Disseram que o tal do VAR, o árbitro de vídeo imposto ao futebol internacional, iria impedir os “erros” da arbitragem. Pode até ser. Só não explicaram o que o VAR faria quando o juiz decidisse roubar o jogo.
O mimado Lionel Messi errou um passe no jogo contra a Argélia. Logo ele? Não, não é possível. O príncipe Messi não pode errar. Ele é perfeito. Não é isso que ele ouviu a vida inteira? Messi não erra, senhores! Quem erra é a bola.
Então vai, Messi! Puna a bola!
Como Messi não consegue roubar a bola, não pode descontar nela. Sobrou para a panturrilha do coitado do Mandi. Pobre Mandi, não sabia ele que não poderia frustrar o precioso Messi!
Juizão, olha o lance! O argentino quase que rasga a panturrilha do rapaz! Que? Argentino? Não vi. Não vejo. Pois então, chame o VAR. VAR! Também não vi, nada vejo. Que culpa tem o baby Messi se o jogador da Argélia decidiu coicear a sola da chuteira do argentino? Segue o jogo!
Mandi, coitado, aprendeu nesta Copa uma dura lição. Copa do Mundo não é apenas futebol. É guerra. Se suas costas não forem quentes, prepare-se para driblar zagueiros, juízes, imprensa e, agora, a polícia migratória.
Se a Seleção Brasileira se preparasse com esse espírito, o Hexa já teria vindo. Mas nossos jogadores são gente humilde, gente simples, que tem no futebol sua fonte de alegria em um mundo desgraçado. O que eles querem é jogar bola. Não entendem que, do lado de lá, estão brucutus treinados para espatifar joelhos. Quanto mais habilidosa for a canela, mais apetitosa para os tubarões formados nas escolinhas europeias.
Para ganhar a Copa, é preciso ganhar a guerra. Para proteger o futebol bonito, é preciso se preparar para o futebol feio. A depender do destino, Brasil enfrentará nossos gentis hermanos neste torneio. O mais provável é que aconteça nas semifinais.
Pela primeira vez, torço para que a Argentina vença e sobreviva na Copa. Que permaneça viva até encontrar o Brasil. E que a Seleção Canarinho entregue aos reis da catimba o que eles mercem. Que Neymar mostre a Messi aquilo que ele nunca aprendeu em 20 anos de futebol: o futebol arte. E se a partida tiver que ser decidida por outros meios além da arte, que Neymar descubra seu talento para vencer uma guerra. Que encontre um ponto cego onde nem VAR, nem juiz possam enxergá-lo e vingue a seleção argelina.





