Entrevista com Leandro Fortes

‘Querem calar quem denuncia mazelas do sionismo’, diz Rui Pimenta

Presidente nacional do PCO afirmou ao Canal do Galo Preto que processos movidos pelo sionismo são perseguição política

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, foi entrevistado nesta terça-feira (26) por Leandro Fortes no Canal do Galo Preto, no YouTube. Na conversa, Pimenta tratou dos processos movidos pelo sionismo contra militantes que denunciam os crimes de “Israel”, da situação na Bolívia e da política externa do governo Lula.

Logo no início da entrevista, Fortes perguntou sobre a denúncia apresentada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), aceita pelo Ministério Público Federal, contra o presidente do PCO. Pimenta explicou que o caso faz parte de uma ofensiva mais ampla.

“Bom, a primeira coisa que é importante destacar é que esse é um de 12 processos que nós temos, todos eles com a acusação de racismo. É que esse chegou ao indiciamento, quer dizer, vai ter julgamento. Então, por isso chamou a atenção. Mas há vários processos correndo, a maioria contra mim e uma parte contra outros militantes do PCO. É uma perseguição política. Não há nem como ocultar isso, porque 12 processos, todos sobre o mesmo tema, é muita coisa. É uma marcação cerrada.”

Segundo Pimenta, uma fala sua sobre o uso político do Holocausto foi incorporada aos processos. O dirigente afirmou reconhecer o Holocausto como fato histórico, mas denunciou que ele é utilizado como instrumento para impedir críticas ao Estado sionista.

“Recentemente fiz uma análise do problema do Holocausto, onde eu falei que, embora o Holocausto seja um fato verídico, seja um fato histórico, é usado para ocultar os crimes do sionismo. Imediatamente essa fala foi acrescentada em todos os processos. Quer dizer, eles estão em cima, eles querem calar as pessoas que estão denunciando as barbaridades.”

Pimenta afirmou que o sionismo tenta silenciar seus críticos em um momento de crescimento da repulsa mundial contra “Israel”. Ele citou as denúncias de tortura, agressões e abuso contra ativistas da flotilha que tentou levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

“Tem um clamor mundial contra o sionismo. Cidadãos de vários países no mundo estão denunciando que foram torturados, que foram estuprados, assediados sexualmente. Receberam um tratamento criminoso. A repercussão disso tem sido gigantesca. É um desespero. Eu acho que o sionismo está desesperado porque foi completamente derrotado no que diz respeito à guerra de propaganda. Os crimes do sionismo apareceram para todo mundo.”

O presidente do PCO também criticou a tentativa de apresentar a operação palestina de 7 de outubro como “terrorista”. Para ele, essa formulação é uma concessão à propaganda sionista.

“Primeiro que não foi um ataque terrorista. Pela lei internacional, a reação de povos que vivem sob ocupação estrangeira é legítima. Não tem esse negócio de terrorismo. Isso não é uma posição minha. Isso é uma posição da lei internacional. Os palestinos, o Hamas, fazem menção a essa lei o tempo todo. Então é absurdo. Por que ataque terrorista?”

Na sequência, Pimenta tratou da Bolívia. Segundo ele, a mobilização contra o governo de Rodrigo Paz assumiu características pré-revolucionárias e tem importância para toda a América Latina.

“Eu acho que está se formando uma situação pré-revolucionária. A mobilização é muito grande, ela se espalhou pelo país inteiro e encurralou o governo. Eu acho que sim, e eu acho que é uma coisa muito importante para todos os países da América Latina. Porque os bolivianos estão reagindo a uma política que o imperialismo pretende impor a todos os países.”

Pimenta criticou a posição de Lula diante da rebelião boliviana. O presidente brasileiro declarou solidariedade ao governo Paz e determinou o envio de ajuda humanitária diante dos bloqueios de estradas. Para o dirigente do PCO, a medida coloca o Brasil contra a mobilização dos trabalhadores.

“Com essa atitude dele, vamos ver como é que se desenvolve a coisa, mas a declaração dele se coloca diretamente contra um movimento ascendente das massas bolivianas. Ele se choca com uma mobilização de características revolucionárias. Já é uma posição praticamente contrarrevolucionária.”

Para Pimenta, Lula tomou partido de um governo repressor. Ele afirmou que falar em “Estado de Direito” na Bolívia, em meio a prisões e mortes de manifestantes, significa apoiar as instituições contra o povo rebelado.

“Tomou partido do governo. Tomou partido de um governo repressor, porque falar ‘Estado de Direito’ num país onde há centenas de pessoas presas, onde o governo matou pelo menos um manifestante, é falar à toa. O povo não vai respeitar as instituições, principalmente quando elas adotam uma conduta repressiva.”

No bloco final, Pimenta também comentou a disputa eleitoral brasileira. O dirigente afirmou que a esquerda erra ao apresentar Bolsonaro como o único inimigo político do País. Para ele, a burguesia, os banqueiros, o capital estrangeiro e o imperialismo continuam sendo os principais inimigos da classe trabalhadora.

“O problema é que a esquerda está numa política cega e considera que o único inimigo que existe no Brasil é o bolsonarismo. Eles esqueceram a história do Brasil. Bolsonaro surgiu como fenômeno político em 2018. Vai fazer oito anos agora. O Brasil é um país super oprimido e massacrado há muito tempo.”

Segundo Pimenta, a luta política não pode ser reduzida à oposição ao bolsonarismo. O dirigente afirmou que é necessário discutir os problemas nacionais, a política externa do governo e a mobilização independente dos trabalhadores.

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