Na noite desta segunda-feira (11), o pré-candidato à presidência da República pelo Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, participou de uma longa sabatina no canal Redcast. Sob a condução de Júnior Masters, o programa contou com a participação do folclórico Renato Trezoitão, influenciador da extrema direita brasileira.
“Hoje é dia de sabatina. Vamos dar continuidade à série de conversas com os presidenciáveis rumo à Brasília”, anunciou Júnior Masters na abertura. Renato Trezoitão, participando diretamente do Paraguai, iniciou afirmando que Rui Costa Pimenta é um dos poucos políticos com coragem para dizer o que pensa.
Ao ser questionado sobre suas origens, Pimenta relembrou que o grupo político que deu origem ao PCO nasceu ainda em 1978, durante a ditadura militar. “Nós fomos um grupo que participou logo no começo do PT”, explicou o pré-candidato, mencionando que a fundação oficial do PCO ocorreu apenas em 1996, após serem expulsos do partido fundado por Lula por divergências políticas internas.
Em um rápido segmento de perguntas e respostas, Pimenta definiu posições que se chocam com os preconceitos da esquerda pequeno-burguesa. Ele declarou-se contrário ao desarmamento civil e às privatizações, enquanto declarou apoio à criação de uma bomba atômica brasileira e o direito ao voto impresso.
Um dos momentos de maior destaque foi a proposta de extinção da mais alta Corte do país. “Eu não indicaria ninguém ao STF, porque a nossa posição é pelo fim do STF”.. Pimenta defendeu que não deveria existir um juízo que decide o que é a Constituição, citando que países como a Inglaterra funcionam sem uma Corte Constitucional.
Questionado sobre o porquê de o comunismo ainda ser viável, Pimenta argumentou que o que o mundo conheceu até hoje o comunismo. “O comunismo não é distribuição da miséria”, explicou, afirmando que a revolução precisaria ser internacional para ter sucesso, pois um único país não possui o potencial econômico para sustentar tal sociedade sozinho.
A relação de Pimenta com o atual governo é marcada por um distanciamento crítico. Embora tenha apoiado Lula em 2022, ele afirmou que o método de alianças do PT é falho. “O Lula sempre foi o que ele é hoje”, disse Pimenta. Ele também manifestou desconfiança total no sistema eleitoral: “não confio na urna eletrônica. Acho um absurdo transformarem em crime a discussão sobre sua eficiência”.
Para o líder do PCO, programas como o Bolsa Família tornaram-se estagnados. “Vinte e quatro anos depois, temos os mesmos 50 milhões de pessoas no programa. A situação do país não avançou um milímetro”, criticou. Pimenta defendeu que o Estado deveria focar na geração de empregos e industrialização, e não apenas em auxílios permanentes que, em sua visão, não retiram a população da pobreza.
Sobre o avanço da Inteligência Artificial, Pimenta discordou da ideia de que ela acabará com os empregos. “Falta emprego no Brasil porque falta indústria. Nos últimos 40 anos, perdemos um terço da nossa indústria”. Ele comparou o cenário brasileiro com o europeu, afirmando que países como a Inglaterra “deixaram de aplicar capital em casa para investir na Índia”, onde a mão de obra é mais barata, o que gerou crises sociais profundas no país imperialista.
Pimenta foi enfático: “sou contra o desarmamento. O povo tem que ter o direito de andar armado”. Ele ironizou a esquerda que defende a revolução, mas quer desarmar a população. “Como você vai fazer uma revolução com a população desarmada?”, questionou, alegando que o armamento serve para que o governo tenha medo do povo, e não o contrário.
Pimenta defendeu a manutenção das estatais, mas sob um novo modelo de administração. “Eu defendo que os trabalhadores que trabalham na empresa a administrem”, sugerindo que engenheiros e petroleiros gerissem a Petrobras no lugar da “burocracia estatal corrupta”.
Embora não tenha uma opinião formada sobre a eficácia do homeschooling, Pimenta posicionou-se contra a punição de pais que escolhem esse caminho. “A última coisa que alguém deveria fazer é tirar os filhos dos pais”, disse ele, criticando a ingerência extrema do Estado sobre a educação privada e familiar.
Se tivesse poderes absolutos por seis meses, Rui Costa Pimenta já tem suas prioridades traçadas. O foco seria o setor financeiro. “A primeira coisa seria resolver o problema da dívida pública. Calote. Enfrentar calote geral”, afirmou. Ele argumentou que o dinheiro economizado seria usado para elevar o salário mínimo para o patamar sugerido pelo DIEESE (cerca de R$ 7.000,00) e investir em infraestrutura.
Pimenta classificou o plano de segurança do governo atual como “demagogia”. Segundo ele, a repressão policial não resolve o crime, que seria um sintoma da “desagregação social”. “O nível de crime que existe no Brasil hoje não se resolve com mais polícia”, disse, defendendo que a solução passa pela erradicação da miséria e pela limpeza do Judiciário, que “prende por bobagem e solta criminosos ricos”.
O entrevistado defendeu uma visão absoluta de liberdade de expressão, posicionando-se contra o crime de opinião. “Sou contra o crime de injúria racial. Falar não mata ninguém”, declarou Pimenta. Ele argumentou que a própria sociedade deveria ostracizar o racista, sem a necessidade de intervenção do código penal, que é usado apenas para aumentar o poder de controle do Estado sobre o cidadão.
Ao olhar para o passado, Pimenta destacou a figura de Dom Pedro I. “Ele é o fundador do Estado brasileiro e merece a admiração do povo brasileiro”, afirmou, citando o fato inusitado de uma colônia ter invadido a metrópole (Portugal) para impor uma constituição. Sobre Getúlio Vargas, reconheceu o papel na criação da CLT, mas pontuou que tais direitos foram concessões internacionais para conter revoltas.
Apesar de defender a manutenção dos direitos básicos, Pimenta concordou que certas taxas poderiam ser revistas. “O FGTS especificamente acho que deveria ser abolido. O dinheiro é do trabalhador, ele não toca e o valor é corroído”, analisou. Ele também defendeu que a mulher deve se aposentar mais cedo por ser o “elo mais fraco” na estrutura social atual.
No campo internacional, Pimenta afirmou que seu governo apoiaria o Irã, a Rússia e a China contra o imperialismo. “Os povos têm o direito de resistir pela força das armas”, declarou, defendendo as ações do Hamas e do Hesbolá como formas de resistência nacional. “Ninguém é obrigado a baixar a cabeça quando é oprimido”.
Surpreendendo a mesa, Pimenta posicionou-se contra a condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado. “Eu acho que foi perseguição política absoluta. Eu preferiria que o processo fosse cancelado, pois foi um processo ilegal”, defendeu. Para ele, não se deve usar métodos judiciais excepcionais nem mesmo contra adversários políticos, sob o risco de desmoralizar o sistema jurídico.
Sobre o sistema de cotas e o Enem, Pimenta criticou a carga ideológica das provas, mas defendeu o acesso irrestrito. “Todo mundo deveria ter direito a um curso universitário. Se o ensino básico é ruim, o Estado deve oferecer suplementação”, propôs, rechaçando a ideia de meritocracia em um país desigual.
Pimenta também reafirmou a proposta do PCO de substituir a polícia atual. “A polícia tem que ser controlada pelo povo, não ser uma entidade separada”, disse, sugerindo a criação de milícias populares que respondessem diretamente à comunidade local.
Pimenta encerrou a entrevista convidando o público a acompanhar o trabalho do PCO em suas redes sociais e na Causa Operária TV, reafirmando sua disposição para o debate em 2026. “Obrigado, foi um prazer debater com vocês”, concluiu o presidente nacional do Partido da Causa Operária.





