A edição deste domingo (10) do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), tratou da ameaça de França e Inglaterra de enviar navios militares à região do Estreito de Ormuz e da resposta anunciada pela República Islâmica do Irã.
Apresentado por Victor Assis, com participação de Pedro Burlamaqui, o programa destacou que o Irã afirmou estar pronto para responder a qualquer agressão de países europeus. Burlamaqui informou que a Inglaterra anunciou a possibilidade de enviar parte de sua frota naval para a região de Ormuz, enquanto a França divulgou planos de deslocar o porta-aviões Charles de Gaulle para o Mar Vermelho e o Golfo de Adém.
Os dois países alegam que a medida serviria para garantir a chamada “liberdade de navegação”. O Irã respondeu por meio do vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, que qualquer lançamento de barcos ou navios militares europeus ao Estreito de Ormuz terá resposta “decisiva e imediata”.
Burlamaqui destacou ainda que, segundo o comando naval iraniano, submarinos leves de fabricação nacional, conhecidos como “golfinhos do Golfo Pérsico”, foram colocados em operação e estão prontos para receber ordens de ataque. Esses submarinos podem permanecer no leito marinho por longos períodos e interceptar embarcações hostis.
Victor Assis afirmou que a movimentação de França e Inglaterra chama atenção porque, até aqui, os governos europeus vinham evitando uma entrada direta na guerra.
“Nesse sentido, a ameaça de envio de navios militares desses países surpreende. Indica que há alguma jogada que está obscura. Pode indicar uma mudança de política? Pode. Pode indicar que, de repente, por alguma consideração, França e Inglaterra decidiram entrar na guerra. Pode indicar uma pressão, estilo Trump, uma pressão sobre o Irã para procurar condições mais favoráveis em torno do tráfego em Ormuz”, afirmou.
O comentarista avaliou, no entanto, que uma intervenção direta de França e Inglaterra segue improvável, pois os últimos meses demonstraram que o imperialismo não está preparado para enfrentar o Irã. Para Assis, os governos europeus sabem que a guerra é impopular e que uma adesão aberta ao conflito teria alto custo político.
O programa também tratou das negociações entre Irã e Estados Unidos. Segundo a emissora estatal iraniana IRNA, o Irã entregou formalmente sua resposta à última proposta norte-americana sobre um cessar-fogo. A resposta foi protocolada por meio do Paquistão, que atua como mediador entre os dois países.
Segundo Burlamaqui, as informações disponíveis indicam que a negociação trata apenas do fim das hostilidades na região, sem incluir, neste momento, a questão do enriquecimento de urânio. Ele também destacou que a CNN, emissora norte-americana, apontou a distância entre as declarações de Donald Trump e a realidade militar da região.
Assis afirmou que o quadro geral da guerra segue favorável ao Irã, que mantém a iniciativa militar e o controle sobre Ormuz.
“O Trump, diante da necessidade de apresentar algum resultado positivo, faz tentativas desesperadas que apenas o desmoralizam ainda mais. O Estado de ‘Israel’, já completamente fora da guerra do Irã, está procurando provocar e atacar forças militares menores, de menor envergadura, como o Movimento de Resistência Islâmica e como o Hesbolá. Então, o quadro permanece mais ou menos o mesmo”, disse.
Para o comentarista, a tendência é que a pressão por um acordo aumente, pois a guerra se tornou insustentável para o imperialismo.
“A impressão que dá é essa: de que a derrota dos Estados Unidos é patente para todo mundo, e que os sócios do governo norte-americano, os países europeus, a própria imprensa imperialista querem o fim da guerra. Só quem não quer é o Trump, por questões muito particulares relacionadas à política interna norte-americana”, afirmou.
Outro ponto abordado foi o impacto econômico do bloqueio de Ormuz. Burlamaqui afirmou que o tráfego de embarcações no estreito caiu mais de 90% desde o início da guerra. As taxas de seguro das cargas transportadas pela região saltaram de 1% para 10%, encarecendo o transporte marítimo.
O programa também citou dados do Morgan Stanley segundo os quais as reservas mundiais de petróleo estão no menor nível desde 2018. Em menos de dois meses, houve queda de 4,8 milhões de barris por dia. Nos Estados Unidos, segundo Burlamaqui, a gasolina está 60% mais cara e o diesel chegou a US$6,70 por galão.
Assis afirmou que a alta do petróleo atinge toda a cadeia de produção mundial.
“Não tem como aumentar o preço do petróleo sem aumentar o preço do diesel e da gasolina. Não tem como aumentar o preço do diesel e da gasolina sem aumentar o preço dos alimentos. E aí você aumenta o preço dos alimentos, você começa a criar toda uma crise social”, afirmou.
A edição também tratou da situação no Barém. Burlamaqui informou que o regime baremita prendeu 41 pessoas sob acusação de cooperação com o Irã. Além disso, 14 clérigos xiitas tiveram suas casas invadidas e foram presos no sábado (9). O governo local acusa os detidos de ligação com o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI).
Assis afirmou que o Barém vive uma crise profunda e lembrou que, durante a chamada Primavera Árabe, a monarquia local quase foi derrubada pela mobilização popular, sendo salva pela intervenção da Arábia Saudita. Segundo ele, a guerra contra o Irã reabriu a crise política no país.
“Para a população do Barém, você basicamente tem uma população xiita governada e reprimida por um governo corrupto, pró-imperialista, super autoritário, e logo ao lado você tem um país governado por uma liderança que, para vários setores do xiismo, é uma liderança mundial, que é a liderança da Revolução Islâmica, que está desafiando o imperialismo”, disse.
Ao final, o programa comentou a libertação de Thiago Ávila e Saif Abukashek, sequestrados pela Marinha israelense e levados à prisão em Asquelão. Para Assis, a libertação ocorreu apesar da omissão do governo brasileiro.
“O governo Lula não contribuiu em absolutamente nada para a soltura dele. Tanto que ela ocorre junto com um rapaz que é palestino-espanhol. Quer dizer, foi o resultado de uma pressão geral pela soltura dos dois. E a gente noticiou aqui, com muito pesar, que o governo imperialista espanhol fez mais para soltar o seu cidadão do que o governo brasileiro”, afirmou.





