Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (MISSÂO) querem aparecer como candidatos “antissistema” na eleição presidencial, mas representam a mesma política: privatizações, ataque aos direitos dos trabalhadores e submissão ao imperialismo.
Recentemente, brigaram. Zema, pré-candidato do Novo, chamou Renan Santos, do Missão, de “metralhadora giratória”. Renan, por sua vez, havia dito que o ex-governador de Minas Gerais estaria “perdido” no Novo. A disputa é uma concorrência para saber quem ocupará o lugar da direita “renovada”, com pose radical e programa velho.
Zemafoi governador de Minas Gerais defendendo a cartilha tradicional dos grandes capitalistas: privatização, ajuste fiscal, cortes e entrega do patrimônio público. Em evento da Confederação Nacional da Indústria, prometeu privatização “em larga escala” e defendeu contratação por hora trabalhada, uma fórmula para ampliar a precarização.
Isso não tem nada de novo. É o velho tucanato com outra embalagem. O PSDB passou décadas defendendo privatizações, ataques ao funcionalismo e submissão do Estado aos grandes monopólios. Zema apenas mantém essa política com uma linguagem mais agressiva.
Renan Santos tenta ocupar o mesmo espaço por outro caminho. Não tem mandato, cresceu nas redes sociais e procura aparecer como alguém mais duro do que a direita tradicional. Mas sua política também não rompe com nada essencial do regime. É a mesma defesa dos interesses dos banqueiros e dos grandes capitalistas.
Depois da eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo, Renan atacou Neymar e o chamou de “ex-jogador em atividade”. Fez isso em meio a uma campanha geral da imprensa burguesa para humilhar a Seleção Brasileira e desmoralizar o futebol nacional. Atacar o principal jogador brasileiro no momento em que a Seleção é alvo de uma campanha internacional contra o futebol brasileiro mostra que Renan não defende o Brasil.
Tanto Zema como Renan evitam criticar diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo tendo sido perseguido por Gilmar Mendes, Zema jamais defendeu a dissolução da Corte. Renan, por sua vez, apoia a cruzada antidemocrática contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A imprensa burguesa apresenta a disputa como uma briga pelo voto “antissistema”. É falso. Nenhum dos dois está contra o regime. Estão disputando um lugar dentro dele.





