Copa do Mundo 2026

Por que torcer pela Seleção é defender o Brasil

A esquerda, de modo geral, se prende a discussões paralelas ou meramente subjetivas sobre o futebol, o que a impede de ter uma visão materialista desse esporte

Seleção

O artigo Pelo direito de torcer contra, de Gabriel Santos, publicado no sítio Esquerda Online neste sábado (18) não olha de fato para o componente político envolvido no futebol e fica preso nas “paixões”.

Desde o início, se desloca para questões laterais e sem sentido. Alega que “nos anos 80 era comum que parte da população brasileira tivesse uma certa dificuldade de diferenciar a ficção da realidade. Aqui não cabe fazer juízo ou uma interpretação deste fato. Mas, este acontecimento é algo registrado na história. Atrizes e atores que em novelas de grande audiência atuavam em papel de vilões mais de uma vez relataram que foram agredidos e xingados na rua por conta daquilo que interpretavam dentro da TV. Parte da população transmitia a raiva que sentiam do personagem na ficção o mundo real, punindo aquele que interpretava.”

E antes daquela data, o brasileiro discernia ficção de realidade? E depois, o que mudou? Eventualmente, uma outra pessoa se deixava levar pelo que via nas novelas, mas isso não é um traço do povo brasileiro.

Em seguida, Santos escreve que “a Copa do Mundo mexe com paixões. Não apenas futebolísticas, mas também sociais. Ela molda o imaginário popular sobre sua nação e sobre o outro.” Todo esporte faz isso em alguma medida e quanto mais popular, maior será a identificação do povo. O Brasil, especialmente, é afetado porque é reconhecidamente a “pátria de chuteiras”, visto que praticamente reinventou o esporte e é praticado por milhões de pessoas.

O brasileiro se orgulha do futebol porque é a potência mundial, o time a ser batido.

Ainda segundo o autor, “a partir do futebol criam-se mitos, heróis, identidades, e se rompe com elas. Seria inimaginável uma Argentina sem o gol de Maradona contra os ingleses em 86. Ou o que seria do Brasil diante de si e diante do Mundo sem os gols de Pelé em 58.”

É impossível comparar Pelé e Maradona. O argentino fez um gol escandaloso de mão e abriu o placar contra os ingleses no segundo tempo em 1986. Enquanto Pelé, com apenas 17 anos, fez 6 gols na Copa de 58. Além da obra-prima na final contra a Suécia, matando a bola no peito, chapelando o zagueiro e mandando para o fundo da rede.

O texto é o tempo todo sobre subjetividades. Diz, por exemplo, que “é comum torcermos para aqueles países com os quais mais nos identificamos.” E que “isto é normal no mundo todo. Como brasileiros, o corriqueiro é termos uma identidade com aqueles com quem temos um passado compartilhado, ou seja, países africanos e países sul-americanos.”

Isso que foi dito acima é parcialmente verdade. O brasileiro, muitas vezes, se solidariza com o time mais fraco ou com menos chance de vencer. Nada disso, no entanto, toca na questão do problema, pois existem inúmeras razões para se torcer, ou não, para determinadas seleções.

No caso da esquerda, a questão tem de ser analisada de modo objetivo: a ingerência do imperialismo no futebol. Ficou evidente que havia uma fraude em favor da Argentina e foi orquestrada por um esquema mafioso que está fazendo o esporte perder o próprio sentido. Que interesse as pessoas vão ter em assistir algo sabendo de antemão que os resultados estão sendo manipulados?

Quem está se beneficiando desse esquema são a FIFA, os interesses econômicos daqueles que lucram com o esporte e os interesses políticos. Portanto, a questão da Argentina ser um país da América do Sul é secundária, o que importa é essa seleção estar sendo utilizada como instrumento para uma verdadeira fraude. Torcer genericamente por um país latino-americano, neste caso, seria torcer para o time do imperialismo.

Do ponto de vista político, sempre houve contra o futebol brasileiro uma campanha contrária encabeçada pelo futebol europeu, muito mais rico. Diversas vezes a Seleção Brasileira foi prejudicada, seja diretamente pela violência dos times adversários com a conivência da arbitragem, seja pela interferência do VAR, e indiretamente pela compra de comentaristas na grande imprensa que se especializaram em criticar e desestabilizar o time nacional.

A esquerda precisa deixar de lado as questões subjetivas e começar a analisar o que ocorre objetivamente no futebol. Ou vai ficar sempre fazendo discussões que não levam a lugar nenhum.

É devido à falta de objetividade que a maioria da esquerda se deixa levar pela grande imprensa, ou por questões partidárias, para começar a perseguir determinados jogadores brasileiros.

Na realidade, a esquerda sempre agiu assim contra nossos jogadores, aos quais não perdoam serem despolitizados ou votarem em determinados políticos.

O futebol tem que ser observado do ponto de vista do materialismo dialético, ou nunca será compreendido em sua essência e naquilo que o cerca.

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