Parceria DCO-COTV

Plantão Irã destaca recuo dos EUA em Ormuz

Programa tratou dos danos causados pelo Irã a bases norte-americanas, da agressão sionista ao Líbano e da derrota de Trump no Estreito de Ormuz

O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), destacou, nesta quarta-feira (6), novas derrotas dos Estados Unidos e de “Israel” na guerra no Oriente Próximo. A edição foi apresentada por Victor Assis e contou com a participação de Adriana Machado e Pedro Burlamaqui.

Irã atingiu 15 instalações dos EUA

O primeiro tema tratado foi uma reportagem do jornal norte-americano The Washington Post sobre os ataques iranianos contra instalações militares dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico. Pedro Burlamaqui afirmou que os dados divulgados pelo jornal mostram danos muito maiores do que os admitidos pelo governo Trump.

“O Irã atingiu com muito mais força os ativos militares norte-americanos na região do que havia sido dito inicialmente. A reportagem foi feita com base em imagens de satélite, que mostram uma série de danos feitos pelas Forças Armadas iranianas contra bases militares e centros logísticos militares no geral norte-americanos ali na região do Golfo Pérsico”, afirmou Burlamaqui.

Segundo o comentarista, o jornal norte-americano apontou que o Irã danificou ou destruiu pelo menos 228 estruturas e equipamentos em 15 instalações militares dos Estados Unidos. Ele também citou os dados apresentados sobre baixas norte-americanas.

“Ainda segundo o The Washington Post, lembrando sempre que esses são dados de um jornal imperialista, sete soldados norte-americanos morreram, seis no Cuaite e um na Arábia Saudita. Mais de 400 ficaram feridos, com pelo menos 12 sendo ferimentos graves”, disse.

Adriana Machado afirmou que os Estados Unidos e “Israel” tentaram impedir a divulgação das imagens de satélite para esconder os estragos. Segundo ela, o próprio jornal norte-americano teve de reconhecer que as imagens apresentadas pelo Irã eram verdadeiras.

“Eles lembram que os Estados Unidos e ‘Israel’ proibiram a divulgação de imagens de satélite da região justamente porque queriam esconder esses estragos. Só que o Irã divulgou as imagens e o The Washington Post não teve como, teve que analisar as imagens e descobriu que não existia nenhuma imagem que o Irã postou que era falsificada. Concluíram que as imagens são verdadeiras, que os estragos são muito maiores”, afirmou.

Para Adriana, os dados mostram a precisão da resposta iraniana.

“Inclusive, um dos analistas destacou que os ataques iranianos foram precisos, que não tem cratera aleatória indicando erro em volta das estruturas. Foram ataques precisos, arrasadores, que os Estados Unidos e ‘Israel’ tentaram esconder”, disse.

Imprensa imperialista pressiona Trump

Victor Assis avaliou que a divulgação desses dados por um jornal ligado imperialista expressa uma pressão sobre Trump para encerrar a guerra. Segundo o apresentador, a guerra não trouxe resultados positivos para os Estados Unidos e está fortalecendo o Irã.

“Se eles estão se dedicando a falar a verdade, ou pelo menos parte da verdade, porque há muito mais que o Irã falou que eles estão omitindo, é porque há um interesse neste momento de pressionar a presidência norte-americana a fazer um acordo de cessar-fogo, a acabar com a guerra. A guerra não está levando a nenhum resultado positivo para o imperialismo, pelo contrário, está fortalecendo um regime hostil ao imperialismo, que é o regime iraniano, e ao mesmo tempo está enfraquecendo a economia mundial”, afirmou.

Assis citou os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre a economia internacional e afirmou que mesmo países imperialistas passaram a buscar uma saída diante dos prejuízos. Segundo ele, o caso mostra a crise política no interior do imperialismo e a dificuldade de Trump em sustentar a guerra.

‘Israel’ ataca Beirute

O programa também tratou da agressão sionista contra o Líbano. Burlamaqui informou que “Israel” atacou um prédio residencial no sul de Beirute, na região de Haret Hreik, área densamente povoada da capital libanesa.

Segundo o comentarista, a justificativa apresentada pelos sionistas foi a tentativa de assassinar um comandante do Hesbolá. Ele destacou ainda que o ataque teria sido feito em coordenação com os Estados Unidos, apesar do cessar-fogo anunciado em abril.

Adriana Machado afirmou que o ataque é uma provocação de Netaniahu para impedir o encerramento da guerra.

“A gente já sabe que Netaniahu e ‘Israel‘ querem continuar a guerra, não querem cessar-fogo. A gente vê, com a dificuldade do Trump no Estreito de Ormuz e a pressão do imperialismo para acabar com a guerra, toda vez que a gente vê o Trump estremecendo, falando que quer o cessar-fogo, ‘Israel’ faz um ataque”, disse.

A comentarista lembrou que a região atacada é Dahiyeh, no sul de Beirute, local ligado ao martírio de Hassan Nasseralá.

“Eles continuam atacando o sul do Líbano, como você falou, sem anunciar muito, mas dessa vez o Netaniahu veio e anunciou que atacaram Beirute. Eu acho que é uma pressão para não deixar os Estados Unidos pararem a guerra, o imperialismo parar a guerra”, afirmou.

Hesbolá impõe crise ao Exército sionista

Outro ponto discutido foi a dificuldade do exército sionista em enfrentar os VANTs do Hesbolá. Burlamaqui afirmou que a resistência libanesa tem utilizado equipamentos conectados por fibra ótica, tecnologia que torna mais difícil a interceptação.

Victor Assis afirmou que essa situação revela a decomposição militar de “Israel”.

“‘Israel’ era apresentado como uma potência imbatível no Oriente Médio, um status que adquiriu depois da Guerra dos Seis Dias de 1967, como um país que teria o total controle militar da região. Mas de lá para cá muita coisa aconteceu, sendo a mais importante a Revolução Iraniana de 1979”, afirmou.

Segundo Assis, a derrota sionista aparece tanto diante do Irã quanto diante das forças da resistência palestina e libanesa.

“‘Israel’, em mais de dois anos, não conseguiu conquistar nenhum dos seus objetivos na Faixa de Gaza. Onde você não tem um Estado, você não tem um exército constituído, você tem aí uma região praticamente do tamanho de um bairro, de uma cidade grande, em que a população está totalmente cercada, sancionada, e mesmo assim ‘Israel‘ não conseguiu dominar a região”, disse.

Trump recua em Ormuz

O principal tema do programa foi a suspensão do chamado “Projeto Liberdade”, operação anunciada por Trump para escoltar navios no Estreito de Ormuz e tentar burlar a fiscalização iraniana.

Burlamaqui afirmou que a operação foi anunciada com grande propaganda, mas acabou suspensa apenas dois dias depois. Segundo ele, não houve qualquer ação efetiva da Marinha norte-americana capaz de alterar a situação no estreito.

Victor Assis afirmou que o episódio aprofunda a derrota dos Estados Unidos.

“Eu acho que ela aprofunda a já evidente derrota dos Estados Unidos nesta guerra. Era uma coisa até bastante previsível. Quem vem acompanhando os nossos comentários aqui no Plantão Irã vai se recordar que nós colocamos o seguinte: do ponto de vista da correlação de forças, do ponto de vista do campo de batalha, o Irã detém uma grande superioridade militar, coisa que faz com que os Estados Unidos não possam exigir nada nas suas negociações”, afirmou.

O apresentador disse que Trump tenta transformar a derrota em vitória por meio de medidas de propaganda.

“O Donald Trump, na tentativa de encontrar uma saída mais digna, de impor alguma condição, de apresentar essa estrondosa derrota como uma vitória, vem esticando o conflito, aparecendo com medidas de propaganda. Eu não sei em que medida ele realmente acredita que alguma coisa que ele está fazendo vai dar certo ou se é pura propaganda mesmo. Mas a tendência é que quanto mais se prolonga o conflito, pior”, afirmou.

Adriana Machado citou uma análise da HispanTV que definiu a suspensão da operação como uma derrota esmagadora dos Estados Unidos diante da capacidade militar iraniana.

“O Trump percebeu, ainda que tardiamente, que não tem cartas na manga. Nenhuma opção viável, nenhuma coalizão e nenhum interesse em um confronto catastrófico que desafie a soberania legal do Irã sobre essa rota estratégica”, leu Adriana.

Segundo ela, a decisão dos Estados Unidos não foi resultado de boa vontade, mas da resposta militar iraniana.

“Eles falam ainda que essa suspensão não se deu por causa da boa vontade norte-americana, mas sim pela dissuasão militar iraniana, que foi direta, imediata e esmagadora”, afirmou.

Burlamaqui também leu a declaração de Trump sobre a suspensão da operação.

“Com base no pedido do Paquistão e de outros países, no enorme sucesso militar que obtivemos durante a campanha contra o Irã e, além disso, no fato de que grandes progressos foram feitos rumo a um acordo completo e definitivo com os representantes do Irã, concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor, o Projeto Liberdade, circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, será suspenso por um curto período para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado”, afirmou Trump em sua conta na Truth Social.

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