Terceira via

Romeu Zema, candidato dos parasitas imprestáveis que exploram o povo

Candidato do Santander chama pobres de “imprestáveis” e defende cortar benefícios enquanto banqueiros recebem trilhões do orçamento público

Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República, chamou de “imprestáveis” brasileiros que dependem de programas sociais para sobreviver. A declaração foi feita nessa segunda-feira (17), durante a Conferência Anual Santander, em São Paulo, diante de representantes do grande capital financeiro.

Segundo Zema, os programas sociais estariam criando pessoas que preferem viver de benefícios e pequenos serviços a procurar emprego. Para acabar com essa suposta situação, propôs que o beneficiário perca o auxílio depois de recusar três ofertas de trabalho.

Em termos concretos, Zema quer usar a fome para obrigar o pobre a aceitar qualquer emprego oferecido pelos patrões.

Sua proposta não estabelece que essas vagas tenham salário suficiente para sustentar uma família, jornada aceitável ou condições dignas. Depois de três recusas, o trabalhador deveria simplesmente perder a renda utilizada para comprar comida e, portanto, morrer de fome.

O acinte é ainda maior porque Zema fez o discurso numa conferência do Santander. Cercado dos maiores parasitas que já habitaram o planeta Terra, encontrou os “imprestáveis” justamente entre os pobres.

Quem recebe um benefício social de algumas centenas de reais não vive uma existência privilegiada às custas da sociedade. São desempregados, trabalhadores informais, pessoas que recebem salários baixíssimos e famílias que dependem desse dinheiro para completar a alimentação e pagar despesas elementares.

Os parasitas da sociedade brasileira estão no outro extremo.

Banqueiros, especuladores e grandes proprietários recebem fortunas sem produzir a riqueza da qual se apropriam. Vivem de juros, aplicações financeiras, títulos públicos e patrimônios herdados. Enquanto milhões trabalham durante toda a vida, uma camada minúscula acumula bilhões apropriando-se do resultado desse trabalho.

É essa camada social que Zema representa.

Somente em 2025, mais de R$2 trilhões do orçamento federal foram destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública, de acordo com os cálculos da Auditoria Cidadã da Dívida a partir dos dados oficiais. O montante correspondeu a mais de 40% do orçamento executado.

Esse dinheiro não foi para os pobres que Zema chama de “imprestáveis”. Foi alimentar os parasitas do sistema financeiro.

A dívida pública é a verdadeira bolsa-banqueiro. O Estado arrecada da população e transfere uma parcela gigantesca aos grandes credores, que enriquecem simplesmente porque possuem capital suficiente para comprar títulos – capital este que foi acumulado com golpes atrás de golpes, isso quando o pobre especulador já não herdou a fortuna do pai e nunca precisou pegar numa enxada.

Zema não propõe nenhuma “porta de saída” para esses parasitas. Não exige que banqueiros procurem emprego, não estabelece limite de três recusas para quem recebe bilhões em juros nem pergunta qual trabalho produtivo realiza o herdeiro bilionário.

Sua indignação começa quando um pobre recebe dinheiro para não morrer de fome.

A política dos grandes bancos não se limita à apropriação dos recursos públicos por meio da dívida. A burguesia utiliza seu poder econômico para dominar toda a política nacional, financiar seus representantes, pressionar o Congresso e impor aos governos as medidas que aumentam seus lucros.

Foi assim com a reforma trabalhista. Foi assim com a reforma da Previdência. É assim com as privatizações e com a pressão permanente para reduzir salários, direitos e serviços públicos.

Os deputados votam, os ministros executam e os governadores fazem propaganda, mas o programa é dos grandes capitalistas.

Zema é um dos fantoches escolhidos para executá-lo.

Seu ataque aos programas sociais não pode ser separado da defesa de privatizações, de novas mudanças na Previdência e do aprofundamento dos ataques ao que restou da legislação trabalhista. O candidato do Novo já defendeu entregar empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ao capital privado – aos seus amos da laia do Santander.

O roteiro é conhecido: tirar dos trabalhadores e entregar aos grandes capitalistas.

Para o pobre, corte no benefício. Para o trabalhador empregado, menos direitos. Para o aposentado, mais anos de trabalho. Para os banqueiros, recebimento de juros. Para os monopólios, empresas públicas.

É a mesma terapia de choque aplicada por Javier Milei na Argentina e defendida pelos setores mais agressivos do grande capital em toda a América Latina.

Zema é um Milei brasileiro.

A terapia de choque consiste em aproveitar uma crise para destruir rapidamente conquistas sociais, privatizar o patrimônio público e transferir ainda mais riqueza para os capitalistas. A população é apresentada como responsável pela crise e obrigada a pagar por ela enquanto o grande capital recebe novas oportunidades de lucro.

A declaração sobre os beneficiários revela a mentalidade necessária para aplicar esse programa. Para retirar direitos de milhões, primeiro é preciso apresentar esses milhões como preguiçosos, privilegiados ou responsáveis pela própria pobreza.

O desempregado passa a ser culpado por não ter emprego. O trabalhador mal pago é acusado de não se esforçar. Quem depende de auxílio para comer vira “imprestável”.

Desaparecem da história os capitalistas que demitem, fecham fábricas, achatam salários e exigem jornadas cada vez mais duras.

Zema chegou a criticar os beneficiários que sobrevivem fazendo pequenos trabalhos, como se o chamado “bico” fosse uma escolha confortável. O crescimento do trabalho informal é resultado justamente da falta de empregos que paguem salários capazes de garantir condições normais de vida.

A questão não é obrigar o pobre a aceitar qualquer vaga. É criar empregos dignos.

Segundo o DIEESE, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas tem ficado próximo de R$8.000 em 2026. O salário mínimo oficial é uma pequena fração desse valor.

É esse abismo que Zema pretende ignorar quando ameaça cortar o benefício de quem recusar trabalho.

Se a vaga oferecida paga um salário que não cobre aluguel, comida, transporte, energia e demais despesas da família, o problema não está no trabalhador que a rejeita. Está numa economia organizada para garantir lucro aos patrões através de salários miseráveis.

Os pobres devem sair dos programas sociais porque encontraram um emprego digno, não porque foram ameaçados de passar fome.

Isso exige uma política inteiramente oposta à defendida pelo Novo, partido criado pelos bancos.

É preciso estabelecer um salário mínimo correspondente às necessidades reais de uma família trabalhadora, hoje na faixa de R$8.000 segundo o DIEESE. Também é necessário reduzir a jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem redução salarial, permitindo a distribuição do trabalho existente entre um número maior de pessoas.

As reformas trabalhista e previdenciária devem ser revogadas. É preciso recuperar os direitos retirados desde o golpe de 2016 e ampliar as garantias da CLT, em vez de oferecer aos patrões novas formas de contratar trabalhadores sem direitos.

As grandes empresas estratégicas devem ser estatizadas e colocadas sob o controle dos trabalhadores. Uma política nacional de industrialização, obras públicas e investimento estatal poderia criar milhões de empregos e retirar da pobreza uma parcela enorme da população.

Nada disso será possível enquanto uma parte gigantesca do orçamento continuar alimentando os sanguessugas da nação.

É preciso acabar com o pagamento da dívida pública aos banqueiros e especuladores.

Esse dinheiro deve financiar empregos, salários, hospitais, escolas, moradias e infraestrutura. Não há justificativa para cortar a renda de uma família pobre enquanto trilhões são entregues ao parasitismo financeiro.

É justamente essa comparação que revela quem são os verdadeiros sustentados pelo Estado.

Uma família recebe algumas centenas de reais para comprar alimentos e Zema a chama de “imprestável”. Um banqueiro recebe milhões em juros pagos com dinheiro público e é apresentado como investidor.

O primeiro precisa justificar seu direito de comer. O segundo recebe uma fortuna porque possui uma fortuna. Os amos de Zema, os banqueiros e especuladores, não produzem nada. Não servem para nada a não ser empobrecer e matar milhões de fome.

A declaração de Zema revela também o verdadeiro conteúdo da chamada terceira via. Por trás da propaganda de eficiência administrativa e renovação política aparece o programa tradicional da burguesia e do imperialismo: privatizações, destruição dos direitos trabalhistas e previdenciários, cortes sociais e transferência de uma parcela cada vez maior da riqueza nacional ao capital financeiro.

Não é o beneficiário de programa social que vive às custas dos trabalhadores. São os banqueiros, os especuladores e os grandes capitalistas que se apropriam da riqueza produzida por milhões e utilizam seu poder econômico para colocar marionetes como Zema no comando do Estado.

Se Zema procura “imprestáveis” sustentados pelo dinheiro público, deveria ter começado sua busca na plateia para a qual fez seu discurso. Ali encontraria uma turba de imprestáveis.

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