foi vencido pelo espírito ‘seleção-passarela’ em 2014, redundando no chocante 7 x 1 para a Alemanha em pleno Brasil.”

Faltou dizer que o mesmo Scolari não teve vida fácil com a imprensa, que não deixou a Seleção respirar. Um jogador como o Fred, artilheiro do Brasileirão em 2012 e em edições posteriores, acostumado a balançar as redes, foi hostilizado pela imprensa e chegou a ser chamado de cone.

Neymar, o melhor jogador do mundo, sofreu uma grave lesão (fratura na terceira vértebra lombar) após levar uma joelhada nas costas do jogador colombiano Camilo Zúñiga, nos minutos finais da partida válida pelas quartas de final e saiu da Copa.

Vale lembrar que Neymar foi cassado em campo, mas os gloriosos comentaristas não se lembraram de protestar, preferiram chamar o jogador de “cai-cai”.

O resultado de 7×1 foi um acidente contra um time que não teve paz. Aliás, nos confrontos entre Brasil e Alemanha, os brasileiros estão com saldo de 10 gols. Ainda assim, a imprensa local sente prazer em espezinhar o time por conta desse resultado.

Finalizando seu texto, Fiuza escreve que “alvez os jogadores de hoje desejem retomar o espírito mágico da seleção mais vencedora do mundo, mas não saibam como. Normal. Pelé e Garrincha não tinham sobrenome — muito menos cabeleireiro. E, como diria João Saldanha, iam na bola como quem vai num prato de comida. Outros tempos.”

Exatamente, outros tempos. Se fosse hoje, Garrincha iria pular o muro da concentração e Pelé comemoraria seus gols com dancinha no TikTok.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.