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Plantão Irã discute ataque a alvos no Cuaite, no Barém e na Jordânia

Programa ainda comentou a crise do regime sionista e as manifestações de apoio à luta da República Islâmica

A edição desta quarta-feira (10) do Plantão Irã, programa realizado pela Causa Operária TV em parceria com o Diário Causa Operária, centrou-se na aprovação da nova resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) contra o programa nuclear iraniano, nos confrontos armados desencadeados após a queda de um helicóptero norte-americano no Estreito de Ormuz e no atual impasse das negociações para um cessar-fogo generalizado na região, contrapondo as ações do imperialismo à mobilização popular nas nações que compõem o Eixo de Resistência.

A Agência Internacional de Energia Atômica aprovou formalmente uma resolução proposta em bloco pelos Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha com o objetivo de recrudescer o controle sobre o programa nuclear iraniano e monitorar os estoques de urânio enriquecido. O texto obteve 21 votos favoráveis, 10 abstenções e 3 votos contrários, emitidos por Rússia, China e Níger. A medida determina que o Irã informe imediatamente à agência a localização exata de seus estoques para inspeção compulsória, utilizando como justificativa supostos danos estruturais ocorridos após um período de 40 dias de hostilidades na região.

O governo do Irã reagiu de pronto à deliberação internacional, classificando o documento como eivado de vícios. Em nota oficial, as autoridades iranianas asseguraram que o país não irá renunciar aos seus direitos soberanos no desenvolvimento da tecnologia nuclear, mesmo diante de um texto considerado defeituoso. Em paralelo, as representações diplomáticas da China e da Rússia emitiram uma declaração conjunta criticando duramente o fórum internacional e tachando a resolução de contraproducente e inapropriada para o sensível cenário político atual.

Durante o programa, Pedro Burlamaqui ressaltou que a resolução internacional omite por completo as agressões aéreas sofridas pelo território iraniano. Conforme apontou o analista, os Estados Unidos bombardearam o Irã, mas a resolução não menciona o fato, tampouco condena tais bombardeios, exigindo, ao revés, que o Irã abra suas instalações para inspeções.

Victor Assis corroborou a análise, classificando a manobra das potências imperialistas como uma provocação bastante grotesca que visa unicamente a fornecer pretextos jurídicos e políticos para a imposição de novas sanções econômicas globais. Ele asseverou que as acusações sobre o descumprimento de salvaguardas nucleares servem de argumento para que todo o sistema financeiro controlado pelo G7 e pela União Europeia intensifique o cerco contra a República Islâmica.

No entanto, o comentarista argumentou que a estratégia de isolamento tende ao fracasso junto à opinião pública global. Na sua visão, a exemplo do que ocorreu no bloqueio econômico e cultural imposto à Rússia, a truculência não surtirá o efeito planejado, convertendo-se em um catalisador para aumentar a revolta popular contra o imperialismo e ampliar as redes de solidariedade internacional para com o povo iraniano.

O debate avançou para os choques bélicos diretos ocorridos nas últimas vinte e quatro horas. O exército dos Estados Unidos acusou formalmente o Irã de ter abatido um helicóptero militar do modelo Apache na região estratégica do Estreito de Ormuz, ameaçando com uma retaliação imediata. O comando militar iraniano não assumiu a autoria do incidente, limitando-se a reiterar que qualquer vetor ou embarcação estrangeira que viole o espaço territorial da nação sofrerá as devidas consequências legais e defensivas.

Os Estados Unidos utilizaram o episódio do helicóptero como justificativa para deflagrar bombardeios contra as cidades costeiras iranianas de Jask, Sirik e Qeshm, além de registrar explosões nos arredores de Bandar Abbas. Relatórios do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) indicaram que os projéteis norte-americanos atingiram infraestruturas estritamente civis, resultando na destruição de uma torre de telecomunicações em Sirik e de dois reservatórios de água potável no distrito de Bemani.

Em resposta imediata aos ataques ao seu território, o Irã executou uma operação militar de grande envergadura contra guarnições norte-americanas espalhadas pelo Oriente Próximo. Foram lançadas ondas de aeronaves não tripuladas de nova geração que atingiram instalações navais da Quinta Frota dos Estados Unidos no Barém, a base aérea de Al-Azraq localizada na Jordânia e alvos logísticos em território cuaitiano.

Dados divulgados pelo exército iraniano indicaram a neutralização de 70% dos 21 objetivos militares estipulados na contraofensiva. Pedro Burlamaqui pontuou que o sucesso operacional expõe uma assimetria financeira favorável ao Irã, visto que as forças iranianas empregaram equipamentos de baixo custo de fabricação para avariar estruturas bilionárias e abater plataformas norte-americanas de alto valor, a exemplo do veículo aéreo não tripulado (VANT) MQ-9 ceifado na mesma área de operações. O Ministério da Defesa do Irã declarou formalmente que sua estratégia militar transita de um estágio estritamente defensivo para um modelo ofensivo, estendendo a proteção bélica aos seus aliados regionais.

Ao analisar o panorama político de “Israel”, o programa indicou que o governo de Benjamin Netaniahu enfrenta uma grave crise de coesão interna. De acordo com informações repercutidas pelo jornal israelense Haaretz, em artigo assinado pelo analista Nathaniel Shlomovitz, o governo do presidente norte-americano Donald Trump concluiu que, para a viabilização de qualquer entendimento duradouro com o Irã, é necessário exercer um controle rígido sobre as operações militares de “Israel” no Líbano.

A ala de extrema direita do parlamento israelense tem subido o tom contra Netaniahu, classificando o primeiro-ministro como fraco por ter acatado ordens de Trump para arrefecer os bombardeios na periferia sul de Beirute. Victor Assis explicou que o colapso iminente do conflito decorre de um racha entre os objetivos de sobrevivência política de governantes individuais e as necessidades dos grandes monopólios internacionais.

“O imperialismo já colocou claramente que ele não quer mais essa guerra”, afirmou Victor Assis.

O comentarista esclareceu que, embora os países imperialistas apoiem as sanções e queiram desmantelar o programa nuclear do Irã, a continuidade de um conflito aberto tem provocado um desastre financeiro global e consolidado o Irã como a principal potência regional da região.

De um lado, Victor Assis apontou que Donald Trump busca costurar um tratado diplomático que mascare a incapacidade de vitória militar e justifique os custos da guerra perante a classe trabalhadora norte-americana. Por outro lado, a liderança de “Israel” sabota ativamente as negociações de paz porque a própria existência do Estado sionista depende da manutenção de um estado de beligerância perpétua para unificar sua sociedade artificial e desviar o foco de suas debilidades internas. Segundo o comentarista, a tática histórica de “Israel” consiste em massacrar as populações vizinhas e, simultaneamente, mobilizar seu aparato de propaganda internacional.

No plano da política interna e das manifestações civis, o Plantão Irã destacou a ocorrência de protestos simultâneos organizados pelo Comitê Internacional Popular Contra a Agressão nas capitais de Teerã, Gaza, Beirute, Bagdá e Sana’a, sob a palavra de ordem unificada de uma única frente contra um único inimigo. O comando das forças armadas iranianas emitiu uma moção de agradecimento público à sociedade civil do país pelo marco histórico de 100 noites consecutivas de mobilizações populares massivas em defesa da soberania nacional.

Victor Assis contrapôs o cenário de coesão social observado no Irã com o esgarçamento civil verificado nos países imperialistas. Ele mencionou os constantes choques internos em solo israelense, exemplificados pela repressão violenta das forças policiais contra comunidades de judeus ultraortodoxos que se rebelam contra o alistamento militar obrigatório. Lembrou ainda que, nos Estados Unidos, a forte insurgência da juventude universitária em defesa da causa palestina cobrou seu preço político nas urnas, inviabilizando a tentativa de reeleição de Joe Biden e culminando na derrota eleitoral do Partido Democrata.

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