Nada pior do que ter de ver as opiniões da esquerda pequeno-burguesa em relação à Seleção Brasileira e ao craque Neymar Jr. Por norma, são as mesmas opiniões da direita, da Globo, Folha de S. Paulo, ou algo parecido.
Obedecendo fielmente a esse critério temos o artigo “O mito do salvador messiânico naufragou novamente”, de Fábio Luis Barbosa dos Santos, publicado no sítio Jacobina nesta terça-feira (7).
O olho do texto diz: “Em um mundo cada vez mais sem futuro e um Brasil que precariza o trabalho e se evangeliza dentro e fora de campo, Neymar se tornou a bet encarnada: é a expectativa do milagre que nunca se realiza enquanto enriquece aproveitadores explorando pessoas incautas. ”. E fica a pergunta: o que isso tem a ver com futebol?
Acusar Neymar de ser a “bet encarnada”, além do mau gosto, ignora que praticamente todos os jogadores e jornais fazem propaganda para as casas de apostas.
Santos inicia seu texto criticando a atuação da Seleção contra a Noruega. Para sustentar suas posições, o autor diz que “em 5 de julho de 1982, a Seleção perdeu para a Itália dirigida por um técnico que dizia que futebol não era jogar bem ou vencer, mas jogar bem para vencer. 44 anos depois, jogamos mal para vencer, conduzidos por um técnico italiano. Entre uma derrota e outra, o futebol brasileiro se transfigurou.”
Acontece que não existe isso de “jogar bem para vencer”, não passa de uma frase feita. Os próprios noruegueses reconhecem que não tinham futebol para fazer o que fizeram, ficar trocando passes e rezar para sobrar uma bola. Caso não conseguissem, sonhavam em se classificar nos pênaltis.
A “transfiguração” do futebol brasileiro é fruto da pressão do mercado, pois esse é o esporte mais popular do mundo e atrai 41% de todos os patrocínios esportivos.
O fato de o Brasil ter perdido para a Itália é apenas um dado que, se aprofundado, mostra que existe uma infinidade de variáveis. Além disso, se for para falar em transfiguração, a Itália, que é tricampeã do mundo, há três copas não consegue se classificar. O futebol alemão, tido como favorito ao título, foi eliminado. Isso é do jogo.
Achismos
O trecho que diz que “as raízes do desastre contra a Noruega são profundas. Em 1982, a comunidade futebolista brasileira interpretou a “tragédia do Sarriá” como uma sentença: o futebol-arte não compensa.”, e que “dali em diante, enquanto o neoliberalismo ajustava sociedades, o futebol brasileiro também se ajustava. Em 1994, a Seleção foi campeã derrotando a Itália com um futebol defensivo. Foi uma espécie de identificação com o agressor que traumatizou”, não passa de achismo.
Se uma suposta tragédia influenciou nossa Seleção negativamente e culminou na derrota para a Noruega, por que aquela vitória não fez o futebol italiano decolar?
Afirmar que de 1994 para cá “nenhuma seleção sul-americana campeã do mundo, venceu uma europeia campeã em Copa nos noventa minutos. E o Brasil, foi eliminado sempre que enfrentou uma seleção europeia no mata-mata.” não diz nada, é uma curiosidade estatística, nada mais. Quantos jogos não foram manipulados? A eliminação do Brasil pela Bélgica em 2018 é um exemplo claro.
Pressão
Para o autor, “com os jogadores brasileiros migrando cada vez mais cedo para a Europa, com o tempo a contratação de um treinador europeu se impôs. Claro, o mister teve que jogar o jogo da CBF: fechou um contrato até 2030 mas convocou Neymar.” E qual técnico em sã consciência não convocaria o Neymar? De qualquer modo, a convocação de um técnico estrangeiro foi fruto de uma gigantesca campanha, que primeiro sabotou os técnicos brasileiros, e depois martelou noite e dia que era preciso um estrangeiro, apesar de o Brasil ter vencido suas Copas contando apenas com técnicos brasileiros.
Totalmente descolado da realidade, o autor diz que “sabemos que o Neymar imaginário desafia a razão esportiva. Em sua melhor forma, o jogador nunca resolveu uma partida decisiva de Copa.” Mas foi ele que marcou o gol contra a Croácia em 2022. Quem bobeou foi a defesa. E, se for para seguir essa lógica, quantas partidas decidiram Zico, Sócrates, Platini, etc.?
Perseguição irracional
A perseguição a Neymar atinge níveis patológicos quando alguém escreve que “Aquele que encarnava o Salvador, trouxe a destruição. Como num espelho do bolsonarismo, nosso messias de chuteira foi pura pulsão de morte.”
Logo se vê que a crítica não tem nada a ver com futebol. Futebol é um jogo coletivo, Neymar não pode ser considerado um salvador, apesar de ter talento para desequilibrar qualquer partida.
O brilhante articulista não percebeu que “Neymar deu um pontapé no meia norueguês (…) e bateu boca enquanto se escorriam os minutos finais” porque é experiente e queria ganhar uns minutos a mais para tentar empatar o jogo. Futebol também é catimba.
Finalmente, a crítica, além de ser induzida pela direita, se deve ao fato de Neymar ter expressado algum dia apoio a Jair Bolsonaro. Se ele tivesse apoiado Lula, essa esquerda estaria toda de bico calado, simples assim. Então, para extravasar esse ressentimento contra o jogador, aparecem até com conceitos psicanalíticos como o de “pulsão de morte”. Será que essa gente já jogou futebol algum dia na vida?
Munido de um moralismo barato, Santos diz que o “desfecho escatológico não dissipou a vergonha em campo, mas a escancarou”, prova de que não entendeu o que estava acontecendo. E, por fala em cereja do bolo, Santos cita Casagrande, um dos mais fervorosos sabotadores da Seleção e defensor de Ancelotti como técnico.
Para variar, o articulista é mais um dos profetizam o fim do futebol. E, como é fácil explicar tudo depois que o jogo acaba, diz que “partindo de um diagnóstico severo das limitações do plantel brasileiro, Ancelotti amarrou o time a elas, em lugar de tentar arrancar dele o seu melhor.”
No fina do texto, como é costume da esquerda pequeno-burguesa defender os interesses da Rede Globo, o articulista escreve que “o encantamento do futebol brasileiro sobrevive pelas brechas. Mas também é atiçado como ilusão interessada por quem ganha dinheiro com isso, como o ufanismo embalado pelas bets da CazéTV.”
Talvez ele não saiba, mas o brasileiro é apaixonado por futebol. O país parou para assistir aos jogos da Seleção. Enquanto a maioria da esquerda se dedica a nos sabotar ou torcer pela Argentina.




