A Rússia continuará apoiando os países do Sael no combate aos grupos armados que atuam na região, afirmou nesta terça-feira (14) o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.
Segundo o chanceler, o governo russo pretende auxiliar no fortalecimento das Forças Armadas nacionais, no treinamento de militares e agentes de segurança e no fornecimento de ajuda humanitária aos países africanos.
Lavrov fez as declarações durante uma reunião com o ministro das Relações Exteriores do Chade, Abdoulaye Sabre Fadoul. Os dois discutiram a situação na região do Saara e do Sael, além da cooperação com a Aliança dos Estados do Sael (AES), formada por Mali, Burquina Fasso e Níger.
“Pretendemos prestar assistência aos países da região de forma bilateral, inclusive aumentando a capacidade de combate das Forças Armadas nacionais e treinando militares e agentes responsáveis pela aplicação da lei”, declarou Lavrov.
O ministro russo afirmou que a Rússia e seus parceiros africanos estão preocupados com a expansão de grupos ligados ao Estado Islâmico e ao Boko Haram.
Há mais de uma década, diferentes grupos armados realizam ataques no Mali, em Burkina Fasso, no Níger, no Chade e em outros países da região. Entre elas estão organizações ligadas ao Estado Islâmico, à Al Qaeda e ao Boko Haram.
O Chade ocupa uma posição importante nos combates em torno do Lago Chade, onde atuam o Boko Haram e o chamado Estado Islâmico na África Ocidental.
Em maio, pelo menos 23 soldados chadianos morreram durante um ataque contra um posto militar na região. Em 2021, o então presidente do país, Idriss Déby Itno, morreu enquanto visitava tropas que combatiam forças rebeldes no norte do território chadiano.
Fadoul agradeceu à Rússia pelo auxílio oferecido aos países do Sael. Segundo ele, o governo do Chade reconhece especialmente o apoio russo aos integrantes da AES. Durante a reunião, Lavrov acusou antigas potências coloniais de tentarem prejudicar a aproximação entre a Rússia e os países africanos.
Segundo o ministro, mercenários e agentes ucranianos atuam junto a grupos armados em operações destinadas a enfraquecer governos que romperam com a influência das antigas metrópoles europeias.
“Onde quer que os ucranianos enxerguem uma oportunidade de prejudicar aquilo que consideram ser os interesses da Federação Russa, eles se aliam a qualquer um, inclusive a grupos africanos que procuram derrubar governos legítimos”, afirmou Lavrov.
A acusação ocorre em meio à retirada das tropas francesas de vários países do Sael. Mali, Burquina Fasso e Níger romperam acordos militares com a França e passaram a ampliar suas relações políticas e militares com a Rússia.
Os governos dos três países também criaram a Aliança dos Estados do Sael, inicialmente como um acordo de defesa conjunta. Posteriormente, a organização foi transformada em uma confederação e passou a ampliar sua cooperação econômica e diplomática.
A França manteve durante décadas uma forte presença militar em suas antigas colônias africanas, alegando combater grupos armados. Apesar das operações francesas, essas organizações ampliaram sua área de atuação e intensificaram os ataques contra soldados e populações locais.
Além da questão militar, os ministros discutiram projetos nas áreas de comércio, energia, exploração geológica, produção de fertilizantes e saúde.
A Rússia anunciou que elevará de 300 para 360 o número anual de bolsas de estudo destinadas a estudantes do Chade.
Fadoul afirmou que seu país pretende aprofundar a cooperação “histórica e duradoura” com a Rússia. Segundo o ministro chadiano, as relações entre os dois governos se apoiam na confiança, no respeito mútuo e nos interesses comuns.
Rússia e Chade também deverão assinar um acordo que dispensa de visto os portadores de passaportes diplomáticos e de serviço.





