As campanhas eleitorais para a Presidência da República têm o início marcado principalmente pela enorme crise do regime político e pela polarização entre as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
As diversas pesquisas de opinião são praticamente unânimes em apresentar a polarização entre os dois principais candidatos, com pequenas variações nas porcentagens de intenção de voto, mas tendo sempre os dois muito à frente dos demais.
Crise do regime
O atual regime político, com sua política neoliberal, encontra-se completamente esgotado, sendo que a maioria da população não só demonstra descontentamento com a situação atual como também não acredita que as atuais instituições — e seus membros — sejam capazes de apresentar soluções para resolver ou melhorar as condições de vida das massas.
Por outro lado, as classes dominantes, os grandes capitalistas, buscam aprofundar ainda mais essa política neoliberal. Querem mais ataques aos trabalhadores e à população pobre para aumentar ainda mais a roubalheira da qual são os beneficiários.
Terceira via
Dessa forma, a burguesia não mede esforços para viabilizar uma alternativa, uma vez que não quer nem Lula nem Bolsonaro, candidatos com apoio popular. Considera que tanto Lula como os Bolsonaros não teriam capacidade de aplicar seus planos contra o povo com a intensidade por ela desejada.
No entanto, até o momento, encontra dificuldades para que um nome de sua inteira confiança, como Ronaldo Caiado, se torne viável eleitoralmente.
Dificuldades nas alianças
Nessa perspectiva, tentando minar os dois principais candidatos, a burguesia tem usado a estratégia de dificultar a formação de alianças e a obtenção de apoio.
Lula não conseguiu incorporar nenhum novo partido à chapa de 2022, formada com o PSB e os satélites do PT. Inclusive para os governos estaduais, teve muitas dificuldades para formar alianças, sendo forçado a lançar candidaturas do PT onde não desejava, como no caso de Minas Gerais.
Flávio Bolsonaro, que prometia liderar uma coalizão de direita, não conseguiu ter sucesso. Não conseguiu sequer um candidato a vice de fora do PL.
‘Centrão’ de fora
No último dia 4, partidos do “Centrão”, como Republicanos e União Brasil, seguindo a mesma decisão do Progressistas de alguns dias antes, anunciaram a “neutralidade” nas eleições. Na prática, não se trata de uma verdadeira neutralidade, mas da negação do apoio à chapa de Flávio Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, intensificaram-se os ataques contra pessoas próximas de Lula, sem que cessassem as denúncias contra os Bolsonaros, dando mostras de que a atual campanha pode ser ainda mais uma campanha policial e judicial do que uma campanha efetivamente política, uma vez que a burguesia e seus partidos não podem apresentar claramente seus objetivos para o povo.
O fato mais importante é que a burguesia já tem pronto um novo pacote de maldades que vai tentar aplicar contra o povo, independentemente do vencedor das eleições.





