A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criticou duramente as novas restrições impostas pela Anvisa ao uso compassivo da polilaminina.
Tatiana lidera há quase 30 anos pesquisas sobre a substância, estudada como possível tratamento para pessoas que ficaram paraplégicas ou tetraplégicas após lesões.
Segundo ela, pacientes com lesões de até 90 dias chegaram a receber a polilaminina por meio do programa de uso compassivo. Com a mudança das regras, a Anvisa reduziu esse período para 72 horas e restringiu também os tipos de lesão aceitos.
Cerca de 500 pessoas aguardam pelo tratamento, enquanto aproximadamente 200 já teriam ultrapassado o novo prazo.
Em entrevista ao Só Notícia Boa, Tatiana relatou o sofrimento causado pelas restrições. Questionada sobre a necessidade de negar o tratamento às famílias que procuram sua equipe, afirmou que chora com frequência.
A pesquisadora considera que a Anvisa errou ao impor os novos critérios.
O uso compassivo existe justamente para situações nas quais pacientes com doenças ou lesões graves não dispõem de alternativas terapêuticas satisfatórias e podem, sob condições determinadas, ter acesso a um tratamento ainda experimental.
Isso não elimina a necessidade de controle científico e acompanhamento médico. Mas reduzir de 90 dias para apenas três o período permitido exclui imediatamente centenas de pessoas que já aguardavam uma oportunidade.
A burocracia estatal não pode agir como se estivesse lidando apenas com formulários e prazos. Cada caso envolve pessoas que sofreram lesões gravíssimas e famílias que procuram uma possibilidade de recuperação.




