Na última quinta-feira (14), a edição mais recente do programa Análise Internacional, transmitida pelo canal Diário Causa Operária, debateu desde as comemorações do Dia da Vitória na Rússia até a crise dos semicondutores em Taiuã.
Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à presidência da República, começou questionando as interpretações tradicionais da história da Segunda Guerra Mundial e denunciou o que chamou de “farsa da democracia imperialista”.
O programa iniciou discutindo a recente parada militar russa de 9 de maio. Rui Costa Pimenta polemizou contra a visão de que a derrota de Hitler pela União Soviética representou uma “redenção democrática” para o mundo. Segundo o dirigente, o que se seguiu foi a substituição de uma ditadura por outra em escala global. “A vitória da Rússia não levou a nenhuma democracia; levou à supremacia dos Estados Unidos, que é uma ditadura pior do que a dos nazistas”.
Pimenta argumentou que, após a Segunda Guerra, o imperialismo norte-americano reabilitou quadros nazistas para garantir a manutenção do sistema capitalista e combater o comunismo na Alemanha. “O status quo na Alemanha é um acordo entre os nazistas e o imperialismo”, declarou, ressaltando que grandes industriais alemães que financiaram o regime de Hitler não foram expropriados.
Ao tratar do Holocausto, Pimenta esclareceu declarações anteriores que geraram polêmica. Ele defendeu que o termo “mito” não se refere à negação do massacre, mas a uma propaganda que oculta outros genocídios e serve de escudo para os crimes atuais de “Israel”.
“O acontecimento, que é real, foi transformado no mito. O Holocausto foi transformado em uma peça de propaganda essencial para encobrir todo tipo de crime do sionismo”, explicou, citando a obra A Indústria do Holocausto, de Norman Finkelstein.
O presidente do PCO comparou as ações de Benjamin Netanyahu em Gaza às de Adolf Hitler, afirmando que o primeiro-ministro israelense poderia ser premiado com o título de “Hitler do século 21”. Para Pimenta, é uma farsa que o imperialismo se diga contra o genocídio nazista enquanto financia o massacre dos palestinos.
A política externa de Donald Trump também foi analisada, especialmente no que diz respeito ao impasse com o Irã. Pimenta classificou o assassinato do líder iraniano Aiatolá Saied Ali Khamenei como um “erro grotesco do imperialismo”, comparando o impacto do ato a um bombardeio ao Vaticano que resultasse na morte do Papa.
Segundo a análise, os Estados Unidos buscam uma saída política para a crise, mas esbarram na intransigência iraniana.
“Trump quer mostrar que a crise iraniana vai terminar com uma vitória dos Estados Unidos, mas os iranianos parecem decididos a não dar isso; eles dizem que os EUA terão que admitir a derrota”, pontuou o apresentador.
Sobre a tensão entre China e Estados Unidos em torno de Taiuã, o programa destacou o aviso do presidente Xi Jinping de que a questão é “irreconciliável como a água e o fogo”. Rui Costa Pimenta chamou atenção para a dependência do imperialismo da produção de semicondutores na ilha, o que revela uma falha estrutural do sistema capitalista.
“Isso mostra que o imperialismo não é um sistema de rigoroso planejamento… é um sistema caótico”, criticou Pimenta. Ele explicou que uma guerra na região poderia paralisar a economia mundial de forma mais severa que a crise do petróleo, forçando a indústria global a retroceder tecnologicamente.
Respondendo a perguntas dos espectadores, Pimenta refutou a ideia de que campos de extermínio foram exclusividade nazista. Ele citou a ditadura militar argentina, que, sob orientação dos Estados Unidos, exterminou 60 mil pessoas em centros de tortura. O analista listou ainda o massacre de 500 mil pessoas na Indonésia e as milhões de mortes nas guerras da Coreia e do Vietnã como provas de que o “imperialismo democrático” é tão violento quanto o fascismo.





