Análise Internacional

Rui Pimenta: rebelião na Bolívia é primeiro sinal de crise de onda neoliberal

Ao lado do Comandante Robinson Farinazzo, pré-candidato à Presidência da República comentou temas na América Latina, nos Estados Unidos e no Oriente Próximo

Na edição desta quinta-feira (21), o programa Análise Internacional — produzido pelo Diário Causa Operária em parceria com o canal Arte da Guerra — marcou o retorno do Comandante Robinson Farinazzo à bancada, após algumas semanas de ausência. Apresentado por Henrique Simonard e Victor Assis, o programa contou com as análises de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República. 

O programa iniciou debatendo o indiciamento criminal de Raúl Castro, de 94 anos, pelo governo norte-americano, utilizando como pretexto o abate de duas aeronaves civis exiladas que violaram o espaço aéreo cubano em 1996.

Rui Costa Pimenta traçou um paralelo direto com o cerco aplicado contra a Venezuela:

“Eles fizeram a mesma coisa com o Nicolás Maduro, acusado de tráfico de drogas para servir de pretexto para a agressão contra a Venezuela. Estamos diante do mesmo quadro. Entre o bloqueio e a ocupação, um número muito grande de medidas agressivas pode ser tomado. Está na hora de toda a esquerda se mobilizar no Brasil e pressionar o governo brasileiro a agir para que não aconteça o pior.”

Indagado sobre possíveis operações dos Estados Unidos para prender lideranças na ilha, Pimenta destacou a alta eficiência do Estado cubano, ressaltando que o serviço de informação e a segurança do país são institucionalmente superiores e mais organizados para evitar os descuidos vistos em outras nações da região.

Na Colômbia, a aproximação das eleições presidenciais motivou uma trégua curta por parte das dissidências das FARC, lideradas por Néstor Gregório Vera. Pimenta caracterizou o recuo como um apoio estratégico voltado a proteger a candidatura de Gustavo Petro contra provocações da direita tradicional, historicamente repressiva.

No Oriente Próximo, a recusa do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em permitir a saída de urânio enriquecido do país frustrou a pressão feita pelo governo norte-americano. O comandante Robinson Farinazzo trouxe dados sobre a crise institucional nos EUA, onde o Senado aprovou o travamento das verbas de guerra de Donald Trump por estourar o tempo regulamentar:

“O Trump ainda tem maioria na Câmara e pode brecar isso, mas não é um bom sinal para o seu governo. Além disso, relatórios da inteligência militar indicam que o Irã se rearmou massivamente, adquirindo capacidade real de romper as defesas aéreas americanas. Dificilmente o Irã vai ceder. O Oriente Médio está completamente redesenhado.”

Rui Costa Pimenta corroborou, apontando que a retórica da Casa Branca sobre o urânio virou folclore de propaganda para justificar um conflito que a própria burguesia norte-americana já rejeita por considerá-lo uma armadilha militar.

Sobre a Palestina, Rui Pimenta comentou a 8ª Conferência do Fatá, que elegeu um novo Comitê Central e um novo Conselho Revolucionário, em um processo marcado por uma profunda crise. Simonard detalhou os indícios de controle burocrático e nepotismo na apuração, destacando que o resultado levou dois dias para ser divulgado e incluiu o filho de Mahmoud Abbas, Yasser Abbas, além de três membros do aparato burocrático da Autoridade Palestina. Por outro lado, a votação consagrou Maruã Barguti — líder histórico preso por “Israel” desde 2002 — como o mais votado para o Comitê Central, evidenciando o interesse das bases por uma postura de enfrentamento.

Rui Costa Pimenta analisou que a atual hegemonia da cúpula do partido é frágil e amplamente rejeitada pelas massas:

“A dominação do Mahmoud Abbas sobre a Autoridade Palestina e sobre o Fatá, na minha opinião, é uma dominação totalmente artificial. A popularidade dele é mínima; ele é uma pessoa que é vista como um colaborador do sionismo. O fato de que Barguti tenha sido novamente eleito estando na prisão é uma coisa alentadora”.”

Pimenta sugeriu que a forte pressão interna pode ruir a atual estrutura:

“Poderia acontecer de, por dentro da organização, se destruir o controle da ala direita e haver uma revolução por dentro do Fatá”.

O bloco principal analisou a crise na Bolívia, onde Evo Morales denunciou um plano governamental para assassiná-lo após o cerco militar promovido pelo governo de Rodrigo Paz e as subsequentes revoltas populares em La Paz. Rui Costa Pimenta apontou o cenário como a falência prática da política neoliberal radical na América Latina:

“O que está acontecendo confirma que o processo eleitoral anterior foi um golpe articulado pela direita com a conivência do próprio governo da época para barrar a candidatura de Evo Morales. Agora, vemos que a estabilidade era artificial porque o povo está em pé de guerra. É o primeiro sinal importante da crise da política neoliberal radical no continente, algo que também tensiona as realidades de Chile e Argentina.”

Contestando análises da esquerda pequeno-burguesa sectária, a exemplo do Partido Operário Revolucionário (POR), que minimizam a importância da liderança de Morales, Pimenta comparou o fenômeno boliviano ao papel político de Lula no Brasil, destacando que a perseguição judicial regenerou a popularidade do líder indígena perante as massas camponesas.

Assista ao programa Análise Internacional na íntegra:

 

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