Na edição desta segunda-feira (11) do Plantão Irã, Victor Assis e Pedro Burlamaqui discutiram a recusa de Donald Trump à nova proposta iraniana para encerrar a agressão imperialista contra o Irã. O programa, parceria entre a Causa Operária TV (COTV) e o Diário Causa Operária (DCO), vai ao ar diariamente às 16 horas, com exceção dos sábados, quando começa às 12 horas.
A edição começou com imagens da destruição causada pelos bombardeios dos Estados Unidos e de “Israel” contra a biblioteca de Hosseini Azam, em Zanjan, no Irã. Segundo Burlamaqui, o ataque ocorreu em 31 de março e destruiu 35 mil livros, dos quais 15 mil eram especializados e raros. A biblioteca era uma das maiores do país persa e funcionava em uma região pobre da cidade.
Assis classificou o ataque como parte da política imperialista de destruição da cultura dos povos oprimidos:
“Além do assassinato de civis, há os montes que tem no Irã, além do assassinato de civis que certamente ultrapassou uma centena de milhar na Palestina. Os dados oficiais dão conta de 80 mil, mas todos sabem que são números muito subestimados. Esses são apenas os nomes que tem lá e foram devidamente conferidos, tem registro, etc. Mas, somados os desaparecidos, os mortos em consequência de outros problemas da guerra, a quantidade é imensa. Está aí o imperialismo civilizado. É uma força selvagem, bárbara, que só traz atraso para as populações.”
O programa também tratou da situação de “Israel” em várias frentes. Burlamaqui citou a decisão da tenista iraniana Hannah Xabampour de abdicar de disputar uma final na Turquia contra uma representante do regime sionista, em solidariedade aos mártires palestinos. Também destacou o boicote de Irlanda, Espanha, Eslovênia, Holanda e Islândia ao Eurovision 2026, em protesto contra a participação da entidade sionista.
No campo militar, o programa comentou a informação do jornal sionista Maariv, segundo a qual danos recentes a uma das estruturas do chamado Domo de Ferro representaram um golpe na credibilidade da defesa aérea israelense. Segundo Burlamaqui, a imprensa militar libanesa publicou imagens de um VANT que atingiu uma das peças do sistema.
Assis afirmou que a crise de “Israel” aparece inclusive nas declarações de figuras do próprio sionismo, como Ehud Barak, ex-primeiro-ministro israelense, que criticou Netaniahu e afirmou que a permanência do Hesbolá após dois anos e meio de guerra representa uma derrota estratégica.
“Se ele dá esse tipo de declaração, obviamente que não é nenhuma declaração humanitária, não é uma declaração de princípios. Ele expressa uma posição política que é a posição do imperialismo, a posição de que a forma como o Benjamin Netaniahu tem levado adiante a sua repressão aos palestinos e aos povos da região é uma forma muito explosiva que pode colocar tudo a perder.”
O tema principal da edição foi a nova recusa de Trump a uma proposta iraniana de cessar-fogo. Segundo Burlamaqui, o Irã enviou sua resposta à proposta norte-americana e, depois disso, Trump publicou na Truth Social que os termos eram “inaceitáveis”. A proposta iraniana, de acordo com a imprensa persa citada no programa, não tratou do enriquecimento de urânio nem do programa nuclear, mas da interrupção da agressão.
Entre as exigências iranianas, foram citadas garantias sobre o Estreito de Ormuz, pagamento de compensações pelos danos da agressão imperialista, fim das sanções, liberação dos ativos iranianos bloqueados e inclusão do Líbano, de Gaza e do Iêmen em um acordo de cessar-fogo.
Assis afirmou que a postura de Trump mostra a dificuldade dos Estados Unidos em reconhecer a derrota militar diante do Irã:
“A gente tem uma guerra aqui que para todos os efeitos está congelada, não vai nem para frente nem para trás, porque os Estados Unidos não conseguem reverter a situação, não conseguem impor nenhuma derrota militar importante ao Irã, mas ao mesmo tempo os Estados Unidos se negam a declarar o fim da guerra. Isso daí é uma decisão fundamentalmente da presidência norte-americana, do governo norte-americano, porque foi o governo norte-americano quem decidiu iniciar a guerra, ou pelo menos quem organizou o início da guerra, organizou a intervenção militar.”
Assis ainda afirmou que as exigências norte-americanas têm como objetivo sabotar a possibilidade de acordo:
“Os iranianos vão lá, apresentam as circunstâncias, apresentam a situação, mostram ao Trump que ele não tem saída e o Trump vai lá e bate o pé. Quer manter a guerra, faz exigências absurdas. Até o Trump sabe que as exigências são absurdas, porque não são exigências de fato, são uma tentativa de fazer implodir, de sabotar qualquer possibilidade de acordo de cessar-fogo. Não há possibilidade de cessar-fogo nessas condições.”
A edição também tratou do aniversário de 78 anos da Nakba, data que marca a expulsão dos palestinos de suas terras com a fundação da ocupação sionista. Burlamaqui citou manifestações em Nablus, na Cisjordânia, e as discussões em “Israel” sobre uma possível anulação dos Acordos de Oslo.
Para Assis, os Acordos de Oslo consolidaram uma segunda etapa da dominação sionista sobre a Palestina, mantendo a Autoridade Palestina sob controle econômico e político de “Israel”. Ele afirmou que a extrema direita israelense, ao defender a anulação dos acordos, apenas expressa a política histórica do sionismo de tomar todo o território palestino.
Na parte final, Burlamaqui comentou o ataque de Alex Solnik, colunista do Brasil 247, ao lançamento de O Espinho e o Cravo, de Iahia Sinuar, publicado no Brasil pela Editora Democritos. Solnik chamou a obra de “Mein Kampf palestino” em texto publicado no Facebook, comparando Sinuar a Adolf Hitler e repetindo acusações do aparato de propaganda sionista contra a resistência palestina.
Assis respondeu que Solnik utiliza um método de intriga, sem debate político direto:
“O Rui Costa Pimenta não é um desconhecido. Ele chegou a ter um programa regular e é um entrevistado regular do Brasil 247, órgão de imprensa do qual o Solnik faz parte. Se não me engano, ele integra o Conselho Editorial. Se não integra o Conselho, é um dos quadros mais antigos do portal. Então, em nenhuma oportunidade anterior, inclusive o próprio Solnik já entrevistou o Rui Costa Pimenta, ele não colocou essas ideias frente a frente. Não coloca porque é um método rasteiro da direita, da burguesia e da esquerda pequena-burguesa mais fascistoide, mais histérica, mais direitista, mais reacionária. Que é um método da intriga, da calúnia, da baixaria, de falar por trás e não debate de ideias.”
Assis também afirmou que a comparação entre Sinuar e Hitler revela a posição política de Solnik diante da luta palestina. Para o comentarista, Sinuar é considerado por centenas de milhões de pessoas um herói da resistência nacional palestina, por ter dedicado a vida à luta contra a ocupação sionista.





