Pré-candidato a presidente

Rui Pimenta: PT se tornou principal defensor da censura na Internet

Presidente nacional do PCO discutiu temas que vão desde a liberdade de expressão à rebelião na Bolívia contra a política neoliberal

No último sábado (23), o programa Análise Política da Semana, transmitido ao vivo pela Causa Operária TV (COTV), teve início com a discussão da situação do influenciador digital Bruno Aiub “Monark”, cuja conta nas redes sociais foi cancelada e o processo reaberto pelo Ministério Público após o arquivamento inicial. Para o Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, o caso é um exemplo clássico de “perseguição política” movido pelo “sionismo brasileiro” e pelo imperialismo. Ele defendeu que discutir a legalidade de um partido não é crime de opinião:

“Eu posso dizer que eu seria favorável que existisse um partido X, mas eu não preciso concordar com a ideologia desse partido.”

Em seguida, o presidente do PCO fez duras críticas ao decreto assinado pelo governo Lula no dia 20 de maio, voltado à proteção de mulheres nas plataformas digitais. Segundo ele, o argumento da proteção é apenas uma “isca para você morder o anzol” e aceitar um mecanismo de censura prévia que permite a remoção de conteúdos em até duas horas sem ordem judicial. O dirigente afirmou que, sob o pretexto de combater o terrorismo e atos antidemocráticos, a lei dá poder de polícia às plataformas norte-americanas para calar críticas legítimas.

Rui Pimenta apontou uma contradição profunda no governo do PT, afirmando que o partido se transformou no “principal defensor dessa política” de cerceamento da Internet, que na verdade vem do imperialismo mundial. Ele rebateu o argumento de que a lei serve para regulamentar as grandes empresas, cravando que o decreto funciona para “cercear os usuários das redes sociais” e dar um caráter judicial privado para as plataformas, algo que classificou como “digno de uma ditadura”.

A transmissão denunciou a apreensão de mais de 400 ativistas internacionais da Flotilha da Liberdade pelo governo israelense, trazendo relatos de tortura e espancamentos. De acordo com Pimenta, a Internet foi o único meio que permitiu que esses crimes e a “ditadura monstruosa” sofrida pelos palestinos chegassem ao conhecimento do público global. Ele criticou o fato de que, enquanto milhões na Europa saem às ruas contra o sionismo, ativistas pró-Palestina continuam sendo enquadrados na lei de racismo pelas autoridades estatais no Brasil.

A situação na Bolívia foi apresentada como o “caminho para o Brasil”. Com apenas seis meses de governo, o neoliberal Rodrigo Paz enfrenta uma greve geral e grandes levantes camponeses. O programa explicou que essa rápida reação popular foi preparada pela campanha de “voto nulo” liderada por Evo Morales nas eleições fraudulentas passadas, o que retirou a legitimidade institucional do novo governo desde o primeiro dia.

Comparando com a experiência boliviana, Rui Costa Pimenta criticou a estratégia histórica da esquerda brasileira liderada pelo PT. Ele argumentou que, em 2018, ao aceitar a exclusão ilegal de Lula e lançar Fernando Haddad, o PT deu um “ar de normalidade” a uma eleição fraudulenta, o que acabou colaborando para a vitória da extrema direita. O presidente do PCO sentenciou que a via eleitoral e institucional pura é um “beco sem saída” e que a vitória de alianças amplas apenas amarra as mãos do governo para aplicar a política neoliberal.

Ao analisar o vazamento dos áudios de Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, Rui Pimenta observou que a ampla divulgação do escândalo pela imprensa burguesa buscava inflar uma candidatura de “terceira via”. Contudo, as pesquisas do Datafolha mostrando a resistência da extrema-direita provam que o bolsonarismo não é um fenômeno superestrutural passageiro como foi o PSDB, mas sim um movimento com bases sólidas nas igrejas, no aparato policial e na classe média conservadora, que exige uma “dura luta política” e ideológica para ser desfeito.

O programa comentou o racha interno no partido Democracia Cristã (DC), onde o presidente da legenda “puxou o tapete” da pré-candidatura de Aldo Rebelo para tentar lançar o ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). Relembrando o papel de Barbosa no julgamento do Mensalão em 2012, Pimenta o descreveu como um “militante antipetista” que abriu caminho para o “vale-tudo jurídico” e para o golpe de 2016.

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