Parceria DCO-COTV

Plantão Irã: EUA tentam impor acordo sob bombas

Programa analisou a nova agressão norte-americana contra o Irã, a resposta da República Islâmica e as condições apresentadas para um acordo

O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), analisou a nova agressão dos Estados Unidos contra a República Islâmica do Irã em meio às negociações de cessar-fogo realizadas no Catar. A edição foi apresentada por Victor Assis, com a participação de Pedro Burlamaqui.

Burlamaqui afirmou que os Estados Unidos atacaram posições iranianas na cidade de Bandar Abbas, no sul do Irã, perto do Estreito de Ormuz. Segundo ele, o ataque atingiu bases de lançamento de mísseis e embarcações. O episódio ocorreu no mesmo dia em que a delegação iraniana chegava ao Catar para uma nova rodada de negociações.

“Estados Unidos atacaram o Irã em mais uma violação do cessar-fogo. O centro de comando do Exército norte-americano emitiu um comunicado oficial afirmando que realizou o ataque contra posições iranianas na cidade de Bandar Abbas, no sul do Irã, principalmente em bases de lançamento de mísseis e também em embarcações que ficam ali na região sul do país, perto do Estreito de Ormuz”, afirmou.

Segundo Burlamaqui, o governo iraniano informou que três marinheiros foram assassinados. Ele também destacou que o ataque ocorreu quando a comitiva diplomática do Irã, composta por figuras como o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, estava a caminho do Catar.

Para Victor Assis, a agressão norte-americana reproduz o método utilizado por “Israel” em negociações anteriores com a resistência palestina e libanesa: atacar justamente quando o cessar-fogo se aproxima.

“Me parece que isso aqui é apenas a repetição do método israelense: terrorismo em meio às guerras. Tudo que ‘Israel’ sabe fazer, aprendeu com o imperialismo, foi ensinado pela CIA, pelo MI6 etc. Quanto mais enfraquecido ‘Israel’ está, quanto mais desesperado e quanto mais o cessar-fogo se torna inevitável, ‘Israel’ faz as suas operações macabras, tentando chamar a atenção, tentando mostrar que tem força”, afirmou Assis.

O apresentador avaliou que a agressão dos Estados Unidos não indicava, necessariamente, a retomada da guerra em grande escala. Segundo ele, o mais provável é que o governo norte-americano tente apresentar uma derrota diplomática como se fosse demonstração de força.

“Já que não há muito para onde correr, já que o cessar-fogo se tornou uma imposição até mesmo do imperialismo, uma imposição da base trumpista, vamos tentar fazer esse cessar-fogo de uma maneira que pareça uma vitória, que pareça uma demonstração de força dos Estados Unidos”, disse.

Burlamaqui também apresentou as reações iranianas ao ataque. O ministro das Relações Exteriores condenou a agressão como uma violação flagrante e injustificada do cessar-fogo. O programa destacou ainda a declaração do general Abolfazl Shekarchi, porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, segundo a qual uma nova guerra terá uma resposta mais dura.

“Em caso de um novo conflito, a resposta será mais intensa, dura e poderosa que em guerras anteriores”, afirmou o general, segundo leitura feita no programa.

O programa informou ainda que a defesa aérea iraniana abateu um VANT norte-americano MQ-9 Reaper que invadia o espaço aéreo do país. Além disso, forças iranianas forçaram a retirada de aeronaves norte-americanas, entre elas um RQ-4 Global Hawk e um F-35.

Irã apresenta condições

Na sequência, Burlamaqui tratou das negociações no Catar. Segundo ele, o presidente do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, apresentou cinco condições para que haja avanço no acordo: fim da guerra em todas as frentes, especialmente no Líbano; fim do bloqueio naval contra embarcações iranianas; reconhecimento da organização iraniana para o Estreito de Ormuz; suspensão das sanções ao petróleo; e liberação dos ativos iranianos congelados.

“Se essas cinco medidas forem cumpridas, entraremos em um prazo de 30 a 60 dias seguido de discussões sobre detalhes das sanções e questões remanescentes. Caso contrário, este acordo não acontecerá”, afirmou Azizi, conforme apresentado no programa.

Assis avaliou que a firmeza iraniana decorre da própria Revolução Islâmica e da experiência acumulada pelo país em décadas de enfrentamento ao imperialismo.

“Nós estamos diante de um regime muito peculiar, um regime nacionalista muito radical, o regime nacionalista mais radical do mundo no momento. E isso torna as coisas muito diferentes. A tendência, em geral, é a capitulação. O imperialismo é muito mais poderoso do que qualquer país atrasado. Diante disso, se você não tem um governo apoiado firmemente nas massas, não há como resistir”, afirmou.

Para o apresentador, a Revolução Islâmica de 1979 e a guerra contra o Iraque forjaram uma disposição de luta que explica a política atual do Irã.

“O Irã fez uma revolução em 1979. Logo depois da revolução, teve seu teste de fogo, que foi uma guerra que durou quase 10 anos. Foi a guerra do Irã contra o Iraque, uma guerra bastante destrutiva, que forjou um espírito muito revolucionário na sociedade iraniana”, disse.

Copa e história do Irã

O programa também tratou da Copa do Mundo. Burlamaqui afirmou que o Irã conseguiu aval da FIFA para que sua delegação se aloje e treine no México, e não nos Estados Unidos, após a hostilidade norte-americana contra a presença iraniana no torneio. A equipe ficará em Tijuana, perto da Califórnia, em vez de Tucson, no Arizona.

Para Assis, a participação iraniana na Copa terá peso político especial.

“Vencer um torneio num esporte não determina o resultado de uma guerra. Mas é uma disputa em que há muitos ânimos envolvidos. Saber que você vai enfrentar os Estados Unidos, vai enfrentar um aliado dos Estados Unidos, jogar nos Estados Unidos e vencer é uma coisa que anima a população”, afirmou.

Por fim, Burlamaqui relembrou o golpe de 1953 contra Mohammad Mossadeq, organizado pela CIA e por outras agências imperialistas após a nacionalização do petróleo iraniano. Segundo ele, o golpe recolocou o país sob a ditadura do xá Reza Pahlavi, apoiada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.

Assis afirmou que esse episódio mostra o verdadeiro conteúdo da política imperialista contra o Irã.

“Quando você vê setores até da esquerda defendendo a derrubada do regime iraniano, defendendo a derrubada da República Islâmica, implicitamente o que eles estão defendendo é isso. Algumas pessoas defendem abertamente o governo de Reza Pahlavi Filho, sucessor desse monstro que foi o dirigente da ditadura iraniana derrubada em 1979. Mas mesmo aqueles que não defendem diretamente isso, na prática defendem uma frente única pelo retorno da monarquia”, afirmou.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.