Economia

População não consegue mais pagar aluguel

A inadimplência no pagamento de aluguéis voltou a subir em abril de 2026 no Brasil, atingindo 5,7 por cento dos contratos de locação residencial

A inadimplência no pagamento de aluguéis voltou a subir em abril de 2026 no Brasil, atingindo 5,7 por cento dos contratos de locação residencial, conforme levantamento divulgado na quinta-feira (24) pelo Índice de Inadimplência de Aluguéis da empresa Loft. O movimento interrompeu uma sequência de quedas que vinha sendo registrada desde setembro de 2025, quando o índice havia atingido 6,8 por cento, e sinalizou dificuldades crescentes das famílias brasileiras para arcar com as despesas de moradia. Em março, o indicador havia ficado em 5,4 por cento, o menor patamar da série iniciada em maio de 2024, o que demonstra uma reversão preocupante da tendência de melhora que havia sido observada nos primeiros meses do ano.

Minas Gerais registrou a maior taxa de inadimplência entre os estados monitorados, com 6,5 por cento dos contratos em atraso superior a 15 dias em abril, acima dos 6,2 por cento observados em março. O estado permaneceu isolado na ponta do ranking mesmo após a leve melhora registrada no início do ano. Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, o avanço mais forte dos preços de locação e a renda familiar menor em Minas Gerais em comparação com outros estados ajudam a explicar o patamar acima da média nacional.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2025, indicam renda familiar per capita de 2.353 reais em Minas Gerais. Em São Paulo, o valor é de 2.956 reais, e no Rio de Janeiro e em estados do Sul, na faixa de 2.800 reais. A combinação de um crescimento muito forte do preço do aluguel com uma renda familiar ainda abaixo dos outros estados contribui para explicar a inadimplência mais elevada no território mineiro.

O Rio de Janeiro registrou taxa de 4,3 por cento em abril, subindo dos 4,1 por cento de março, mas ainda mantendo-se entre os estados com menor inadimplência no país. O resultado fluminense ficou atrás apenas do Espírito Santo, que registrou 4,1 por cento. No recorte mais recente, o Paraná aparece com 4,8 por cento, seguido por São Paulo, com 5,9 por cento. A série do Rio de Janeiro mostra queda em relação ao pico recente de 5,3 por cento, registrado em setembro de 2025.

Segundo levantamento da empresa Superlógica, que também monitora a inadimplência locatícia no Brasil, o índice nacional subiu para 3,37 por cento em abril, após ter atingido 3,29 por cento em janeiro, a menor taxa dos últimos oito meses. A inadimplência em imóveis residenciais de alta renda, na faixa de aluguel acima de 13 mil reais, registrou uma das maiores taxas, com 5,42 por cento, enquanto a menor foi de imóveis de 2 mil a 5 mil reais, com 1,80 por cento. Os imóveis comerciais também registraram aumento, indo de 4,12 por cento para 4,33 por cento de inadimplência em abril.

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