O tom choroso do artigo A inversão moral no debate sobre Israel, de André Lajst, publicado em O Globo neste sábado (9), é uma prova de que as coisas não andam bem para o lado da propaganda sionista.
O autor é obrigado a repisar argumentos gastos de tantas vezes que foram refutados, desmascarados e ridicularizados. Diz que “há algo profundamente perturbador no debate contemporâneo sobre Israel, não apenas pelo conteúdo das críticas, mas por sua natureza moral. Em setores expressivos do meio intelectual e político, observa-se não uma análise rigorosa dos fatos, mas a consolidação de um padrão seletivo de indignação, em que princípios universais são aplicados de forma arbitrária, quando não completamente abandonados”.
Infelizmente, para o articulista, existe uma máxima que diz que uma imagem vale por mil palavras. Seguindo essa ideia, poderíamos supor que um vídeo valha por um milhão de palavras, ainda que a realidade seja diferente disso.
Contra a choradeira do texto, existem milhões de vídeos e imagens circulando nas redes sociais com crianças mutiladas, queimadas até os ossos com fósforo branco, pessoas desesperadas em filas esperando por água e alimentos.
Ao mesmo tempo, surgiram vídeos de caminhões de ajuda humanitária impedidos de entrar na Faixa de Gaza, ou de caminhões sendo saqueados por colonos “israelenses” e tendo sua carga inutilizada e atirada ao chão.
Hospitais bombardeados, um número inacreditável de jornalistas assassinados, escolas, universidades destruídas. Recentemente, crianças palestinas sendo impedidas por soldados armados com fuzis do Estado sionista de irem às aulas.
Não faltam vídeos de pogroms de colonos contra moradores palestinos que têm suas casas invadidas, oliveiras derrubadas, ovelhas roubadas, espancamentos de pessoas idosas.
Por acaso o autor não viu o bolo de Itamar Ben-Gvir, Ministro da Segurança Nacional de “Israel”, com uma forca de enfeite aludindo à lei que pune de morte apenas os palestinos, lei que causa repulsa até mesmo em círculos que costumam apoiar o Estado genocida? Tudo isso, e muito mais, faz com que as palavras do articulista não tenham força nenhuma. Ele não está autorizado a falar de natureza moral de nada.
Os sionistas estão perseguindo judicialmente quem critica os crimes cometidos pelo Estado de “Israel”. Dizem que é “antissemitismo”. Há brasileiros sendo condenados por criticarem um país estrangeiro.
Os sionistas, no entanto, não deveriam comemorar, pois o tiro está saindo pela culatra. Nos Estados Unidos, o país que mais apoia “Israel”, a população está se voltando contra os agressores de palestinos.
Uma edição da pesquisa Harvard CAPS/Harris (agosto de 2024 e reafirmada em análises de 2025). indicou que, na faixa etária de 18 a 24 anos, 60%, a maioria dizia “ficar ao lado do Hamas” em vez de Israel. Veja bem, não é do lado apenas dos palestinos, mas do Hamas, o principal partido de resistência contra a ocupação colonialista.
No Reino Unido, quase 20 mil pessoas foram presas por protestarem contra o genocídio na Faixa de Gaza. Na Alemanha, além de serem espancadas brutalmente pela polícia, pessoas podem ser presas se disseram a frase “Palestina livre do rio ao mar”.
Essa repressão, as condenações judiciais, apenas estão alimentando o ódio contra o sionismo. Muitos judeus hoje que são contra essa ideologia fascista e colonialista estão sofrendo as consequências e estão descobrindo, sentindo na pele, que o sionismo é o pior inimigo dos judeus.
André Lajst, por sua vez, não se preocupa com isso. Ele não sai pelas ruas caracterizado com um judeu, como é o caso dos religiosos ultraortodoxos. No Brasil, é associado a um lobby poderosíssimo que persegue quem critica “Israel”. Não se trata, portanto, de nenhuma superioridade moral: Lajst é beneficiário de uma máquina opressora e criminosa.
Felizmente, essa máquina está com os dias contados. E quando ela for destruída, não vai adiantar Lajst choramingar como faz hoje.





