Neste sábado (16), durante a Análise Política da Semana, transmitida pela Causa Operária TV, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, respondeu às acusações feitas pelo jornalista Alex Solnik, do Brasil 247, contra seu Partido e contra a publicação de O Espinho e o Cravo, romance escrito por Iahia Sinuar.
Solnik publicou em sua página no Facebook uma nota intitulada PCO lança o Mein Kampf Palestino, na qual comparou o livro de Sinuar ao texto de Adolf Hitler e acusou o PCO de “proselitismo antissemita”. Para Rui Costa Pimenta, a comparação é uma peça de propaganda sionista contra a luta do povo palestino.
“Ele considera que um povo oprimido, um povo que foi despojado das suas casas, que foi despojado da sua terra, que vive sem cidadania dentro do seu próprio país, é o equivalente da Alemanha nazista, que ocupou quase toda a Europa na década de 1930”, afirmou Pimenta.
O dirigente do PCO destacou que a acusação de “antissemitismo” é uma calúnia usada para criminalizar a defesa da Palestina. “Quer dizer, ele nos calunia, porque é uma calúnia, porque o antissemitismo no Brasil, apesar de nós não sermos favoráveis a isso, é crime”, disse.
Segundo Pimenta, Solnik inverte completamente o sentido histórico dos acontecimentos ao comparar a ação da resistência palestina no dia 7 de outubro de 2023 ao Holocausto. Para ele, trata-se de equiparar o levante de um povo submetido à ocupação militar a uma política de extermínio conduzida por um Estado opressor.
“Quer dizer, o levante de uma população oprimida que está lá numa prisão a céu aberto, que se levanta contra os opressores, é igual ao Holocausto, que foi a ação de um Estado opressor contra uma minoria, que eram os judeus na época”, declarou.
O presidente do PCO também rebateu a tentativa de apresentar O Espinho e o Cravo como propaganda nazista. Para ele, a caracterização feita por Solnik não corresponde ao conteúdo do livro, mas sim à tentativa de impedir que as pessoas conheçam a obra e a história da população palestina sob ocupação.
“Isso aqui é uma falsificação grotesca, já não vou dizer das críticas ao PCO, mas do livro”, disse. “É uma tentativa tipicamente sionista de fazer com que as pessoas que não leram o livro fiquem impressionadas e não leiam o livro.”
Em seguida, Rui Pimenta declarou:
“O livro não tem nada de Mein Kampf. É absurdo. O livro é um romance onde o autor do romance conta a história dos palestinos.”
Durante a análise, o presidente do PCO explicou que o romance mostra a vida cotidiana de uma família palestina em Gaza. A obra descreve a miséria imposta aos refugiados, a dependência da ajuda humanitária, a humilhação de crianças que precisavam buscar comida em postos das Nações Unidas e a repressão militar sofrida pela população depois da ocupação sionista da Faixa de Gaza em 1967.
Segundo Pimenta, o livro apresenta a realidade de um povo submetido ao toque de recolher, às patrulhas militares, às prisões e à tortura. Nada disso, afirmou, tem relação com o nazismo; trata-se, ao contrário, da denúncia de uma ocupação colonial.
“O que o livro descreve não é nada parecido com o que a Alemanha nazista fez com os judeus”, afirmou. “O que o livro descreve é o sofrimento, sofrimento intenso de um povo brutalmente oprimido por uma ditadura militar, que é a ditadura sionista, uma ditadura de caráter fascista.”
O pré-candidato também comentou a crítica feita por Solnik ao fato de que, no livro, crianças palestinas brincavam de árabes contra judeus. Para o dirigente do PCO, Solnik tenta transformar em escândalo aquilo que é apenas o retrato da vida de uma população sob ocupação estrangeira.
“Agora, o que o livro está retratando é uma realidade, é uma coisa que acontecia, e eu imagino que até hoje acontece”, disse ele. “Se aqui no Brasil nós estivéssemos sob ocupação militar de um outro país, brincar de brasileiros contra ocupantes seria o menor dos problemas. Ninguém é obrigado a tolerar uma ocupação criminosa do seu próprio país.”
Para Rui Costa Pimenta, Solnik deveria, em vez de caluniar a resistência palestina, explicar a legitimidade da ocupação de Gaza e da Cisjordânia pelo Estado de “Israel”. O dirigente ressaltou que, mesmo do ponto de vista da propaganda sionista, não há justificativa para a ocupação militar dessas regiões e para a opressão permanente contra o povo palestino.
“Por que eles ocuparam Gaza? Por que eles ocuparam a Cisjordânia? Qual é a legitimidade dessa ocupação militar?”, questionou.
O dirigente revolucionário ainda diferenciou a defesa legítima da população judaica contra ataques antissemitas da defesa política do sionismo e dos crimes cometidos contra os palestinos. Segundo ele, defender sinagogas e judeus contra ataques da extrema direita é algo democrático; defender a opressão do povo palestino, não.
“Agora, defender o que acontece na Palestina, isso não é uma coisa democrática. E mais: não só não é democrático, como não é uma coisa honesta”, afirmou.
Para o presidente do PCO, a nota de Solnik recorre à mentira porque tenta defender uma política indefensável.
“Porque ninguém pode alegar que não sabe o que está acontecendo na Palestina. O cidadão que escreveu essa nota aqui sabe muito bem o que está acontecendo na Palestina”, disse. “Quando você vai defender alguma coisa que é indefensável, é necessária a falsificação, a mentira. E a nota dele é uma completa falsificação. É pura propaganda sionista contra os palestinos”, concluiu.
Ao final, Rui Pimenta lembrou que o PCO já desafiou Solnik a debater publicamente suas acusações contra o partido e contra o livro de Iahia Sinuar. O dirigente propôs que o jornalista explique, diante do público, qual seria a relação entre o romance palestino e o texto de Hitler.





