Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Porque os salários dos bancários só têm resultado negativo 

A categoria bancária, ao longo dos últimos anos, tem sido vítima dos banqueiros de uma política de achatamento salarial extremamente perversa

A campanha salarial da categoria já se aproxima, cuja validade do Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) finda no último dia de agosto, e as direções sindicais (Sindicatos, Federações e a Confederação) organizam os congressos e a conferência nacional dos bancários onde serão debatidas e aprovadas as pautas de reivindicações que serão levadas para as mesas de negociações com os banqueiros.  

A categoria bancária, ao longo dos últimos anos, tem sido vítima dos banqueiros de uma política de achatamento salarial extremamente perversa. O piso salarial bancário hoje é de apenas R$ 3.522,58. Esse arrocho salarial, ao longo de todo esse período, só foi possível devido ao obstáculo, que a categoria encontra para reagir, das suas direções sindicais. Diante do arrocho salarial a que está submetida a categoria, os representantes dos trabalhadores aceitam a argumentação e se adaptam aos índices inflacionários apresentados pelos órgãos institucionais (INPC- IBGE) que não reflete as verdadeiras necessidades de uma família trabalhadora, além de reivindicar, do setor da economia que mais lucra no País, um miserável índice de “ganho real” que, no ano passado foi de 5 %, defendido e aprovado por essas mesmas direções sindicais, sendo que, historicamente, a reivindicação sempre foi, no movimento operário, de 20% (tudo mundo sabe que em qualquer negociação se reivindica sempre um valor alto para se sair com uma média, mas na cabeça dos sindicalista funciona de maneira inversa, pede-se pouco para sair com quase nada. Na campanha salarial passada reivindicou-se 5% e levou 0,5%).  

Na campanha salarial deste ano, estamos revivendo o mesmo caminho para essa malfadada reivindicação. Pesquisa recente feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) que, inclusive é utilizado pela burocracia sindical sistematicamente nas campanhas salariais, sobre as Negociações Salariais 2026, no boletim “De olho nas Negociações – nº 68”, divulgado agora no mês de maio, afirma que “94% dos reajustes da data-base abril registrados no sistema Mediador até 8 de maio resultaram em ganhos reais, ou seja, ficaram acima da inflação medida pelo INPC-IBGE. A variação real média dos reajustes no mês foi de 1,39% acima da inflação”. Em outro parágrafo do mesmo texto, afirma que: “No acumulado de janeiro a abril de 2026, o cenário também é favorável (grifo nosso). O estudo aponta que 90,2% das negociações analisadas conquistaram reajustes acima da inflação, com variação real média de 1,81%. O resultado supera o desempenho observado nas últimas 12 datas-bases, período em que os ganhos reais foram verificados em 77,1% dos casos, com variação real média de 0,94%”.  

Ou seja, o Dieese, que sempre é utilizado como fonte de informação da imprensa sindical, e já está sendo divulgado mesmo, está fazendo a campanha pelo rebaixamento do índice de recomposição salarial, sendo que as perdas salariais da categoria bancária superam 27%. Isso sem falar da necessidade de um piso salarial que atenda às necessidades de uma família trabalhadora que, como foi dito acima é um piso ridículo de R$ 3.500. 

Nos fóruns dos trabalhadores, nos seus Congressos e na Conferência Nacional, que serão realizados no mês de junho, para que a categoria não sofra mais uma derrota diante os patrões, é necessário, sob a base de uma discussão que parta das necessidades vitais da categoria, sendo uma delas a recomposição das perdas salariais e um piso salarial que atenda às necessidades da família dos trabalhadores bancários. 

Como deve ser calculado o Salário Mínimo Vital e o Piso Salarial dos Bancários

  1. No item alimentação os artigos estão considerados enquanto padrões de gênero. Assim, por exemplo, batata representa o conjunto dos legumes e banana representa todas as frutas. O total diz respeito ao total dos gêneros a serem consumidos (18 kg de carne corresponde a 150 gramas de carne por pessoa por dia, variando-se os tipos) 
  2. Os itens desta planilha são os mesmos utilizados pelo Dieese

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.