A privatização da Sabesp colocou uma das principais empresas públicas de São Paulo nas mãos de fundos internacionais que também financiam diretamente o Estado de “Israel”.
BlackRock, Wellington Management e Vanguard possuem, juntas, cerca de 13,8% da companhia paulista de saneamento. Ao mesmo tempo, os três grupos estão entre os compradores dos chamados Israel Bonds, títulos emitidos pela ditadura sionista para levantar recursos, boa parte dos quais usados para exterminar palestinos.
O Wellington, dono de 5,4% da Sabesp, adquiriu cerca de 250 milhões de euros nesses títulos. A BlackRock, que controla 6,1% da companhia, comprou aproximadamente 68 milhões de euros. Já o Vanguard, acionista de 2,32% da Sabesp, colocou US$ 546 milhões na dívida israelense.
A emissão desses papéis aumentou fortemente depois de 7 de outubro de 2023. O dinheiro arrecadado entra no orçamento de “Israel” e ajuda a sustentar um Estado que mantém uma das maiores máquinas militares do mundo e conduz o genocídio da população palestina na Faixa de Gaza.
Desde que foi privatizada pelo governo de Tarcísio de Freitas, a Sabesp distribuiu cerca de R$ 4,3 bilhões em lucros aos acionistas. Somente em maio de 2025 foram aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Em abril deste ano, outros quase R$ 1,8 bilhão.
Enquanto os acionistas recebem bilhões, moradores de diversas regiões da Grande São Paulo denunciam contas muito mais caras, cortes no fornecimento e outros problemas no serviço. Há casos em que o valor cobrado aumentou mais de 600%.
O dinheiro sai, portanto, de um serviço indispensável à população e passa para grandes fundos financeiros estrangeiros. Entre os negócios desses fundos está justamente o financiamento da dívida do Estado sionista.
Tarcísio foi aos EUA oferecer a Sabesp
A presença desses grupos na empresa não foi resultado de um processo casual.
Pouco antes da privatização, Tarcísio viajou aos Estados Unidos para apresentar a Sabesp aos grandes fundos internacionais. Durante quatro dias, visitou dez empresas financeiras, quase como se estivesse rodando bolsinha na praça. Uma delas foi o Wellington Management.
Posteriormente, o fundo passou da marca de 5% das ações da empresa e tornou-se um de seus maiores acionistas privados.
O governo de São Paulo foi, assim, ao centro financeiro do imperialismo oferecer uma empresa construída durante décadas com recursos públicos e responsável pelo abastecimento de milhões de pessoas.
Para os compradores, o negócio foi excelente.
Em julho de 2023, a ação da Sabesp era negociada por pouco mais de R$ 57. Em outubro de 2025, já havia ultrapassado os R$ 130. Além da valorização dos papéis, os acionistas receberam bilhões em dividendos.
A privatização não serviu para baratear a água nem para colocar o serviço sob maior controle da população. Serviu para transformar a Sabesp em uma fonte ainda maior de renda para o capital financeiro.
Privatização é transferência de riqueza
O caso mostra um aspecto fundamental das privatizações no Brasil.
Quando uma empresa pública é entregue ao grande capital, o patrimônio construído com dinheiro da população passa a produzir lucros para grupos privados, muitos deles estrangeiros. O que antes poderia ser reinvestido no próprio serviço, na ampliação da rede e na redução das tarifas passa a remunerar acionistas.
No caso da Sabesp, parte importante desses acionistas pertence ao coração do capital financeiro norte-americano.
São empresas que controlam trilhões de dólares em participações espalhadas por bancos, indústrias, empresas de energia, tecnologia e armamentos. Seus recursos circulam pelo mundo em busca de lucro e servem também para sustentar a política internacional das grandes potências imperialistas.
É nesse ponto que o caso da Sabesp encontra diretamente a guerra contra os palestinos.
“Israel” é um Estado militarizado, sustentado econômica, política e militarmente pelo imperialismo para garantir seus interesses no Oriente Médio. Desde sua criação, sua existência está ligada à expulsão dos palestinos, à ocupação de seus territórios e a sucessivas guerras contra os povos da região.
O genocídio em Gaza exige recursos gigantescos. Exército, munições, aviões, sistemas antimísseis e toda a estrutura de ocupação precisam ser permanentemente financiados.
Os Israel Bonds são uma das formas de levantar esse dinheiro.
BlackRock, Wellington e Vanguard não apenas lucram com uma empresa que controla o abastecimento de água em São Paulo. Também colocam centenas de milhões de dólares à disposição do Estado sionista.
A privatização, assim, incorpora um patrimônio brasileiro ao circuito internacional do capital imperialista.
O dinheiro brasileiro e a guerra contra Gaza
Esse é o ponto mais grave do caso.
O trabalhador paulista paga a conta de água. A Sabesp transforma parte dessa receita em lucro. Os acionistas estrangeiros recebem sua parcela. E esses mesmos grupos destinam enormes recursos ao financiamento de “Israel”.
Não é preciso imaginar uma transferência direta de cada real da tarifa para uma operação militar específica. O problema é justamente mais amplo: a privatização entrega uma nova fonte de riqueza aos mesmos monopólios que sustentam financeiramente a dominação imperialista pelo mundo.
A guerra não é algo separado da economia.
Para bombardear Gaza, manter centenas de milhares de soldados mobilizados e sustentar décadas de ocupação, “Israel” depende do fluxo permanente de dinheiro fornecido pelos Estados Unidos, pelos governos europeus, pelos bancos e pelos grandes fundos internacionais.
A Sabesp privatizada tornou-se mais uma fonte de lucro para alguns desses grupos.
É esse o resultado concreto da política de entregar as empresas brasileiras ao capital internacional: riqueza produzida no País deixa de atender às necessidades nacionais e passa a engrossar os recursos dos grandes monopólios.
Sionismo também atua dentro do Brasil
A contradição é ainda maior porque os defensores de “Israel” não agem apenas no Oriente Médio.
No Brasil, organizações sionistas vêm promovendo campanhas contra ativistas, jornalistas e entidades que denunciam o genocídio palestino. Dossiês, campanhas públicas de difamação e acusações de “antissemitismo” são utilizados para intimidar apoiadores da Palestina e criar condições para censura e perseguição política.
Enquanto fundos ligados à Sabesp ajudam a sustentar financeiramente “Israel”, a máquina política sionista trabalha dentro do próprio Brasil contra quem denuncia seus crimes.
O capital sai do bolso do brasileiro e fortalece um Estado que, além de massacrar o povo palestino, procura silenciar seus adversários também fora da Palestina.
Nunca é demais lembrar que o próprio Tarcísio de Freitas é um agente que o sionismo inseriu na cabeça do governo paulista. Ele é um paga-pau de “Israel”, coloca a máquina do estado mais rico do País a serviço do regime sionista e é orientado pelo lóbi sionista de São Paulo.
Reestatizar a Sabesp
O caso da Sabesp mostra por que a privatização dos serviços públicos precisa ser revertida.
A água não pode ser transformada em fonte de dividendos para BlackRock, Vanguard, Wellington ou qualquer outro fundo internacional.
A população paulista paga tarifas elevadas, enfrenta cortes e problemas no abastecimento enquanto bilhões são distribuídos aos acionistas.
A saída é reestatizar a Sabesp e os demais serviços essenciais entregues ao capital privado.
Uma empresa responsável pela água de milhões de pessoas deve estar voltada para garantir abastecimento, ampliar o saneamento e reduzir o custo para a população, e não para enriquecer capitalistas internacionais.
Não há justificativa para que o dinheiro pago pela água dos paulistas termine nos bolsos de fundos que, entre seus negócios, financiam a máquina genocida de “Israel”. Ou seja, dinheiro que compra armas que exterminam crianças palestinas.





