Pesquisa da Ágili Pesquisas encomendada pela Associação Matria registrou maioria contrária, em todos os seis temas apresentados, à adoção de políticas baseadas na autoidentificação de gênero. O levantamento ouviu 1.116 eleitores entre 17 de junho e 2 de julho, por telefone, tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-05097/2026.
Os entrevistados responderam sobre o acesso de pessoas do sexo masculino que se identificam como mulheres a banheiros femininos, presídios femininos, categorias esportivas destinadas às mulheres, cotas eleitorais e cotas universitárias. Também foram questionados sobre o uso de bloqueadores de puberdade e hormônios do sexo oposto em crianças e adolescentes.
A rejeição foi de 82,2% no caso dos banheiros femininos, 82,9% nos presídios, 82,9% nas competições esportivas, 70,5% nas cotas eleitorais e 59,2% nas cotas universitárias. O maior índice apareceu na questão envolvendo menores de idade: 88,9% declararam-se contrários ao uso de bloqueadores de puberdade e hormônios.
O resultado não acompanha mecanicamente a divisão entre esquerda e direita. Entre os entrevistados que se declararam de esquerda, 69,6% foram contrários ao acesso aos banheiros femininos, 65,6% à transferência para presídios femininos e 71,9% à participação nas categorias esportivas femininas. Nas cotas universitárias, a rejeição ficou em 42,1%.
Entre os entrevistados que declararam voto em Lula, a maioria também rejeitou cinco das seis políticas apresentadas. No caso de bloqueadores de puberdade e hormônios em menores, a oposição chegou a 80,1%.
Os números atingem diretamente a tentativa de apresentar determinadas políticas identitárias como reivindicações consolidadas da esquerda ou da população trabalhadora. Pelo menos na amostra pesquisada e diante das perguntas apresentadas, há rejeição expressiva mesmo entre pessoas que se identificam com a esquerda e entre eleitores de Lula.



