Parceria DCO-COTV

Plantão Irã: EUA fracassam e ‘Israel’ ataca Gaza

Programa destacou isolamento norte-americano, crise econômica provocada pela guerra e novos ataques de “Israel” contra dirigentes palestinos

O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), destacou, nesta quinta-feira (7), novas informações sobre a guerra no Oriente Próximo. O programa, que vai ao ar todos os dias às 16 horas, tratou do fracasso norte-americano no Estreito de Ormuz, da crise econômica provocada pela guerra contra o Irã, da prisão de ativistas por “Israel” e do assassinato do filho de um dirigente do Hamas na Faixa de Gaza.

Apresentado por Victor Assis, com participação de Pedro Burlamaqui, o programa abriu com a notícia da primeira reunião entre o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o líder da Revolução Islâmica, Saied Mojtaba Khamenei. Segundo Burlamaqui, o presidente iraniano descreveu o encontro como “cordial” e “tranquilo”, destacando a postura do novo líder iraniano diante da população.

Assis afirmou que há uma diferença profunda entre as lideranças iranianas e os dirigentes dos países imperialistas. Para ele, a ascensão de Mojtaba Khamenei não pode ser comparada aos casos de favorecimento pessoal frequentes no imperialismo.

“A função para a qual o Mojtaba Khamenei foi escolhido é uma função que apresenta um altíssimo risco de morte. O pai foi assassinado, quem se tornar líder da República Islâmica ganha automaticamente um alvo apontado para as costas, sob a mira de ‘Israel’ e a mira dos Estados Unidos. Então, destacaria essa diferença gritante. A ascensão de Mojtaba Khamenei nada tem a ver com qualquer tipo de favorecimento pessoal. E, sim, tem a ver com o prestígio que ele ganhou junto às massas pela sua atuação revolucionária, pela defesa da República Islâmica, pela defesa da continuidade da revolução.”

O programa também tratou da convocação do embaixador israelense pelo governo espanhol, após o sequestro do cidadão espanhol Saif Abu Keshek por forças israelenses em águas internacionais. Burlamaqui comparou a atitude espanhola com a posição do governo brasileiro diante da prisão de Thiago Ávila, brasileiro feito refém por “Israel” na mesma prisão em Asquelão.

Assis criticou a passividade do governo brasileiro. Segundo ele, a situação é agravada pelo fato de Ávila ter sido impedido de comparecer às despedidas fúnebres de sua mãe enquanto permanecia preso por “Israel”.

“É realmente inacreditável que o governo de esquerda não tenha a sensibilidade, porque sensibilidade real não é você mandar notinha. Se o governo realmente lamenta o que está acontecendo, deveria agir, deveria tomar providências. Enquanto você tem um país imperialista, um governo super reacionário, agindo, fazendo alguma coisa mais efetiva. Lógico que é muito pouco, a Espanha teria condições, pelo próprio tamanho da sua economia, pelas relações que tem com ‘Israel’, teria condições de fazer muito mais para pressionar o Estado sionista. Mas é um gesto mais decidido do que o governo brasileiro.”

Outro tema central foi o colapso da chamada operação “Projeto Liberdade”, anunciada pelo governo Donald Trump para tentar escoltar navios no Estreito de Ormuz. Segundo o programa, a iniciativa foi encerrada dois dias depois de ser anunciada, enquanto a Arábia Saudita se negou a ceder seu espaço aéreo para a operação norte-americana.

Burlamaqui afirmou que mais dois navios iranianos romperam o bloqueio imposto pelos Estados Unidos: um petroleiro e um navio-tanque de gás liquefeito. Para Assis, a situação demonstra um isolamento inédito dos governos norte-americano e israelense.

“O imperialismo retirou o apoio à empreitada trumpista, na medida em que a guerra foi se revelando bastante custosa e sem qualquer perspectiva de ser concluída, sem qualquer perspectiva, na verdade, de fazer avançar os interesses imperialistas na região. O que tudo indica é que quando essa guerra encerrar, o Irã vai sair mais fortalecido do que estava antes da guerra, e os Estados Unidos mais enfraquecidos.”

O apresentador também afirmou que o governo Trump tenta manter a guerra para evitar uma derrota política interna. Segundo Assis, a guerra contra o Irã se tornou um problema para o próprio imperialismo, que já não vê nela uma possibilidade real de vitória.

O programa ainda apresentou informações de última hora sobre explosões na cidade iraniana de Bandar Abbas. Segundo Burlamaqui, havia versões divergentes no momento da transmissão: uma delas indicava testes da defesa aérea iraniana; outra apontava a derrubada de VANTs em uma ação hostil atribuída aos Emirados Árabes Unidos. O apresentador ressaltou que, até aquele momento, não havia confirmação oficial sobre a origem dos ataques.

Na parte econômica, o Plantão Irã destacou que a Lufthansa registrou prejuízo de 1,7 bilhão de euros em decorrência da guerra no Oriente Próximo e da alta do preço dos combustíveis. O programa também citou avaliação do Goldman Sachs segundo a qual os estoques globais de gasolina, diesel e querosene estão no menor nível em oito anos e durariam apenas 45 dias.

Assis afirmou que os dados mostram a força do controle iraniano sobre Ormuz e a profundidade da crise criada pela agressão imperialista.

“Você está fechando uma região por onde passa 20% do petróleo mundial, mas que provavelmente passa 50%, 70%, 90%, 100% do petróleo de determinados países. O petróleo não serve apenas para a gasolina que você vai colocar no seu carro. Ele serve também como fonte de energia nesses países, que, diferentemente do Brasil, não têm tantas riquezas naturais assim. Ele serve para alimentar a indústria com infinidade de produtos. Ele serve também para a produção de fertilizantes. O que sai daí não é apenas o petróleo, mas também o gás natural.”

Segundo Assis, os efeitos da guerra já aparecem em diversos países. Ele mencionou falta de insumos da construção civil no Brasil e problemas de abastecimento no Japão como sinais de que a guerra está abrindo uma crise econômica mundial de grandes proporções.

A CNN e a imprensa israelense também foram mencionadas no programa por reconhecerem o fracasso da operação norte-americana. Segundo Burlamaqui, a emissora norte-americana destacou que, mesmo que a alegação dos Estados Unidos de ter liberado dois navios fosse verdadeira, ainda restariam cerca de 1.600 embarcações presas na região.

Assis avaliou que Trump se colocou em uma situação difícil ao iniciar uma ofensiva que não conseguiu sustentar.

“Trump precisa chegar para a população norte-americana e falar: ‘o meu plano deu completamente errado, fracassou. Eu só fiz com que a gente perdesse muito dinheiro e o mundo quase pegasse fogo’. É difícil, mas é o que ele tem que fazer, porque a alternativa é ficar se mantendo na guerra. E se mantendo na guerra, você tem um aumento da crise econômica, o aumento da crise política.”

O tema principal do programa foi o assassinato de Azam al-Hayya, filho de Khalil al-Hayya, dirigente do Hamas na Faixa de Gaza e chefe da delegação palestina nas negociações de cessar-fogo. Segundo Burlamaqui, praticamente todos os grupos da resistência palestina divulgaram notas de condolências e denúncia contra o crime.

O apresentador leu trecho da nota do Hamas:

“O covarde e criminoso sionista que teve como alvo Azam al-Hayya, filho do chefe do Movimento na Faixa de Gaza e chefe da Delegação Negociadora, o Dr. Khalil al-Hayya, representa a continuação da política da ocupação de atacar civis e os familiares dos líderes palestinos, como parte de suas fracassadas tentativas de influenciar a vontade da resistência e suas posições políticas por meio do terrorismo e assassinatos e de pressão psicológica.”

A nota do partido palestino também afirmou que o ataque demonstra a crise de “Israel”:

“O recurso da ocupação a esse tipo de crime confirma sua profunda crise e sua incapacidade de quebrar a vontade de nosso povo ou de alcançar qualquer conquista política ou de campo. Recorrendo por isso a uma política de vingança e a tentativa de incutir o medo atacando famílias e civis.”

Assis concordou com a avaliação do Hamas. Para ele, o assassinato do filho de um dirigente palestino não tem sentido militar, já que há um cessar-fogo em vigor, e serve como provocação política.

“Não há guerra nesse momento em curso entre o Hamas e o Estado de ‘Israel’. Exatamente o oposto. Há um acordo mútuo de que ninguém vai agredir o outro. Um acordo de cessar-fogo que está em vigor. O Hamas, no último período, não atacou ‘Israel‘ em momento algum. Então, você aqui tem uma dupla violação. Você tem a violação do próprio território, você tem um ataque na Faixa de Gaza e você tem uma violação política, uma perseguição.”

Segundo Assis, “Israel” procura compensar sua derrota diante do Irã atacando adversários em condições mais desfavoráveis, como Gaza e o Líbano. Ele também afirmou que o governo de Benjamin Netaniahu tenta prolongar o estado de guerra para conter a oposição interna.

“É uma tentativa de distrair o público do fracasso que ‘Israel’ está tendo nesta guerra contra o Irã. A gente já havia alertado para isso no caso do Líbano, que ‘Israel’ desistiu de travar uma guerra contra o Irã e passou a atacar o Líbano por considerar um adversário mais fraco.”

Ao final do programa, Burlamaqui informou que o Exército iraniano havia disparado contra unidades marítimas norte-americanas no Estreito de Ormuz que atacavam um petroleiro iraniano. Segundo ele, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) informou que a frota norte-americana foi danificada e obrigada a recuar.

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