Oriente Médio

‘Aeroporto por aeroporto’: Iêmen responde agressões sauditas à altura

Após bombardeio contra o Aeroporto Internacional de Sanaá, Forças Armadas iemenitas atacaram Abha e anunciaram a fórmula “aeroporto por aeroporto e cerco por cerco”

O governo do Iêmen voltou a responsabilizar a Arábia Saudita pela nova escalada militar, após aviões sauditas bombardearem o Aeroporto Internacional de Saná e deixarem sua pista e área de circulação fora de serviço. Em resposta, as Forças Armadas iemenitas atacaram o Aeroporto Internacional de Abha, no sul do território saudita, com mísseis balísticos e veículos aéreos não tripulados (VANTs).

Abdallah Sabri, subsecretário do Ministério das Relações Exteriores do governo iemenita para Assuntos Políticos, afirmou que a Arábia Saudita “disparou o último tiro contra a fase de ‘nem guerra, nem paz’”. Segundo ele, o governo saudita deve ser responsabilizado pelas consequências da agressão.

O período de relativa suspensão dos combates, sem um acordo definitivo, prolongava-se há anos. Sabri acusou a Arábia Saudita de adiar repetidamente os compromissos relacionados ao povo iemenita e à solução política da guerra, enquanto respondia às medidas adotadas pelo Iêmen com novas operações militares.

O dirigente declarou que a atual resposta iemenita não se limita à reabertura do Aeroporto Internacional de Saná. O objetivo anunciado pelo governo é encerrar completamente a guerra e levantar o cerco terrestre, marítimo e aéreo imposto ao país.

“O primeiro passo para romper o cerco ao Aeroporto Internacional de Sanaá já começou e não será o último”, afirmou Sabri. Segundo ele, o bloqueio será rompido por meios militares ou por uma solução política, cabendo agora à Arábia Saudita decidir qual caminho seguirá.

As Forças Armadas iemenitas advertiram as companhias aéreas contra a utilização do espaço aéreo saudita enquanto o cerco ao Aeroporto Internacional de Saná permanecer em vigor.

Em comunicado divulgado por seus canais militares, as forças anunciaram a aplicação da fórmula “aeroporto por aeroporto e cerco por cerco”. As empresas foram orientadas a levar seriamente em consideração o alerta diante da possibilidade de novas operações contra instalações aeroportuárias sauditas.

O ataque contra Abha foi apresentado como resposta direta ao bombardeio saudita contra Saná. O porta-voz das Forças Armadas iemenitas, brigadeiro-general Iahia Saré, afirmou que a operação com mísseis e VANTs atingiu seus objetivos.

Representantes do governo iemenita também advertiram que, caso a Arábia Saudita retome abertamente a guerra, o alcance das operações será ampliado para o interior do território saudita. A mesma medida aplicada contra Abha poderá ser estendida a outros aeroportos.

O bombardeio saudita contra Saná ocorreu na segunda-feira (13). Segundo as autoridades iemenitas, a operação tinha como objetivo impedir o pouso de uma aeronave civil iraniana da companhia Mahan Air.

O avião transportava a delegação iemenita que participou das cerimônias fúnebres do Líder da Revolução Islâmica, o mártir Aiatolá Saied Ali Khamenei. Apesar dos ataques contra Saná, a aeronave pousou no Aeroporto de Hodeidá.

Após o bombardeio, os canais militares iemenitas divulgaram um vídeo intitulado A resposta está chegando, no qual apresentaram as coordenadas de aeroportos, portos e instalações petrolíferas da Arábia Saudita.

Entre os locais indicados estavam os aeroportos internacionais Rei Khalid, em Riade; Rei Abdulaziz, em Jedá; e Rei Fahd, em Damã. Também foram identificados o Porto de Jizã, o Porto Islâmico de Jedá, o Porto Industrial Rei Fahd e o complexo petrolífero de Ras Tanura.

As instalações abrangem a capital saudita, o litoral do mar Vermelho e a Província Oriental, principal região produtora de petróleo do país. Os aeroportos de Jedá e Damã estão entre os maiores centros de aviação civil e comercial da Arábia Saudita, enquanto Ras Tanura ocupa uma posição central nas exportações petrolíferas sauditas.

O vídeo não afirmou que todos os locais indicados serão necessariamente atacados. A divulgação, porém, advertiu que a Arábia Saudita não poderá bombardear a infraestrutura civil iemenita e, ao mesmo tempo, manter seus principais centros econômicos e militares fora do alcance dos mísseis e drones do Iêmen.

Segundo o correspondente da emissora libanesa Al Mayadeen no país, as Forças Armadas iemenitas conservaram a iniciativa militar nas diferentes frentes abertas contra elas. O governo exige que o cerco seja levantado e que os acordos anteriormente assumidos sejam cumpridos.

Apesar da resposta militar, Abdallah Sabri afirmou que permanece aberta a possibilidade de negociações políticas. O governo iemenita exige, no entanto, um acordo abrangente que assegure os direitos do povo e não restabeleça a paralisação existente durante o período de “nem guerra, nem paz”.

O enviado especial das Nações Unidas para o Iêmen, Hans Grundberg, realizou reuniões em Mascate com dirigentes do governo de Omã e com o principal negociador do Ansar Alá, Mohammed Abdul Salam.

Grundberg declarou que as conversações trataram da necessidade de uma redução imediata dos combates. Também defendeu negociações sob a direção da Organização das Nações Unidas para discutir medidas imediatas e um acordo de longo prazo.

Em carta enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à presidência rotativa do Conselho de Segurança, o representante permanente do Irã na organização, Amir Saeid Iravani, rejeitou a acusação de que o Ansar Alá atua sob ordens iranianas.

“A alegação de que o Ansar Alá age em nome do Irã é completamente infundada”, declarou Iravani. O diplomata afirmou que o partido representa uma parcela importante do povo iemenita e adota suas decisões de forma independente, de acordo com os interesses nacionais do Iêmen.

Iravani classificou as acusações dos Estados Unidos como politicamente motivadas e desprovidas de provas. Também acusou o governo norte-americano de violar o Memorando de Entendimento de Islamabade e de recusar o cumprimento das obrigações assumidas no acordo.

O memorando, assinado em junho, previa a interrupção dos combates entre o Irã e os Estados Unidos. As operações militares foram retomadas após os Estados Unidos iniciarem uma ofensiva naval para tentar retirar do Irã o controle sobre o Estreito de Ormuz.

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